Esparsos

terça-feira, dezembro 20, 2005

Primeira erotogénese

Era a primeira vez que ela entrava no quarto dele. Um quarto discreto, com móveis em tom castanho escuro e uma cama ao centro. A colcha era branca e contrastava com o absoluto negro, que era a cor do ferro em que a cama era feita...

Ele agarrou-a por trás e abraçou-a pela cintura, com os lábios a tocar a parte de trás do seu pescoço. Ela conseguia senti-lo a cheirar profundamente o aroma do seu cabelo. As mãos dele começaram a subir lentamente, a fazer festas ainda por cima da blusa de seda que quase parecia uma segunda pele... até chegar aos seios, onde parou. Agarrou-os docemente, primeiro. Depois, conforme se pôs de lado em relação a ela e a ponta da sua língua começou a lamber o lóbulo da orelha dela, apertou com mais força, procurando o relevo dos mamilos dela, já erectos pela excitação que começava a dominá-la. Ele virou-a bruscamente para ela, e beijou-a furiosamente, as línguas a dançar dentro da boca dela, quase a ameaçar deixá-la sem ar, o olhar dele um misto de desejo e de pura inconsciência. A sua boca largou-a e lançou-se ao pescoço dela, que primeiro afagou com a língua e depois mordeu, apanhando os tendões dela entre os dentes, enviando-lhe arrepios e choques por todo o corpo... Ela agarrou-se a ele e soltou um suspiro. Ele começou a desapertar-lhe a blusa, enquanto ela metia as suas mãos por debaixo da t-shirt dele e lhe cravava as unhas na pele, respondendo às sensações que ele lhe provocava. Quando finalmente ele tirou a camisa, já tinha parado de a morder. De novo a ponta da língua dele estava a acariciar o seu pescoço, mas agora descia já, passando pelo peito, insinuando-se no espaço do decote do soutien. Com as mãos, baixou ambas as alças, que escorregaram pelos braços dela e que o levaram a puxar o soutien para baixo com os dentes... Finalmente ali estavam, desnudos, firmes e suculentos... As mãos dele foram atraídas para aqueles pontos, cada uma delas brincando com um dos mamilos duros, apertando, torcendo um pouco... Depois com a boca, mordendo-os, primeiro com pouca força, e depois com um pouco mais, perto do limite em que o prazer é substituído pela dor... Acabou por desapertar os colchetes do soutien e de o atirar para o chão, indo-se pôr de novo por detrás dela... As mãos pousaram no ventre e começaram a subir, lentamente, até que os seios dela enchiam as mãos dele, e ele os apertava com mais força que o normal...

Ele tirou a t-shirt, deixando o seu magro torso à vista, que ela acariciou... Mas o desejo que o olhar dele transmitia não era um de ternura... empurrou-a de costas contra a cama, fazendo-a deitar-se. Ajoelhou-se por cima dela, e uma das mãos acariciou o joelho dela, subindo depois para a coxa e, por fim, para o sexo, ainda preso dentro das calças justas que ela tinha. As carícias profundas tiveram como efeito o aumento do desejo dela... A respiração acelerada, a forma como, por um momento, os olhos se reviraram... tudo isso apenas deixou uma vontade ainda maior nele de prosseguir, de a tomar para si. Os botões das calças dele deixaram de ser empecilho poucos segundos depois, conforme ela os desabotoou e lhe puxou as calças para baixo, revelando o relevo do seu sexo erecto por debaixo dos boxers. Ele pôs-se de pé para tirar as calças completamente, e ela aproveitou para se sentar, e para fazer deslizar as mãos desde os joelhos dele até ao seu sexo, acariciando-o levemente com a ponta dos dedos, para cima e para baixo... Ele gemeu, mostrando o seu agrado, e agarrou a cabeça dela, levando-a a encostar a cara aos boxers, que ela se apressou a puxar para baixo... O sexo dele estava à vista, entumescido, e ela pegou-lhe com a mão direita, fazendo movimentos lentos para cima e para baixo. Mas ele continuou a pressionar a cabeça dela, dando-lhe a entender o que queria... Relutantemente, ela pôs o falo dele dentro da boca, começando a tornear a sua língua em volta dele, acariciando a sua glande lentamente... Ele recomeçou a gemer, agarrado à cabeça dela, soltando um "que bom..." ocasional, no meio das sensações que o percorriam. O controlo não era algo a que ele estivesse habituado, e sem dar conta o facto de estar a segurar-lhe a cabeça levava já a que estivesse a penetrar a boca dela, com movimentos de entrar e sair rápidos, que a deixavam quase sem possibilidade de fazer o que quer que fosse... Acabou por parar, pois sentia perigosamente perto a tentação de sucumbir ao orgasmo.

