<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445</id><updated>2011-04-21T21:52:06.065+01:00</updated><title type='text'>Esparsos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>92</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-116692986414895171</id><published>2006-12-24T03:02:00.000Z</published><updated>2006-12-24T03:12:17.183Z</updated><title type='text'>Cisão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei para ti, através do espelho que estava perante ambos. Olhei para mim em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendi a semelhança entre o teu corpo, delineado e rico, luxuriante de curvas torneadas a luz e beleza, e o meu, fraco e capaz apenas de absorver a luminosidade em seu redor. O oposto de ti. Cravei a minha concentração em tudo e em nada ao mesmo tempo. A divisão começou a andar à roda. Eu divido-me de ti, divido-me contigo, misturo-me, separo-me. Perco-me infinitamente dentro desse espaço confinado a mim. Sei que não vives ensimesmada, que me lanças por cada poro aquilo de que necessito para viver. Mas sei que sem saber parar, vou consumir-te. Para sempre, porque esse acto singular não implica a renovação constante da luz que agora desmaia pelo decote do teu vestido e se perde entre os teus seios aconchegados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há a convicção que tudo pode ser resolvido, não há? Mas este espelho, este espelho em que ambos confiamos, diz-nos o contrário. Diz-nos que há uma diferença entre sentir e saber, entre querer e ter. Quero-te, mas não tenho a tua luz, não sou igual ou sequer semelhante a ti, capaz de compartilhar das mesmas emoções, dos mesmos sentimentos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sopro-te um beijo pelo ar, através do reflexo no espelho, e mudo de canal na televisão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-116692986414895171?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/116692986414895171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=116692986414895171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116692986414895171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116692986414895171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2006/12/ciso.html' title='Cisão'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-116649420935233301</id><published>2006-12-19T02:04:00.000Z</published><updated>2006-12-19T02:10:09.433Z</updated><title type='text'>Reflexo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Catarina sentia-se aturdida com o que sentira. Estava em choque ainda, não conseguia perceber porque é que tudo o que ela sempre quisera se tinha materializado em frente aos seus olhos e ela tinha rejeitado, fugido mesmo. Não fazia sentido. Medo? Sim, talvez. Medo do desconhecido, medo de experimentar algo novo, algo com que sempre sonhara, desde pequena. Mas não era apenas medo; não podia ser só esse sentimento, que ela tanto desprezava, que tinha guiado as suas acções, os seus passos para longe do que desejava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não, havia ali um componente mais, havia ali uma expectativa que poderia sair frustrada, e ela não aguentaria ver as ilusões de tantos anos transformarem-se em nada de um momento para o outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Fechou os olhos, enquanto estava sentada frente a uma televisão onde apenas passavam as imagens, e reviveu pela milionésima vez aquilo que tinha acontecido. Depois de muita insistência por parte dele, finalmente acedera a ir lá a casa, para a conhecer por dentro... Sim, é claro que ela sabia o que ele tinha em mente, mas também ela tinha o mesmo em mente. Só não quis que isso fosse demasiado... óbvio para ele. Queria continuar a alimentar a sua fome; o seu desejo de a ter fazia-o agir de uma maneira que lhe agradava... muito. Catarina não queria que fosse apenas um contacto breve e sem sentido, queria também fazer algo que honrasse aquilo que ambos sentiam, que celebrasse esse sentimento, como tantas vezes tinha visto nos filmes dessa mesma televisão que estava agora muda, ou como tinha lido nos livros que ganhavam pó nas prateleiras – tanto as da sua mente como as da sua casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ela subira com ele os degraus até ao primeiro andar, entrando pela porta esquerda, para a casa dele. A penumbra em que o &lt;i&gt;hall&lt;/i&gt; estava mergulhado foi desde logo cortada por um clique plástico – o som dele a acender o interruptor. Também nessa altura fechara os olhos, mas para tentar sentir alguma da interioridade dele naquele espaço pessoal. Tentava detectar algum odor da vivência dele naquela casa, algo particular, que ajudasse a recordá-lo quando estavam longe e sem possibilidades de se verem, algo que pudesse funcionar como um toque, como uma carícia dentro do etéreo mundo das recordações que tão vivamente despertavam no seu espírito de vez em quando, ameaçando arrancar-lhe toda a ligação com a realidade do presente. Ele disse-lhe que era bem vinda naquele seu espaço, e mostrou-lhe o resto da casa de relance.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Com a mente perdida em considerações (e em contemplações do homem que estava ali, tão perto dela e tão longe de uma carícia mais manifestamente ousada) Catarina foi seguindo o fio da conversa, auxiliada pelo copo de vinho branco que lhe tinha sido servido. O seu odor forte e o seu sabor intenso, que não deixavam de provocar uma certa aspereza ao passar pela garganta dela, serviam, mais do que a ingestão da própria bebida, para a inebriar. Parecia que os seus olhos, por muito que ela tentasse, ficavam presos numa posição tal que apenas conseguiam ver os olhos dele, o seu castanho quase vulgar mas com um toque de subtileza que se notava pelo vestígio da cor da noite profunda pontilhada aqui e ali. E depois, muito depois, é que deslizavam pelo rosto, passavam pelos lábios acetinados, pela barba já a despontar novamente por ter sido feita demasiado cedo, pelo maxilar forte e definido, cujas linhas lhe apascentavam a contemplação até ao pescoço... Aquele pescoço não era excessivamente grosso, como vira tantas vezes, mas tinha algumas particularidades muito interessantes. Quando Catarina olhara para ele uma primeira vez, tinha visto apenas um pescoço, uma zona onde poderia divertir-se a provocá-lo com beijos, com leves dentadas de intensidade variável... Mas agora via a maçã de adão saliente, saltitando para cima e para baixo consoante aquela voz grave se escapava por entre os seus lábios, qual água que lavava dos seus sentidos a poeira e a normalidade do dia-a-dia. Via a veia saliente que ia alimentar de férreo quente sangue o sequioso cérebro de onde surgiam sedutoras ideias de sentimentos despertos por ela; o sangue que aquecia o seu corpo era o sangue que aquecia a sua paixão por ela, e era por ele, veículo de vida que bombeava em todo o seu corpo, em toda a sua energia esfuziante, que ela queria conhecer os doces estertores do prazer final, do prazer total que iria consumir a sua consciência de si num momento de fusão absoluta ou de dispersão total, de uma ausência de ser que só se concretizaria no momento em que as vibrações consonantes de ambos os corpos se encontrassem num ponto para além da experiência passível de ser pensada na totalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele não via o ar absorto dela ou, se o via, confundia-o com aborrecimento, deixava-o mais nervoso, mais ansioso por agradar, mais desejoso dela e também mais temeroso pela possibilidade de falhar. De falhar em todos os aspectos que ela esperara dele, e que ele mesmo esperara poder dar de si, poder dar para si e para si-como-ela. Assim, a surpresa dele foi grande quando ela se levantou – deu-se esse momento horrível em que ele viu, de uma maneira que só o medo em toda a sua plenitude inspira, Catarina a levantar-se e a sair – e o beijou em cheiro nos lábios. O travo do vinho que ela bebera, apesar de ser igual ao que ele mesmo tinha no copo, penetrou-lhe fortemente na boca, inspirando-o a retribuir sem pensar em mais nada. A língua dela entrava pela sua boca, escorregadia, e parecia querer fugir aos contactos que ele tentava fazer com a sua própria língua, parecia querer evitar a sua extremidade, acariciando para isso o céu da boca, ou fugindo para fora da boca dele, tocando apenas e ao de leve os seus lábios, ou a parte que não estava completamente entregue ao beijo, à doçura e voluptuosidade dos lábios dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele fê-la sentar-se ao seu colo, de lado, continuando os beijos e complementando-os com carícias a todo o comprimento da coluna dela, ou fazendo as suas mãos entrar por entre a abundante e rica cabeleira ruiva dela. As mãos dela enrolavam-se à volta do pescoço dele, afagando-lhe também as orelhas e as faces, sentindo a aspereza da já não perfeitamente escanhoada pele, enquanto que o desejo de ambos crescia. Por dentro, Catarina começava a sentir uma espécie de leveza, como se toda ela fosse feita de um qualquer volátil componente que, com a paixão a aquecer ambos os corpos, se tivesse transformado em pura essência à deriva dentro de si mesma, ou para fora de si, por cada poro e reentrância do seu corpo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;As acções conduziam-se sozinhas, as vontades conscientes suspensas por um desejo maior do que o controlo da convivência quase plastificada entre duas pessoas que, querendo, não podem tocar o mais profundo da outra. Ele encaminhou-a para o quarto dele, onde de pé continuaram a beijar-se, com uma intensidade crescente, com beijos cada vez mais profundos, mais demorados e mais ousados, em que o que sentiam se exprimia a cada suspiro que deixavam escapar, ou a cada pequena mordidela afectuosa que infligiam um ao outro. A ansiedade era apenas a do início, pois subitamente ambos pareciam ter deixado qualquer pretensão a ter pressa ou a querer apressar o que quer que fosse. Existia apenas o momento, o momento das carícias e do conforto que podiam proporcionar um ao outro através da união dos seus corpos, através das suas vontades como seres de desejo intenso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O contacto foi repentinamente quebrado quando ela se afastou dele e o olhou selvaticamente, com um fogo nos olhos que parecia ser capaz de engolir tudo o que estava à sua volta, especialmente o homem inflamado de desejo que esperava ardentemente para ver qual seria a próxima decisão dela, perdido que estava entre as hesitações de outrora e o desembargado desejo com que o brindava, minando-lhe as noções do que esperar daquela noite. Enquanto ela o contemplava, os seus lábios moveram-se quase imperceptivelmente, e uma palavra foi sussurrada tão levemente que ele não soube se a ouviu ou se apenas a leu no movimento intenso e quente da boca. Mas a intenção foi clara e o sorriso lúbrico que ela fez em seguida vieram tirar quaisquer possíveis dúvidas; os seus lábios tinham formado a palavra “despe”. Sem referências ao quê, sem saber se ela queria que ele se despisse &lt;i&gt;todo&lt;/i&gt;, ou apenas uma parte da roupa, para poder divertir-se a contemplar... Tentou fazer um ar inquisitivo, para dar a entender que queria que ela fosse mais específica mas, como resposta, recebeu apenas um