Ele despiu-lhe as calças ainda mais depressa do que ela tinha feito a ele, e fê-la deitar-se na cama, pondo-se ao lado dela... Enquanto os seus dentes mordiscavam o pescoço dela e os seus mamilos, os dedos dele começaram a insinuar-se no sexo dela, primeiro acariciando-lhe o clitóris lentamente, com alguma pressão, em movimentos circulares... mas logo desceu um pouco mais e o dedo médio começou a penetrá-la, acariciando a parte superior do interior do seu sexo, com alguma brusquidão... Depois foi o indicador que também entrou dentro dela, enquanto ela se torcia já de prazer, a respiração superficial e o coração acelerado, enquanto os seus movimentos pareciam fazer com que os dedos fossem ainda mais profundamente dentro dela, com ainda mais força... O orgasmo chegou em ondas que não conseguia nem queria controlar, espasmos que lhe arrancaram gemidos surdos, que ele incentivou com sussurros lúbricos aos seus ouvidos, que ainda a arrepiavam e faziam arquejar mais... Mas ele estava já a ficar farto, a ficar ansioso, a querer o seu prazer há tanto tempo negado... Pôs-se em cima dela, agarrando-lhe os pulsos por cima da cabeça, beijando-a da forma violenta de há momentos... deitou-se sobre ela, roçando-se contra o seu corpo. De debaixo do colchão retirou o par de algemas que tinha guardado e algemou-a à cama, ficando livre para poder desfrutar do corpo dela... Pegou nas pernas dela e empurrou-as contra o peito dela, pondo-se depois em posição de a penetrar... um olhar para os olhos dela e o receio semi-estampado neles apenas o incentivou ainda mais, acicatando-lhe o desejo... A penetração foi violenta, brusca e repentina, e ela fechou os olhos com o súbito lampejo de dor, mas em breve os movimentos vigorosos do sexo dele a entrar dentro do seu, rápida e brutalmente, a fizeram esquecer isso... Estava presa, não poderia fazer nada, estava à mercê do que ele quisesse fazer. E ele estava a fazer exactamente o que queria, mas ao mesmo tempo o que ela também gostava... O orgasmo estava de novo a aproximar-se para ambos... as mãos dela já estavam dormentes, e as algemas cravadas profundamente nos pulsos, com a força que fazia. Ao mesmo tempo, ele gemia, bem alto, arremetendo para dentro de ela o seu sexo duro, à beira do orgasmo... Também ela perdia já o controlo, alternando os seus gemidos com pedidos de "fode-me" ditos a meia voz, mas que o faziam prosseguir sem apelo nem agravo, entrando e saindo dentro dela...

Até que a explosão se deu, simultaneamente, nos dois corpos, levando-os ambos a gemer um para o outro, a agarrarem-se furiosamente aos beijos, enquanto o esperma saía de dentro dele para ela, enquanto os estertores do orgasmo fustigavam os corpos de ambos...

domingo, dezembro 18, 2005

"Pena que Sangra"



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Agradeço reacções!

Prometeu

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Por vezes

Por vezes, há algo que se quebra. Algo que se parte dentro de mim, algo que não consigo controlar e que liberta tudo. Memórias. Pesadelos. Sofrimento.

Por vezes, a liberdade é uma espécie de luz demasiado brilhante, que me ofusca, que me faz perder a mim próprio, quer queira, quer não. E então todas as referências, todas as coisas que indicam o alto e o baixo se trocam, ou desaparecem. E eu desapareço com elas, porque alguém sem nenhum rumo, sem nenhuma forma de perceber o que o rodeia não é ninguém a não ser um amontoado de ideias.

A sensação de não sentir (quase) nada, nem que durante alguns momentos, é aterrorizante, quando depois se olha para ela. Surge mais um medo, mais um receio de não ser digno, de não estar à altura, de não saber sentir. Porque, supostamente, quem sente, sente sempre, não é? Sente furiosamente a todos os momentos, transborda de sentimentos e funde-os numa coisa bem estranha a que normalmente se chama personalidade.

Mas o momento de não sentir, que acontece por vezes, é algo de estranho. A queda livre é uma sensação que quase parece querer fazer acreditar que não existe gravidade, apesar de ser ela que provoca a queda. Por momentos, voa-se na queda; a queda é libertação. E tudo o que fica para cima de nós pesa apenas quando depois cairmos em cima do vazio que espera no centro da dor. Nesse sítio que nos transforma em seres estranhos, que nos transforma em algo bestial. Quão perto, por vezes, estou desse cerne de pura incompreensibilidade.

Há alguém, há um anjo, há uma deusa da Aurora que me salva, sempre, dessas quedas que acontecem por vezes. Mas, ainda assim, a queda existe. O caminho para cima é longo e árduo, por muito que se tenha auxílio. Há coisas que temos que escalar sozinhos. Há muros que temos que transpor sozinhos.

E outros que não podem ser transpostos. Quem não sente, não é. Limita-se a estar. Quando recebemos golpes, eles demoram a cicatrizar... mas ficar insensível não é a resposta. Se sei que existe algo que me espera no cume, labutarei até o atingir. Só que escorregar é inevitável, e os abismos chamam pelo meu sangue, dia e noite.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Um pensamento

O cativeiro próprio das almas é a negação do sofrimento.

Assim sendo, quanto mais negares a verdade inelutável do teu sofrimento, mais depressa te libertas do cativeiro, a razão última do verdadeiro sofrer.

Depois, ao conseguires enfrentar e solucionar as razões dos teus sofreres iniciais, terás um pouco de paz... Mas não temas a insatisfação da inacção: o ser humano é viciado em sofrimento!