sorriso ainda mais rasgado, demonstração da aprovação dela pela sua confusão. Catarina estava a agir de uma maneira que ele nunca poderia ter previsto; nunca teria sonhado que a timidez dela, uma das partes que, ao fazer com que ela resistisse a todos os seus avanços, apenas a tornara ainda mais desejável e apetecida, pudesse por detrás esconder uma tão grande demonstração de vontade de prazer, de um certo requinte que ia para além da simplicidade animal do mero acto cru e simples, rápido e mais preocupado em ser eficaz do que agradável para os sentidos... O que ele temera estava daquela forma a ser desmistificado, ele via sorrir-lhe a Fortuna, e nada no momento o poderia ter deixado tão contente. Só tinha a ganhar; alinhou na brincadeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Lentamente, olhando-a sempre nos olhos para manter a força e a intensidade da intenção dela, ele começou a despir a camisa. O olhar aprovador dela incentivou-o a continuar; botão a botão o seu peito começou a poder entrever-se. Os peitorais não estavam muito bem definidos, os mamilos, pequenos e escuros, estavam arrepiados e duros, denotando o prazer que ele sentia na pequena brincadeira. O seu ventre liso não era parte de nenhum arquétipo de beleza, apenas apelava a Catarina pelo seu lado menos agressivo e dominador. O tecido de azul profundo caiu aos seus pés quando desabotoou os punhos, e ela olhou aprovadoramente para o torso dele, como se estivesse a avaliar algo que ela mesma tinha feito com as suas próprias mãos. Com o indicador da mão direita, Catarina traçou nele uma linha que partia desde a base do pescoço até à linha da cintura das calças, procurando de todas as formas conseguir excitá-lo, provocar-lhe um desejo tal que ele fosse incapaz de resistir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele lançou as mãos em direcção à blusa que Catarina tinha vestida, como se para a despir; ela agarrou-lhe os pulsos, prendendo-o e fazendo com a cabeça um gesto negativo, mas ao mesmo tempo provocatório, para que entendesse que quem estava ali a controlar a situação era ela. Depois de lhe beliscar um dos mamilos, Catarina subiu para cima da cama dele... Já tendo tirando antes os sapatos, ela deitou-se em cima da cama. Foi aí que algo confundiu Catarina, que sempre se tinha esforçado para ser uma rapariga completamente honesta e cumpridora de um certo tipo de decência que julgava partilhada por todas as pessoas – estes dois desejos (cumprir ou não cumprir), ao não poderem coincidir presencialmente numa mesma forma de agir, agiam como sendo quase duas pessoas diferentes, duas partes de Catarina que ela desejava sempre manter controladas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Lentamente, começou a desapertar o fecho da saia, enquanto fazia com as pernas movimentos provocatórios em direcção a ele. A saia deslizou para longe, empurrada pelas mãos dela, e agora ele podia ver as pernas alvas, bem torneadas, que pareciam convidar a carícias, e as cuecas negras, com aplicações de renda, quase transparentes, quase deixando antever o objecto do seu desejo. Ela passou as mãos por entre as coxas, e com um movimento suave acariciou o seu sexo já ardentemente desejoso de carícias mais profundas, de outras mãos que não as suas. Ele avançou para a beira da cama, perpendicularmente a ela, e ela esticou a mão, acariciando-lhe o sexo por cima das calças, sentindo a sua dureza sedutora e que a faziam querer suspender o jogo, eliminá-lo de todo... Ele semicerrou os olhos numa expressão de antecipação do prazer, mas ela não se demorou nas carícias, preferiu continuar a tocar as suas próprias pernas, arrastando depois os movimentos para o ventre, subindo por dentro da blusa e por cima dos seios, voltando para baixo muito lentamente. Prendeu os dedos em volta das cuecas e começou a baixá-las, mas parou antes sequer de ele conseguir vislumbrar algo mais que um pouco de pele. Por sua vez, ele desapertou as calças e tirou-as desajeitadamente, quase perdendo o equilíbrio; através dos &lt;i&gt;boxers&lt;/i&gt; ela viu o volume altaneiro e poderoso do seu sexo, imaginando-o dentro de si, a preenchê-la. Ela queria-o, mas queria fazê-lo esperar. As pernas bem definidas dele mostravam que o seu trabalho exigia um constante movimento; ela pensou que isso seria sem dúvida útil quando chegasse a altura de a penetrar – poderia sem dúvida aguentar bastante. A blusa que tinha quase misteriosamente desaparecera, ela tinha-a tirado sem disso ter tido consciência. O seu &lt;i&gt;soutien&lt;/i&gt; era realmente revelador, o tecido mostrava a pele engorgitada dos mamilos já duros. Ele olhou fixamente para o corpo ardente que desejava possuir, o seu sexo latejava como se fosse explodir de prazer mesmo antes de ela lhe tocar realmente, mesmo sem o orgasmo irromper para fora dele. Algo nela atraía o olhar dele como nunca antes, uma aura que não conseguia definir prendia-o aos hábitos pouco corriqueiros de Catarina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele ajoelhou-se em cima da cama, ao lado dela. Catarina baixou a parte da frente dos elásticos e justos &lt;i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;boxers&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; dele e o seu sexo ficou a descoberto. Com um dedo, percorreu-o em todo o comprimento, de cima para baixo, na parte inferior, terminando com uma leve carícia ao seu escroto, tudo ligeiros toques que o fizeram exalar fortemente, com o prazer potencial à espera de libertação. Os &lt;i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;boxers&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; voltaram ao sítio e ela agarrou na mão dele, conduzindo-a por entre os seus seios, através da planície do seu ventre e por dentro das suas cuecas. Quando o dedo dele chegou à separação entre os grandes lábios dela, perpassou-lhe um sorriso pelos lábios, e a sua atenção aumentou no desejo de a fazer sentir prazer, muito prazer... O dedo tocou na mais sensível zona dela, mas a mão de Catarina guiou-o para mais longe, mais para baixo; entre os seus pequenos lábios ele conseguia sentir os fluídos dela, a marca do seu prazer a auxiliar o dedo a percorrer o sexo dela, a ponta do dedo médio a aflorar a entrada dos seu sexo e, por fim, a penetrá-la lentamente, o ritmo sempre guiado por ela, que firmemente agarrava o pulso. Depois, puxou-lhe gentilmente a mão para fora das cuecas. O olhar dele ficou confuso de novo, ele sabia que ela ainda não tinha sentido verdadeiramente prazer – excepção feita ao prazer de estar a provocá-lo... Ele levou o dedo ainda húmido à boca, saboreando-a preliminarmente. O sabor era ligeiramente ácido, diluído logo pela saliva dele e despertava uma sensação de proximidade que apenas lhe acicatava ainda mais o desejo. Ela olhou-o nos olhos, depois de o ter deixado provar os seus fluídos, e sorriu maliciosamente, tentando ver nele se tinha apreciado a dádiva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Catarina apoiou-se num cotovelo e debruçou-se sobre ele, que de joelhos passava agora a estar deitado, a protuberância do seu falo destacando-se claramente abaixo do seu ventre definido e apenas ligeiramente esculpido. Novamente, ela puxou uma parte dos &lt;i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;boxers&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; dele, mas desta vez prosseguiu, retirando-os pouco a pouco, beijando as pernas conforme descia. Quando finalmente ele se encontrava nu e à sua mercê, regressou. Fez passar as palmas das mãos abertas sobre as pernas dele, até chegar ao seu latejante sexo, que tomou entre as mãos e começou a acariciar docemente, muito lentamente, provocando nele movimentos quase involuntários que tinham como objectivo prolongar a excitação, torná-la mais profunda, mais intensa. Foi então que, subitamente, a boca dela se lançou bruscamente sobre o pénis dele, fazendo-o entrar repentinamente. Assustado, ele teve a ilusão – ou talvez uma ligeira sensação – de dor, que logo se desvaneceu ao sentir a língua de Catarina tornear ao longo do seu quente e encorpado falo, tocando titilantemente os pontos mais erógenos, as zonas que mais o enlouqueciam, como se soubesse desde sempre aquilo que ele mais gostava. A boca dela começou com pequenos movimentos de vai-vem, chupando-o em compassos alternados de rapidez e lentidão que continuamente o frustravam, em ondas de prazer que o deixavam à beira de perder o controlo, mas que logo se afastavam, não deixando por isso de fazer sentir a sua presença. As mãos dele percorriam sem nexo a cabeça dela, deixando cravadas as marcas do que estava a sentir. Os lábios dele contorciam-se, eram mordidos por ele mesmo, querendo porventura sentir ali outro pedaço de corpo ao qual fazer o mesmo; ele ansiava por tocá-la também, por poder também brincar com o corpo dela e fazê-la sofrer um pouco a espera retardada do orgasmo que é negado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ele puxou-a subitamente para cima, passando a mão direita pelo lado do corpo dela, descendo até à base da coluna apenas para depois regressar, com um toque leve e arrepiante, ao sítio onde os colchetes o impediam de contemplar por fim os belos seios de Catarina, de os morder, lamber e chupar, de os mordiscar até ela sentir um pouco de dor, que depois faria contrastar com carícias após carícias orgásmicas e plenas. A sua fome tinha crescido, tal como Catarina pretendera; parecia agora que nada o poderia parar, que os jogos de Catarina o tinham levado para além do limite de resistência, de controlo. Ele queria Catarina, ele queria penetrá-la profundamente, queria saborear com a língua os vários contornos do seu sexo, queria estimular com as suas mãos os pontos mais sensíveis, provocar as sensações mais inacreditáveis. A espera tinha-se acumulado dentro dele e teria que se soltar, &lt;i&gt;ele &lt;/i&gt;tinha que se soltar, tinha que deixar que a besta dentro de si, carnal e desejosa da loucura última, se manifestasse através de si no corpo dela. Porém, Catarina mostrou-se relutante em largar o &lt;i&gt;soutien&lt;/i&gt;, prendendo-o com os braços junto ao corpo. Algo mudou repentinamente, e o olhar dela contraiu-se ao se encontrar com o dele. Ao olhar para o lado, Catarina viu o seu reflexo em cima dele, viu a ponta do falo dele a roçar-lhe ao de leve por entre as pernas, em busca quase involuntária de alguma satisfação antes do momento final e total. Viu o olhar dele num momento transformar-se em algo mais, viu despertar nele uma espécie de poder insuspeito que a queria arrebatar num sem-fim de impactos sensórios puramente irracionais e incontroláveis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Conforme Catarina se lembrava do sucedido, as mãos tinham escorregado para dentro das cuecas, e ela estava agora a masturbar-se agressivamente, um dedo a estimular o clitóris quase até à dor, e dois dedos dentro de si, a simular uma necessidade que não via satisfeita, tocando as cavidades da sua vagina sem sensibilidade aos danos que as unhas estavam a fazer, com os seus fluídos de prazer a facilitar as bruscas arremetidas a que se sujeitava voluntária e lascivamente; os seus sentidos perdiam as referências, estavam entregues apenas às carícias que as mãos lhe podiam dar. Quando se tocava, Catarina afastava-se do mundo, de tudo e de todos, entregava-se ao esquecimento... mas nunca mais a partir dessa vez. Apesar de tudo o que de bom tinha sucedido, queria tirar da cabeça aquela recordação, queria poder apagar o que se tinha passado. Tudo aquilo era para ela incrivelmente excitante, mas queria conseguir livrar-se da recordação última pois, no momento seguinte, estava de pé a agarrar a roupa espalhada pelo chão e pela cama, vestindo-se furiosamente, afastando-se dele, sem responder sequer a uma única pergunta, deixando-o na sua confusão plena, apenas com o reflexo dela mesma em cima dele, do sexo dele a roçar-se na parte interior das coxas dele e das suas mãos insistentemente a procurar devassar os seus seios. Algo do seu antigo ser voltou e assustou-a, algo do passado que mantinha escondido dentro de si; encarar a realidade do acto feriu-a e, mais uma vez, a sua virgindade se manteve de forma frustrante plenamente intacta, gozando dela e da sua fraqueza, mesmo no momento em que os seus dedos lhe davam o doce esquecimento de um orgasmo arrebatador...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-116649420935233301?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/116649420935233301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=116649420935233301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116649420935233301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116649420935233301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2006/12/reflexo.html' title='Reflexo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-116622962574195503</id><published>2006-12-16T00:39:00.000Z</published><updated>2006-12-16T00:40:25.753Z</updated><title type='text'>Metalmente violada</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A tua mão. Senti a tua mão dentro de mim. Dentro da minha cabeça. Dentro do meu cérebro. A tua mão passou pela base do meu pescoço, subiu, arrepiou-me e depois, lentamente, entrou dentro do meu cérebro. As pontas dos teus dedos não se preocuparam com o meu cabelo ou com a minha pele, atravessaram o meu crânio e perderam-se nos meandros das redes neuronais que me amarravam a esta realidade. Tu desfizeste-os e soltaste-me. Pensei que assim, apaixonada, entregue a alguém, teria o que nunca tive. Teria paz. Teria olhos a olharem-me, teria mãos a percorrerem-me o corpo. Finalmente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Só que isso não parou por ai. Depois disso, as tuas mãos saíram rapidamente. Com força. E deixaram fios para trás, fios que ligavam o meu cérebro às tuas mãos, como um bonecreiro. Foi nesse instante que criaste novas redes para mim. Foi nesse instante que me fizeste fazer, sentir e dizer o que eu não faria, sentiria ou diria. Foi nesse momento que deixaste o meu corpo frio, o meu corpo que queria arder de desejo contigo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;E agora, que morri e voltei, cortei as amarras, remeti-te às profundezas da manipulação que tanto adoras, deixando-te de mãos vazias, com apenas o teu corpo para controlarem. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-116622962574195503?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/116622962574195503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=116622962574195503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116622962574195503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116622962574195503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2006/12/metalmente-violada.html' title='Metalmente violada'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-116605546570323980</id><published>2006-12-14T00:07:00.000Z</published><updated>2006-12-14T00:21:21.796Z</updated><title type='text'>Pensamento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A chuva não caía sob uma noite escura; aliás, nem sequer era de noite. O dia de Agosto estava quente e os efeitos do Sol que ainda há pouco estivera no seu pináculo faziam-se sentir. O ar soprava quente, pesado, fazendo ofegar quem o inalava, oprimindo quem por ele fosse atingido. Nem as janelas abertas da casa de Sara conseguiam fazer algo contra isso; ela submetia-se, estando sentada no sofá, apenas com um soutien desportivo e uns shorts justos, um copo de água gelada ao seu lado e a transpiração a acumular-se no seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntava-se como é que alguém poderia adormecer com esse calor; mas Diana ali estava, no quarto ao lado. O gelo no copo de Sara derretia rapidamente, mas mesmo com aquele calor não podia impedir os seus pensamentos. Quando passara pelo quarto dela tivera o impulso de espreitar, olhando para isso através da frincha da porta entreaberta do quarto. Vira-a deitada, os seus membros a ocupar toda a cama, a cabeça de lado, com o cabelo negro a recobrir-lhe parcialmente a expressão de paz. Parecia que nada a podia perturbar, que tudo o que se passava no mundo à sua volta era apenas uma miragem, um mero pensamento sem realidade palpável. As suas pernas desnudas e suavemente contornadas apenas pelo afago do ar de uma ventoinha a um canto do quarto estavam ligeiramente afastadas – Sara conseguiu por um momento entrever o espaço entre elas, as sua lingerie cinzenta e semi-transparente que deixava verdadeiramente à imaginação apenas o mais secreto dos seus lugares. A sua pele pálida permitia que se visse, ao perto, algum do doce e escuro traçado das veias que transportavam nela o líquido da vida; Sara, porém, não se atreveu a entrar, a perturbar o sono de Diana. Afastara-se e fora para a sala. Sentou-se no sofá de novo, mas a televisão não estava a dar nada de interessante, Sara não tinha nada para fazer (ou nada que lhe apetecesse realmente fazer) e estava demasiado calor para ter coragem para sair à rua. Além disso, não tinha nada que quisesse fora daquela casa. Não podia deixar Diana sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Levantou-se para ir ao frigorífico buscar um refresco, porque a água tinha adquirido o sabor estranho do gelo lá dentro derretido. Contornou o sofá e abriu depois na cozinha a porta do frigorífico, aproveitando a frescura que dele emanava enquanto olhava para o seu interior, para decidir o que iria beber. Quando já quase se decidira a beber o sumo de laranja, não deixando ainda de pensar na sua companheira de casa que tinha aceite partilhar a renda e as despesas para mais facilmente suportar a competitividade do mundo dos negócios em que ambas se moviam, debruçou-se para agarrar a garrafa de sumo. Sentiu nesse momento uma mão a meio das costas; assustada, voltou-se para trás – era Diana, ainda com uma cara ensonada, que tinha acordado e que se tinha aproximado tão doce e lentamente que Sara nem a tinha ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, és tu! Que susto... – disse Sara, repentinamente.&lt;br /&gt;-Quem mais querias que fosse?  – riu Diana.&lt;br /&gt;-Não sei... Esquece, estava tão distraída que até me esqueci que estavas aqui! E como estavas a dormir, ainda pior. ...Então, dormiste bem? Como é que tu consegues dormir com este calor, afinal de contas?&lt;br /&gt;-Sei lá... Dormindo! Mas sim, dormi bem. Mais vale estar a dormir e não sentir este calor todo do que andar aqui para trás e para a frente. O que é que vais beber, afinal? Ou estás aí só a aproveitar o fresquinho do frigorífico? – as palavras de Diana fluíam, para Sara, como uma brisa fresca e redentora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara não respondeu, limitou-se a baixar-se para pegar na garrafa de sumo de laranja natural e bebeu directamente dela, lançando a cabeça para trás para beber uma quantidade abundante em cada golada. Por entre os seus lábios, uma pequena gota escorreu para o seu pescoço. Sem que Sara se apercebesse, Diana aproximou-se dela e, com a ponta da língua limpou o pescoço de Sara, subindo até bem perto da boca. Surpresa, Sara parou de beber, mas manteve a garrafa suspensa no mesmo sítio, na sua boca, como se a estivesse a usar como um escudo contra Diana... ou contra a sua própria insegurança. Diana recolheu a língua, saboreando o sumo e o toque da pele de Sara e pôs um braço em torno do pescoço de Sara. Depois beijou-a rapidamente por detrás do lóbulo da orelha e fez a ponta da língua deslizar pela lateral do pescoço abaixo, afastando-se em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sara pousou finalmente a garrafa e olhou para Diana com um olhar inquisidor, confuso, tentando perceber o que se passava. Diana sorriu ao ver a expressão confusa dela, o ar que tanto a enternecia, e passeou os seus olhos pelo corpo dela, enlevada pelas suas curvas, pela delicadeza das suas formas e pela sensualidade de qualquer posição em que Sara estivesse, pelo seu sex appeal inato. Diana avançou novamente, de frente para Sara, e colocou as mãos acima dos seios de Sara, depositando-lhe um beijo leve nos lábios, à espera da reacção dela. Ela não teve qualquer reacção, para além de uma ligeira inflexão dos lábios como resposta ao beijo de Diana. Diana soltou uma pequena e quase inaudível gargalhada perante a reacção dela e a sua língua pressionou depois contra os lábios de Sara, procurando entrar na sua boca. Não encontrou resistência, e ambas se beijaram profunda mas docemente durante o que lhes pareceu uma bendita eternidade de sublime volúpia e prazer. Subitamente, Sara abraçou furiosamente Diana, mantendo o beijo da mesma forma, mas apertando-a entre os seus braços. Diana interrompeu com suavidade o beijo, olhou para Sara directamente nos olhos, com seriedade e colocou as mãos nas faces dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tenhas medo. Por favor, não tenhas medo. Nada vai mudar para pior. Confia em mim, Sara. – uma pequena e silenciosa lágrima escorreu como resposta pela cara de Sara, e ela retomou o beijo, desta feita com mais intensidade, com um maior fogo interior onde a sua consciência se consumia e era obliterada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos de Sara começaram a percorrer aleatoriamente as costas de Diana, descendo por vezes para lhe apalpar as nádegas firmes e cheias que sempre admirara com alguma inveja, que cobiçara para si... Entretanto já as mãos de Diana se tinham insinuado por debaixo da t-shirt larga e arejada de Sara e já estavam a acariciar-lhe os mamilos entre as pontas dos indicadores e dos polegares, apertando-os com alguma brusquidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana fez Sara virar-se de costas para ela e continuou a acariciar-lhe os seios com a mão esquerda enquanto descia pelas costas dela e lhe apertava as nádegas com a outra mão, ponteando isso com algumas palmadas sonoras que faziam com que Sara tivesse algumas reservas. Em cima da mesa estava uma faca que uma delas se tinha esquecido de arrumar, de serrilha. Diana agarrou nela e fez deslizar a parte contrária à da lâmina pelo meio das costas de Sara; agarrou na costura lateral das cuecas dela e, usando a faca, rasgou-a, descobrindo assim o seu sexo. A mão que estava a acariciar os seios desceu também, começando agora a estimular directamente o clitóris. O dedo médio entrava ocasionalmente dentro do sexo de Sara, e a mistura de estímulos alternados estava a deixá-la louca. Então, com o cabo da faca, redondo, e aproveitando os sucos que o sexo de Sara abundantemente deixava escapar, Diana começou a acariciar o ânus de Sara, pressionando o cabo como se a quisesse penetrar com ele, para logo depois abrandar e fazê-lo deslizar para perto da vagina dela. Conforme Sara afastou as pernas para mais facilmente receber as carícias, Diana empurrou o cabo, já ensopado agora nos fluídos de Sara, para dentro da vagina dela, começando a penetrá-la com cada vez mais força. Em Sara, a dor misturava-se com o prazer e, não sabendo exactamente mediante qual dos dois (ou se da conjugação de ambos), um explosivo orgasmo sobreveio-lhe repentinamente, quase sem crescendo de prazer, pela emoção do que estava a fazer, do que lhe estavam a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de se conseguir recompor do prazer que sentira, começou a acariciar o sexo de Diana por cima das suas cuecas, fazendo nada mais senão uma ligeira pressão; entretanto, ao sentir-se acariciada, Diana parou de beijar Sara para lhe morder o pescoço, cravando-lhe os caninos nos tendões e apertando com alguma força, fazendo com que ela sentisse um arrepio que subiu por todo o seu corpo. Diana tirou-lhe a mão de cima do seu sexo de forma brusca, beijou-a na boca agressivamente e, puxando-lhe pelos pulsos, fê-la baixar-se até a cara dela estar ao mesmo nível do seu sexo. Ela mesma puxou as cuecas para baixo, beijando rapidamente a testa de Sara entretanto. Encostou as mãos à parte de trás da cabeça de Sara, e fê-la aproximar-se do seu sexo húmido e desejoso de ser tocado. Sara beijou a sua púbis, acariciando ao mesmo tempo as nádegas de Diana e tocando o ânus dela com a ponta do dedo, de forma provocadora. Depois, ganhando coragem, a sua língua saiu timidamente para ir acariciar o clitóris de Diana, que gemeu aos primeiros toques. Lambendo em movimentos circulares cada vez mais rápidos, e alterando a pressão que fazia, Sara fez Diana aproximar-se cada vez mais da plenitude do orgasmo; conseguia ouvi-la a gemer, e a pressão na sua cabeça aumentava cada vez mais, aproximando-a do cheiro e gosto marcante do sexo depilado de Diana, da sua doçura e calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Os teus dedos... Lá dentro... – suspirou Diana. Correspondentemente, Sara fez deslizar para dentro de Diana dois dedos que a acariciavam com movimentos de vai-vem e à entrada da sua vagina, fazendo com que Diana cravasse as suas unhas na cabeça de Sara, gemendo cada vez mais alto, até atingir finalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha da porta tocou, despertando súbita e violentamente Diana do sonho que estava a ter. Tinha sido Rui, o namorado de Sara. A sua (apenas) companheira de quarto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-116605546570323980?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/116605546570323980/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=116605546570323980' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116605546570323980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/116605546570323980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2006/12/pensamento.html' title='Pensamento'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113503890228742757</id><published>2005-12-20T00:35:00.000Z</published><updated>2005-12-20T00:35:58.806Z</updated><title type='text'>Primeira erotogénese</title><content type='html'>&lt;div id="mb_0"&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;font&gt;&lt;font&gt;            &lt;/span&gt;Era a primeira vez que ela entrava no quarto dele. Um quarto discreto, com móveis em tom castanho escuro e uma cama ao centro. A colcha era branca e contrastava com o absoluto negro, que era a cor do ferro em que a cama era feita... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;font&gt;&lt;font&gt;            &lt;/span&gt;Ele agarrou-a por trás e abraçou-a pela cintura, com os lábios a tocar a parte de trás do seu pescoço. Ela conseguia senti-lo a cheirar profundamente o aroma do seu cabelo. As mãos dele começaram a subir lentamente, a fazer festas ainda por cima da blusa de seda que quase parecia uma segunda pele... até chegar aos seios, onde parou. Agarrou-os docemente, primeiro. Depois, conforme se pôs de lado em relação a ela e a ponta da sua língua começou a lamber o lóbulo da orelha dela, apertou com mais força, procurando o relevo dos mamilos dela, já erectos pela excitação que começava a dominá-la. Ele virou-a bruscamente para ela, e beijou-a furiosamente, as línguas a dançar dentro da boca dela, quase a ameaçar deixá-la sem ar, o olhar dele um misto de desejo e de pura inconsciência. A sua boca largou-a e lançou-se ao pescoço dela, que primeiro afagou com a língua e depois mordeu, apanhando os tendões dela entre os dentes, enviando-lhe arrepios e choques por todo o corpo... Ela agarrou-se a ele e soltou um suspiro. Ele começou a desapertar-lhe a blusa, enquanto ela metia as suas mãos por debaixo da t-shirt dele e lhe cravava as unhas na pele, respondendo às sensações que ele lhe provocava. Quando finalmente ele tirou a camisa, já tinha parado de a morder. De novo a ponta da língua dele estava a acariciar o seu pescoço, mas agora descia já, passando pelo peito, insinuando-se no espaço do decote do &lt;i&gt;soutien&lt;/i&gt;. Com as mãos, baixou ambas as alças, que escorregaram pelos braços dela e que o levaram a puxar o &lt;i&gt;soutien&lt;/i&gt; para baixo com os dentes... Finalmente ali estavam, desnudos, firmes e suculentos... As mãos dele foram atraídas para aqueles pontos, cada uma delas brincando com um dos mamilos duros, apertando, torcendo um pouco... Depois com a boca, mordendo-os, primeiro com pouca força, e depois com um pouco mais, perto do limite em que o prazer é substituído pela dor... Acabou por desapertar os colchetes do &lt;i&gt;soutien&lt;/i&gt; e de o atirar para o chão, indo-se pôr de novo por detrás dela... As mãos pousaram no ventre e começaram a subir, lentamente, até que os seios dela enchiam as mãos dele, e ele os apertava com mais força que o normal...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;font&gt;&lt;font&gt;            &lt;/span&gt;Ele tirou a t-shirt, deixando o seu magro torso à vista, que ela acariciou... Mas o desejo que o olhar dele transmitia não era um de ternura... empurrou-a de costas contra a cama, fazendo-a deitar-se. Ajoelhou-se por cima dela, e uma das mãos acariciou o joelho dela, subindo depois para a coxa e, por fim, para o sexo, ainda preso dentro das calças justas que ela tinha. As carícias profundas tiveram como efeito o aumento do desejo dela... A respiração acelerada, a forma como, por um momento, os olhos se reviraram... tudo isso apenas deixou uma vontade ainda maior nele de prosseguir, de a tomar para si. Os botões das calças dele deixaram de ser empecilho poucos segundos depois, conforme ela os desabotoou e lhe puxou as calças para baixo, revelando o relevo do seu sexo erecto por debaixo dos &lt;i&gt;boxers&lt;/i&gt;. Ele pôs-se de pé para tirar as calças completamente, e ela aproveitou para se sentar, e para fazer deslizar as mãos desde os joelhos dele até ao seu sexo, acariciando-o levemente com a ponta dos dedos, para cima e para baixo... Ele gemeu, mostrando o seu agrado, e agarrou a cabeça dela, levando-a a encostar a cara aos &lt;i&gt;boxers&lt;/i&gt;, que ela se apressou a puxar para baixo... O sexo dele estava à vista, entumescido, e ela pegou-lhe com a mão direita, fazendo movimentos lentos para cima e para baixo. Mas ele continuou a pressionar a cabeça dela, dando-lhe a entender o que queria... Relutantemente, ela pôs o falo dele dentro da boca, começando a tornear a sua língua em volta dele, acariciando a sua glande lentamente... Ele recomeçou a gemer, agarrado à cabeça dela, soltando um "que bom..." ocasional, no meio das sensações que o percorriam. O controlo não era algo a que ele estivesse habituado, e sem dar conta o facto de estar a segurar-lhe a cabeça levava já a que estivesse a penetrar a boca dela, com movimentos de entrar e sair rápidos, que a deixavam quase sem possibilidade de fazer o que quer que fosse... Acabou por parar, pois sentia perigosamente perto a tentação de sucumbir ao orgasmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;font&gt;&lt;font&gt;            &lt;/span&gt;Ele despiu-lhe as calças ainda mais depressa do que ela tinha feito a ele, e fê-la deitar-se na cama, pondo-se ao lado dela... Enquanto os seus dentes mordiscavam o pescoço dela e os seus mamilos, os dedos dele começaram a insinuar-se no sexo dela, primeiro acariciando-lhe o clitóris lentamente, com alguma pressão, em movimentos circulares... mas logo desceu um pouco mais e o dedo médio começou a penetrá-la, acariciando a parte superior do interior do seu sexo, com alguma brusquidão... Depois foi o indicador que também entrou dentro dela, enquanto ela se torcia já de prazer, a respiração superficial e o coração acelerado, enquanto os seus movimentos pareciam fazer com que os dedos fossem ainda mais profundamente dentro dela, com ainda mais força... O orgasmo chegou em ondas que não conseguia nem queria controlar, espasmos que lhe arrancaram gemidos surdos, que ele incentivou com sussurros lúbricos aos seus ouvidos, que ainda a arrepiavam e faziam arquejar mais... Mas ele estava já a ficar farto, a ficar ansioso, a querer o seu prazer há tanto tempo negado... Pôs-se em cima dela, agarrando-lhe os pulsos por cima da cabeça, beijando-a da forma violenta de há momentos... deitou-se sobre ela, roçando-se contra o seu corpo. De debaixo do colchão retirou o par de algemas que tinha guardado e algemou-a à cama, ficando livre para poder desfrutar do corpo dela... Pegou nas pernas dela e empurrou-as contra o peito dela, pondo-se depois em posição de a penetrar... um olhar para os olhos dela e o receio semi-estampado neles apenas o incentivou ainda mais, acicatando-lhe o desejo... A penetração foi violenta, brusca e repentina, e ela fechou os olhos com o súbito lampejo de dor, mas em breve os movimentos vigorosos do sexo dele a entrar dentro do seu, rápida e brutalmente, a fizeram esquecer isso... Estava presa, não poderia fazer nada, estava à mercê do que ele quisesse fazer. E ele estava a fazer exactamente o que queria, mas ao mesmo tempo o que ela também gostava... O orgasmo estava de novo a aproximar-se para ambos... as mãos dela já estavam dormentes, e as algemas cravadas profundamente nos pulsos, com a força que fazia. Ao mesmo tempo, ele gemia, bem alto, arremetendo para dentro de ela o seu sexo duro, à beira do orgasmo... Também ela perdia já o controlo, alternando os seus gemidos com pedidos de "fode-me" ditos a meia voz, mas que o faziam prosseguir sem apelo nem agravo, entrando e saindo dentro dela...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-family: lucida grande;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p  style="text-align: justify;font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;font&gt;&lt;font&gt;            &lt;/span&gt;Até que a explosão se deu, simultaneamente, nos dois corpos, levando-os ambos a gemer um para o outro, a agarrarem-se furiosamente aos beijos, enquanto o esperma saía de dentro dele para ela, enquanto os estertores do orgasmo fustigavam os corpos de ambos...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113503890228742757?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113503890228742757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113503890228742757' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113503890228742757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113503890228742757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/12/primeira-erotognese.html' title='Primeira erotogénese'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113252982239463981</id><published>2005-12-18T22:19:00.000Z</published><updated>2005-12-18T22:20:27.980Z</updated><title type='text'>"Pena que Sangra"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/img/156/2950/1024/File0001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://photos1.blogger.com/img/156/2950/1024/File0001.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O livro que escrevi já pode agora ser encomendado na FNAC&lt;/span&gt;. Tanto indo a uma loja, como através da internet. Por favor consultem &lt;a href="http://www.fnac.pt/produto.aspx?catalogo=livros&amp;categoria=poesia&amp;amp;produto=9789896170240"&gt;este link&lt;/a&gt;. O preço é de 14,18€.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço reacções!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometeu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113252982239463981?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113252982239463981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113252982239463981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113252982239463981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113252982239463981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/12/pena-que-sangra.html' title='&quot;Pena que Sangra&quot;'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113477529958903364</id><published>2005-12-16T23:08:00.000Z</published><updated>2005-12-16T23:26:51.406Z</updated><title type='text'>Por vezes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por vezes, há algo que se quebra. Algo que se parte dentro de mim, algo que não consigo controlar e que liberta tudo. Memórias. Pesadelos. Sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, a liberdade é uma espécie de luz demasiado brilhante, que me ofusca, que me faz perder a mim próprio, quer queira, quer não. E então todas as referências, todas as coisas que indicam o alto e o baixo se trocam, ou desaparecem. E eu desapareço com elas, porque alguém sem nenhum rumo, sem nenhuma forma de perceber o que o rodeia não é ninguém a não ser um amontoado de ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de não sentir (quase) nada, nem que durante alguns momentos, é aterrorizante, quando depois se olha para ela. Surge mais um medo, mais um receio de não ser digno, de não estar à altura, de não saber sentir. Porque, supostamente, quem sente, sente sempre, não é? Sente furiosamente a todos os momentos, transborda de sentimentos e funde-os numa coisa bem estranha a que normalmente se chama personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o momento de não sentir, que acontece por vezes, é algo de estranho. A queda livre é uma sensação que quase parece querer fazer acreditar que não existe gravidade, apesar de ser ela que provoca a queda. Por momentos, voa-se na queda; a queda é libertação. E tudo o que fica para cima de nós pesa apenas quando depois cairmos em cima do vazio que espera no centro da dor. Nesse sítio que nos transforma em seres estranhos, que nos transforma em algo bestial. Quão perto, por vezes, estou desse cerne de pura incompreensibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguém, há um anjo, há uma deusa da Aurora que me salva, sempre, dessas quedas que acontecem por vezes. Mas, ainda assim, a queda existe. O caminho para cima é longo e árduo, por muito que se tenha auxílio. Há coisas que temos que escalar sozinhos. Há muros que temos que transpor sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outros que não podem ser transpostos. Quem não sente, não é. Limita-se a estar. Quando recebemos golpes, eles demoram a cicatrizar... mas ficar insensível não é a resposta. Se sei que existe algo que me espera no cume, labutarei até o atingir. Só que escorregar é inevitável, e os abismos chamam pelo meu sangue, dia e noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113477529958903364?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113477529958903364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113477529958903364' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113477529958903364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113477529958903364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/12/por-vezes.html' title='Por vezes'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113404663669168054</id><published>2005-12-08T12:52:00.000Z</published><updated>2005-12-08T12:57:16.710Z</updated><title type='text'>Um pensamento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O cativeiro próprio das almas é a negação do sofrimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, quanto mais negares a verdade inelutável do teu sofrimento, mais depressa te libertas do cativeiro, a razão última do verdadeiro sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, ao conseguires enfrentar e solucionar as razões dos teus sofreres iniciais, terás um pouco de paz... Mas não temas a insatisfação da inacção: o ser humano é viciado em sofrimento!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113404663669168054?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113404663669168054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113404663669168054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113404663669168054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113404663669168054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/12/um-pensamento.html' title='Um pensamento'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113279342162333217</id><published>2005-11-24T00:51:00.000Z</published><updated>2005-11-24T00:54:38.060Z</updated><title type='text'>Frio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frio. Concentração num só ponto de uma medida absoluta de desespero, de falta de alma, de distância de tudo o que poderia rodear alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frio. A queda dentro do abismo, o arrefecimento da alma, a tortura tremelicante e espasmódica que força todos às torções inevitáveis de tortura do afastamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frio. O sangue congela, coagula e entope as veias, vias de alma líquida tornadas veios de gelo... gelo frio, cortante, frágil e pronto a ser quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo cessa no frio. Tudo se congela para uma fotografia indestrutível de um singelo momento irrepetível, em que o frio se adensa e comprime contra si a matéria de que é feita a vida. Depois de se sentir aquele inicial arrepio que percorre o corpo sem pedir permissão, perde-se a vontade e o controlo sobre o ser que se pode até ser... quando se é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio é a ausência de movimento, a ausência de momentos que valham a pena recordar. É a ausência do toque que deveria representar o fim do frio, é a fuga da realidade para longe de um ponto de vista sem ponto de fuga. É toda uma manta de gelo de vozes e recordações que fazem congelar o próprio ar, que congelam as emoções até ao penúltimo grau, mas que deixam a sensibilidade ao frio. A criatura que se submete ao frio fica frágil. Fraqueja a cada arfada de ar, a cada rebolar de olhos, e nem os lábios pode humedecer. Estagna, pára, deixa de sentir o tempo na mesma proporção, e nem a luz do Sol rompe as névoas negras que se agregam para uma condenação omnipresente, constante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no fim, o último estertor marca o último suspiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113279342162333217?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113279342162333217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113279342162333217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113279342162333217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113279342162333217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/11/frio.html' title='Frio'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113252895576602486</id><published>2005-11-20T23:16:00.000Z</published><updated>2005-11-20T23:22:35.786Z</updated><title type='text'>No silêncio...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No silêncio negro da noite tudo desaparece numa mancha de sofrimento. O medo de falhar, de não saber amar, torna-se a realidade temida de há anos. Num único momento, numa tentação estranha à vontade, e tudo desmorona, como se feito de areia. Um passo em falso, ou todo um caminho errado? Em que factor se situa a culpa formada, no caminho ou no caminhante? Consigo formular um milhão de perguntas e nem a mim mesmo ofereço uma única resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De toque envenenado, serei eu? O monstro que toca e logo destrói? Uma nova forma de criação aberrante, junção de vários pedaços de (falta de) alma, sem organização nem amor? Como é possível que o mais gentil e doce dos toques se consegue transformar na destruição de longas e afiadas garras que só sabem despedaçar? Sou tão irritantemente mortal! Cometo tantos erros tão frustrantemente fatais! Para mim, para quem se encontra ao meu lado... Sim, é uma espécie de doença que eu tenho, uma maleita que contagia quem está à minha volta. Serei eu também um senhor da ilusão hipócrita, que vende ódio quando o rótulo diz amor? O meu destinho é ferir a cada palavra, a cada acção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no fim, como suportar a dor da derrota, a dor do falhanço?... Da culpa?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Em memória de um dos piores erros da minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113252895576602486?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113252895576602486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113252895576602486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113252895576602486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113252895576602486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/11/no-silncio.html' title='No silêncio...'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113043042873921970</id><published>2005-11-12T22:37:00.000Z</published><updated>2005-11-12T22:36:42.520Z</updated><title type='text'>Será?</title><content type='html'>Consideras o quê? Consideras que todas as tuas considerações serão tomadas em consideração? Consideraste já a possibilidade de as tuas considerações estarem completamente erradas? Tira de dentro do teu bolso uma coisa que te faça realmente feliz: sabes que não consegues, nem que tivesses o mundo lá dentro. Porque a nossa felicidade de ter morre na infelicidade de querer o que não se tem. Mesmo que se tenha o mundo. E, portanto, vivemos para desejar ter o que não temos, não sabendo apreciar o que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje te vi, sem sentidos, perdido na avenida que dá para a compreensão da vida. Estavas perdidamente apaixonado pelas pedras da calçada, e ao olhares para baixo, uma tontura derrubou-te. Até querias continuar, mas faltaram-te as forças; até querias parar um pouco para descansar, mas já não estavas consciente do mundo que girava à tua volta. Ou que &lt;i&gt;parecia&lt;/i&gt; girar à tua volta. Ainda pensei em levantar-te, porque estavas perto da avenida da vida. Só que olhei para ti: as rugas marcadas, o cabelo perdido há muito tempo atrás, os dedos retorcidos e nodosos. Estás velho, reparaste? Estás acabado. Enquanto te olhava, soprou o vento e levou-te o sopro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei agora de nascer e amanhã vou morrer. Não, não é suicídio. É apenas morte. Morte. A Morte. Entretanto, procuro amar quem me ame, sabendo que tanta gente faz o mesmo. Quase toda. Há também quem procure odiar quem os ama, ou quem procure amar-se a si mesmo, convencido que encontra as respostas na prega de pele do seu próprio umbigo. Cá eu, quando uma vez lá fui procurar, apenas percebi que tinha de dar banho ao meu ego... Pode ser que me tenha escapado alguma coisa; eventualmente irei procurar melhor. Agora, com licença, estou a perder-me/encontrar-me no corpo que sustenta o ego que me suporta a mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantas maneiras de ser feliz. &lt;br /&gt;...Será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113043042873921970?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113043042873921970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113043042873921970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113043042873921970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113043042873921970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/11/ser.html' title='Será?'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113164033849339864</id><published>2005-11-10T16:32:00.000Z</published><updated>2005-11-10T16:32:18.523Z</updated><title type='text'>Espelho Negro: Tentação...</title><content type='html'>&lt;a href="http://espelhonegro.blogspot.com/2005/11/tentao.html"&gt;Espelho Negro: Tentação...&lt;/a&gt;: "Tentação...&lt;br /&gt;Tentação... Como lhe resistir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para ti e apetece-me...&lt;br /&gt;Oiço a tua voz e quero...&lt;br /&gt;Vejo o teu sorriso, o teu olhar, e enlouqueço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentação, tentação... Como te resistir?..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho as profundezas da tua alma e suspiro.&lt;br /&gt;Olho as tuas mãos que se dirigem a mim e sustenho a respiração.&lt;br /&gt;Olho os lábios que procuram os meus e sinto algo agitar-se em mim.&lt;br /&gt;Toco um pescoço suavemente belo e belamente suave, sentindo o pulsar discreto dos rios de sangue na profundeza absolutamente carnal desse corpo.&lt;br /&gt;A minha mão percorre, perdida, uma pele conhecida, que se deleita com o toque.&lt;br /&gt;Afinal... para quê resistir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113164033849339864?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113164033849339864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113164033849339864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113164033849339864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113164033849339864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/11/espelho-negro-tentao.html' title='Espelho Negro: Tentação...'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111827289613743220</id><published>2005-10-31T20:22:00.000Z</published><updated>2005-10-31T20:21:18.483Z</updated><title type='text'>Meio</title><content type='html'>Ainda ontem fui um embrião, um feto, uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã serei um velho, corcovado, adoentado, morto e enterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meio foi uma corrida do ponto A para o ponto B. Agora apenas aguarda a eternidade de não ser. Semi-recta intersectada num ponto pela morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111827289613743220?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111827289613743220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111827289613743220' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111827289613743220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111827289613743220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/10/meio.html' title='Meio'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-113042940736530087</id><published>2005-10-27T17:03:00.000+01:00</published><updated>2005-10-27T17:10:07.386+01:00</updated><title type='text'>Silenciosamente</title><content type='html'>Silenciosamente. Silenciosamente, pé ante pé. Silenciosamente, pé ante pé, desço. Desço as escadas, descalço. O meu pé direito toca o primeiro mosaico do chão e habitua-se à temperatura. O pé esquerdo coloca-se um pouco mais à frente, e passa pelo mesmo processo. Ouço um ruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silenciosamente caminho em direcção à sala, as luzes apagadas e os sons desmaiados ao seu redor. Ouço-te a respirar, silenciosamente. E abençoo o silêncio que deixa passar o ruído do teu respirar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-113042940736530087?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/113042940736530087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=113042940736530087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113042940736530087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/113042940736530087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/10/silenciosamente.html' title='Silenciosamente'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-112016745830133984</id><published>2005-06-30T22:36:00.000+01:00</published><updated>2005-06-30T22:37:38.306+01:00</updated><title type='text'>Tira</title><content type='html'>Tira-me a vida, tira-me a morte e deixa-me estar. Fico sem nada, mas também nunca tive algo que me pudesses tirar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-112016745830133984?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/112016745830133984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=112016745830133984' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/112016745830133984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/112016745830133984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/tira.html' title='Tira'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111822175693590578</id><published>2005-06-27T00:51:00.000+01:00</published><updated>2005-06-27T00:51:16.316+01:00</updated><title type='text'>Rótulo da vida</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1. Segmentação da realidade em compartimentos estanques.&lt;br /&gt;2. Tudo segue em embalagens separadas.&lt;br /&gt;3. Garantia de um nanossegundo.&lt;br /&gt;4. Livro de instruções NÃO INCLUÍDO.&lt;br /&gt;5. NÃO existe livro de reclamações.&lt;br /&gt;6. Se tiver problemas, por favor atire-se da ponte mais próxima.&lt;br /&gt;7. Seja AMIGO DO AMBIENTE: vá nu para não poluir o sítio onde se atirar.&lt;br /&gt;8. Não reembolsamos familiares, mas tentamos sempre fazer com que sigam o seu caminho.&lt;br /&gt;9. A aquisição deste produto é vitalícia. (Cf. Linha 6)&lt;br /&gt;10. Todas as despesas a cargo de quem for suficientemente trouxa para as pagar.&lt;br /&gt;11. A linha 2 apenas é válida se o comprovativo de compra for enviado.&lt;br /&gt;12. NÃO dispomos de qualquer contacto possível. (Cf. Linha 11)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Ass.:&lt;br /&gt;Os inventores da vida&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111822175693590578?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111822175693590578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111822175693590578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111822175693590578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111822175693590578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/rtulo-da-vida.html' title='Rótulo da vida'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111740249560564297</id><published>2005-06-22T14:41:00.000+01:00</published><updated>2005-06-22T14:50:41.056+01:00</updated><title type='text'>Solidão, simples</title><content type='html'>Sinto-me sozinho. Sim, eu sei que estás aí. Agora e sempre. Eu consigo sentir-te perto de mim. Mas também consigo sentir a tua ausência. E quando eu sinto a tua ausência, nada mais se torna significante, porque tu chegaste à minha vida para lhe dar significado e, já que nada mais tinha significado, ela fica vazia sem ti por perto. É muito fácil considerar isto como algo perigoso, não te parece? É perigoso depender de uma pessoa, deixar que a nossa sanidade pouse nas mãos dessa pessoa e que ela possa fazer com ela o que quiser. Para além da minha sanidade, dei-te desde logo o meu coração. Tens ambos em teu poder. E não posso dizer que alguma vez me tenha arrependido dessa decisão, e duvido que alguma vez me venha a arrepender. Aliás, eu duvido de tudo quando não estás por perto. Menos de uma coisa. Sim, adivinhaste. Nunca duvidei do meu amor por ti nem do teu amor por mim. Só que mesmo aquelas coisas que são como são e nem podem ser de outra forma têm intensidades diferentes... ou então provocam reacções diferentes, já que todos somos tão diferentes. Eu não costumo chorar de saudades, embora as sinta. Eu não costumo ficar completamente absorvido e num estado de sofrimento completo, embora sinta saudades. E até às vezes todas essas coisas que eu "não costumo" acabam por acontecer comigo. Porque eu sinto. Neste momento sinto-me sozinho. E agora chega aquela parte em que eu invento uma metafora qualquer para a solidão e que serve para maravilhar as pessoas e tornar um sentimento forte ainda mais forte. Só que eu sinto-me cansado de estar aqui a contemplar o nada, sozinho. Pergunto-me porque é que tenho que inventar uma metáfora. Será que às crianças tudo tem que ser decomposto e explicado? Dêem-me vocês as vossas metáforas! Vá, escrevam! Eu fico aqui sozinho, a tentar lutar comigo mesmo e com a inércia que a solidão provoca em mim, e que me transforma num... EU AVISEI QUE NÃO IA USAR METÁFORAS! CHATOS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso isto acaba aqui, aliás, até já vai longo e eu não consigo perceber porque é que as palavras teimam em sair em tais quantidades industriais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111740249560564297?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111740249560564297/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111740249560564297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111740249560564297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111740249560564297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/solido-simples.html' title='Solidão, simples'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111929269183270903</id><published>2005-06-20T19:35:00.000+01:00</published><updated>2005-06-20T19:50:12.226+01:00</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/156/2950/1024/File0001.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/156/2950/400/File0001.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a capa do meu livro, "Pena que Sangra", uma colectânea de poemas meus, da &lt;a href="http://corposeditora.tk"&gt;Corpos Editora&lt;/a&gt;. Estará brevemente disponível no site da FNAC, entre outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111929269183270903?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111929269183270903/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111929269183270903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111929269183270903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111929269183270903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/nota-do-autor_20.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111914210699454002</id><published>2005-06-19T01:47:00.000+01:00</published><updated>2005-06-19T01:48:26.996+01:00</updated><title type='text'>Desespero</title><content type='html'>Atravesso a Travessa do Desespero, vindo da Rua do Receio, e encontro a tua tridimensional sombra a olhar para mim. Onde meteste o teu corpo quente e corpóreo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111914210699454002?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111914210699454002/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111914210699454002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111914210699454002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111914210699454002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/desespero.html' title='Desespero'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111909172284092441</id><published>2005-06-18T11:42:00.000+01:00</published><updated>2005-06-18T11:48:42.843+01:00</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>Para a semana vou lançar um livro de poesia, "Pena que Sangra", através da &lt;a href="http://corposeditora.tk"&gt;Corpos Editora&lt;/a&gt;. Darei mais informações à medida que as tiver, mas para já posso adiantar que a gráfica já terminou a impressão do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em princípio o livro poderá depois ser encontrado através da FNAC, por exemplo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111909172284092441?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111909172284092441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111909172284092441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111909172284092441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111909172284092441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/nota-do-autor_18.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111896703868457946</id><published>2005-06-17T01:09:00.000+01:00</published><updated>2005-06-17T01:10:38.686+01:00</updated><title type='text'>Sede</title><content type='html'>Tenho sede de sangue. Quem ma satisfaz?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111896703868457946?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111896703868457946/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111896703868457946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111896703868457946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111896703868457946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/sede.html' title='Sede'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111730729704927898</id><published>2005-06-14T18:58:00.000+01:00</published><updated>2005-06-14T18:55:22.536+01:00</updated><title type='text'>Distante</title><content type='html'>Porque será que estás tão longe? Eu sei que estás sempre comigo, eu sinto o anjo negro que enviaste para guardar-me na tua ausência, mas cada centímetro que nos separa é um pedaço esticado do cordão entre as nossas almas. Um cordão que, ao ser impossível de destruir, estica cada vez mais, cada vez mais dolorosamente. Só na perfeita união que advém de juntarmos os nossos lábios eu consigo sentir algum alívio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111730729704927898?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111730729704927898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111730729704927898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111730729704927898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111730729704927898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/distante.html' title='Distante'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111668240841063189</id><published>2005-06-12T13:40:00.000+01:00</published><updated>2005-06-12T13:38:21.463+01:00</updated><title type='text'>Tempestade, parte 4</title><content type='html'>Ela estava mesmo à minha frente, na sua singular beleza jovem e intocada, a pele branca e sem quaisquer imperfeições, que logo momentaneamente mudava para uma cara velha e enrugada, para depois tudo isso se desfazer na perfeição de uma pele doce e suave como um pêssego, ou como seda. Ela olhava-me nos olhos e eu parecia ver neles uma súplica que não entendia muito bem. O cheiro que dela emanava era peculiar: parecia que tinha sido mergilhado num mar de rosas, mas, ao mesmo tempo, havia uma sugestão de enxofre que parecia perturbar o meu nariz, sempre muito habituado a cheiros fortes de animais e  de estrume. Ela estendeu a mão e fez-me uma festa no rosto. Decidi-me a aceitar o que tinha que ser feito. O meu braço moveu-se quase como se por vontade própria e os meus dedos fecharam em torno do seu pequeno pescoço. A minha visão agudizou-se e eu sentia o bater do coração dela através das minhas mãos, conseguia sentir uma pequena centelha de medo do pouco de humano que havia nela. O ar começava a escassear nos pulmões dela, mas ela não lutava. Os olhos começaram a fechar-se, e algo se continuava a alterar em mim. Sentia um influxo de poder incrível. O mundo parecia curvar-se perante o peso do que acontecia. As nuvens que ela tinha trazido consigo choraram a morte da sua pastora, descarregando em cima de nós um verdadeiro dilúvio e uma trovoada que parecia ser a própria fúria dos há muito mortos deuses antigos. Zeus ficaria com inveja de tal trabalho de força e luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos raios atingiu-me, e a ela, tentando carbonizar-nos. Mas a aura negra que se tinha conjugado à minha volta, procurando aquele que há muito lhe tinha sido prometido, protegeu-nos e nada nos aconteceu. Ainda assim, o brilho negro que estava à minha volta, impedindo qualquer pessoa ou ser que fosse a conseguir lobrigar quaisquer pormenores sobre a minha figura. Tinha por fim chegado a altura, o poder estava reunido. O meu cavalo levantou-se, agora completamente negro, com músculos exageradamente fortes e salientes. O corpo da rapariguinha tinha-se transfigurado numa espada feita de uma matéria desconhecida, completamente negra, de gumes afiados, larga e comprida. O seu peso, não obstante, era algo que eu quase não sentia. Estava em união com ela, era apenas mais uma parte de mim e era tão natural como qualquer membro do meu corpo. Com um único salto pus-me em cima do meu cavalo, pegando nas rédeas com uma mão e dirigi-me para os outros cavaleiros, que tinham assistido à cena impávidos e imperturbáveis. Falei em pensamento para eles: «O momento é. O momento chegou depois de tanta espera. Será agora, por fim, a noite em que tudo será transformado, em que todas as provações serão recompensadas. O justo equilíbrio chegou. Cavalguemos para o fim!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bramindo a minha espada, e eles elevando aos céus os seus agudos gritos de dor e profanação, lançámo-nos a cavalgar pela planície. Todos desejávamos sangue. A humanidade seria agora a nossa mesa. Este era o fim, o regresso do equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;Nazarene, what can you offer?&lt;br /&gt;Since the hour you vomited forth&lt;br /&gt;from the gaping womb of a woman,&lt;br /&gt;you have done nothing but drown mens' soaring desires in a deluge of&lt;br /&gt;sanctimonious morality.&lt;br /&gt;I was conceived of a jackal.&lt;br /&gt;Your pain on the cross was but a splinter&lt;br /&gt;compared to the agony of my father.&lt;br /&gt;I will drive deeper the thorns into your rancid carcass,&lt;br /&gt;you profaner of Isis.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "&lt;i&gt;Damien&lt;/i&gt;", Iced Earth&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;Fight spawn of the damned, bring down the heavens&lt;br /&gt;Smash in the gates, burn 'em down&lt;br /&gt;You must accept the fate that you've chosen&lt;br /&gt;You will obey your destiny&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "&lt;i&gt;Dark Saga&lt;/i&gt;", Iced Earth&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111668240841063189?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111668240841063189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111668240841063189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111668240841063189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111668240841063189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/tempestade-parte-4.html' title='Tempestade, parte 4'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111834888764166738</id><published>2005-06-09T21:18:00.000+01:00</published><updated>2005-06-09T21:28:07.646+01:00</updated><title type='text'>Mea culpa?</title><content type='html'>Sentado sozinho, perdido no escuro apesar das luzes, sufocado apesar do ar fresco que corre, faço uma intro-retrospectiva e tento perceber aquilo que é a minha vida, aquele pedaço de verdade que em pouco tempo se transformou em toda a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro razões para uma fragilidade, procuro brechas por onde a dúvida ou a falta de sentimento se possam ter infiltrado num espírito habituado a confundir a realidade com a ficção, que dita a si mesmo o que pensar, o que sentir, em todas as ocasiões, e que por isso mesmo se perde na fina linha entre a imaginação ou extrapolação e aquilo que realmente vem do coração. Nada disto está lá. De duro diamante rematado a titânio, o sentimento continua em mim, vivo, forte e brilhante como desde os primeiros momentos - não, mais até do que isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro então analisar situações, comportamentos. Aqui sim, aqui sim vejo o espectro da minha verdadeira face. A incapacidade de perceber, a impotência no ouvir surdo e umbiguista... A dor de querer ser mais e além que deixa tudo abaixo de si como se apenas vivesse consumindo. Firo de novo a minha consciência de mim, procuro pela dor do sofrimento que faço a outros punir-me para alterar o meu ego. Mas entretanto deixo atrás de mim um rasto de destruição indesculpável. &lt;i&gt;O amor é a condensação da essência da vida num único sentimento&lt;/i&gt;. Os mortos amam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressam as dúvidas. &lt;i&gt;Mea culpa&lt;/i&gt;, mesmo que não o seja. Porque assim o sinto, porque vejo aquilo que pensava ter melhorado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111834888764166738?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111834888764166738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111834888764166738' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111834888764166738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111834888764166738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/mea-culpa.html' title='&lt;i&gt;Mea culpa&lt;/i&gt;?'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111659072309389298</id><published>2005-06-08T02:29:00.000+01:00</published><updated>2005-06-08T02:27:37.133+01:00</updated><title type='text'>Tudo</title><content type='html'>Sou levado para longe de ti. Corro com toda a minha força, apesar do cansaço, apesar de tudo o que me tolda a mente, ou talvez por causa disso mesmo. Corro pela estrada acima, passam carros e eu nem ligo, encontro um conhecido e desencanto um daqueles sorrisos de  (in)conveniência - será que reparou?... mas não me interessa - e a fúria continua a acumular-se dentro de mim, continua a crescer como se nada mais existisse. Olho a Lua e ela goza comigo, no seu estado de Quarto Crescente-quase-cheio-mas-nem-por-isso, não me dando razões para que eu possa uivar e assim soltar toda a minha frustração, tudo aquilo que sinto dentro de mim e que não posso dizer. Queria dizer que te amo, queria dizer que tudo está bem quando estamos juntos, e que tudo fica bem quando nos vemos, que quando não estamos juntos conseguimos sorrir realmente, até mesmo por dentro da alma. Queria dizer tudo isso, queria dizer-te que todo esse cansaço, toda essa frustração e todos os problemas que possas ter não existem, são apenas ilusões criadas por uma vida vivida longe de quem se ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que a minha presença fosse bálsamo duradouro, queria conseguir que todos os teus problemas se desvanecessem em pó e nada e que tudo isso prevalecesse até mesmo quando eu não estou lá. Sei que isso não funciona assim, sei que todas as tuas tribulações são maiores do que aquilo que fica de doce na boca depois de um último beijo de despedida. Mas eu tento fazê-lo. Talvez não tenha força suficiente, talvez algo esteja errado comigo, mas eu tento, e vou continuar a tentar enquanto vir em ti uma cara de tristeza, de desespero, de uma emoção negativa que me toca no fundo da minha alma, que me faz sentir como se o mundo fosse acabar, que me dispõe a fazer tudo para que um sorriso possa novamente iluminar essas doces e belas faces. Lutarei sempre e cada vez mais para tentar fazer-te feliz. Porque tu mereces a felicidade. Depois de todas as provações, mereces ser feliz. Espero ardentemente que essa felicidade passe por mim, ou que pelo menos uma parte dela passe por mim. Tens asas para voar, não há gaiola, mas lembra sempre a mão que te procura confortar e aquecer nas noites frias e nos dias de vento cortante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;Nothing left to make me feel anymore&lt;br /&gt;There's only you and every day I need more&lt;br /&gt;If you want me&lt;br /&gt;Come and find me&lt;br /&gt;I'll do anything you say, just tell me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I'll believe all your lies&lt;br /&gt;Just pretend you love me&lt;br /&gt;Make-belief, close your eyes&lt;br /&gt;I'll be anything for you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... I'll be everything you need&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "&lt;i&gt;Anything for you&lt;/i&gt;", Evanescence&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111659072309389298?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111659072309389298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111659072309389298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111659072309389298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111659072309389298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/tudo.html' title='Tudo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111814693989294527</id><published>2005-06-07T13:20:00.000+01:00</published><updated>2005-06-07T13:22:19.896+01:00</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>A minha ausência da blogosfera deveu-se a factores alheios ao meu controlo. O blog retomará funções a partir de agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111814693989294527?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111814693989294527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111814693989294527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111814693989294527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111814693989294527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/06/nota-do-autor.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111601769345124993</id><published>2005-05-31T01:19:00.000+01:00</published><updated>2005-05-31T01:17:47.573+01:00</updated><title type='text'>Tempestade, parte 3</title><content type='html'>O trote apressado dos cavalos parou subitamente quando eles se acercaram de mim. Consegui desviar os olhos para olhar para a cena: quatro cavaleiros encapuzados, montados em quatro cavalos possantes, negros como a noite que agora principiava em abater-se sobre nós, coadjuvada pelas nuvens que, entretanto, já tinham cobrido todo o céu à nossa volta. A rapariga continuava a fazer festas ao meu cavalo e eu continuava a sentir aquela sensação de calor reconfortante no peito. Alguma recordação dentro de mim estava a ser despertada lentamente, algo que parecia ter esquecido há muito estava agora a entrar para o campo do consciente, como se estivesse estado sempre ali, à espera. Entrementes, o meu cavalo, muito estranhamente, tinha-se deitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha atenção foi desviada por um dos quatro cavaleiros, que estendeu a mão enluvada para mim, apontando descaradamente e sussurrando qualquer coisa, que percebi sem perceber. A sensação quente e confortável foi substituída por uma ligeira dor de cabeça, por tonturas que me fizeram ir de joelhos ao chão porque não me conseguia equilibrar. Ele continuou a apontar para mim e a sussurrar. As sombras que se agitavam em volta da rapariga começaram a esticar-se, a tentar envolver-me. Ao mesmo tempo, o meu cavalo parecia estar estranhamente quente e grande ao meu lado... Os seus músculos começavam a inchar, a sua respiração tornava-se mais pesada, e com um cheiro estranhamente sulfuroso; os olhos injectados de sangue estavam a olhar-me fixamente... Algo dentro de mim deu um sacão e repentinamente senti-me estranhamente leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me e reparei que o cavaleiro já não olhava para mim. A rapariga, entretanto, tinha deposto no chão uma túnica igual à dos outros cavaleiros, mas debruada a ouro e prata. Aproximei-me, despi as minhas roupas normais e vesti aquelas sumputosas vestes. O tecido negro caiu sobre mim e assentou-me como se tivesse sido confeccionado para mim à medida. As costuras muito simplesmente não existiam. Tudo naquele tecido era macio, forte e perfeito. Os meus olhos estavam agora cheios de uma determinação que nunca antes tinha conhecido na minha vida, tudo agora fazia sentido e a minha vida parecia-me, por fim, perfeitamente lógica e coerente. Olhei para a rapariga novamente, conseguia perceber o seu papel no meio de tudo aquilo. Dirigi-me para perto dela e levei um joelho a terra para me colocar ao mesmo nível dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;I'm lying on the floor&lt;br /&gt;I've broken through some door&lt;br /&gt;I don't know how I came to this&lt;br /&gt;There is blood lust in my eyes&lt;/i&gt;"&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt; - "&lt;i&gt;Jeckyl &amp; Hyde&lt;/i&gt;", Iced Earth&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111601769345124993?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111601769345124993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111601769345124993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111601769345124993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111601769345124993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/tempestade-parte-3.html' title='Tempestade, parte 3'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111601373937622602</id><published>2005-05-29T12:10:00.000+01:00</published><updated>2005-05-29T00:09:25.826+01:00</updated><title type='text'>Repugnância</title><content type='html'>O cheiro râncido, as formas industrialmente fabricadas e sumariamente modeladas, os sons que soltam... Olho e fico enojado, de todas as formas possíveis. A sensação, por causa da minha alergia que só se revela de vez em quando, é a de uma dor de cabeça fortíssima: uma broca que penetra no crânio, que desfaz o cérebro, e que depois sai pelo lado contrário da cabeça, continuando sempre a trabalhar - encravada - e a perturbar o normal funcionamento... a minha existência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro... Esse é quase inexprimível: como se pode juntar num único conceito o cheiro de estrebaria, de podridão e de fossas sépticas? Como se pode explicar...? Bom, imaginem que, de cada vez que inspiram, ficam com vontade de enfiar as mãos dentro da garganta, rebentar o pescoço para conseguir puxar os pulmões cá para fora e poder limpá-los com ácido sulfúrico. Sim, porque é preferível não respirar a ter que engolir e &lt;i&gt;snifar&lt;/i&gt; aquele doentio e nojento conjunto de aromas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparência é completamente indefinível em termos realistas. Se já o cheiro requeriu uma aproximação altamente defeituosa, não sei como fazer passar a ideia... É simplesmente a personificação da Fealdade. É verdadeiramente nojento, todo o conjunto de coisas que sou obrigado a ver. Sinto-me verdadeiramente enojado, sinto-me... Sinto um vazio dentro de mim, sinto uma vontade de me eclipsar para fugir a esta praga, a esta doença que se alastra por todo o planeta, que não me dá um único momento de descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto que já sabem qual é a besta de que falo, com tal descrição... Sim, isso mesmo... O ser humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111601373937622602?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111601373937622602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111601373937622602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111601373937622602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111601373937622602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/repugnncia.html' title='Repugnância'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111566867218461134</id><published>2005-05-23T13:31:00.000+01:00</published><updated>2005-05-23T13:30:30.050+01:00</updated><title type='text'>Um desejo</title><content type='html'>Só quero expressar um desejo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Burn down my house&lt;br /&gt;and make something happen.&lt;br /&gt;Stab me in the heart&lt;br /&gt;and make something stop,&lt;br /&gt;'cause I am so distracted...&lt;br /&gt;I am slightly shocked&lt;br /&gt;by how things can keep going&lt;br /&gt;like a dead man's clock."&lt;br /&gt; - "Chrome", Katatonia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111566867218461134?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111566867218461134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111566867218461134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111566867218461134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111566867218461134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/um-desejo.html' title='Um desejo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111566825449047827</id><published>2005-05-21T14:35:00.000+01:00</published><updated>2005-05-21T14:35:05.636+01:00</updated><title type='text'>Tempestade, parte 2</title><content type='html'>Era muito estranha a presença daquela rapariga, ali sozinha, aparentemente perdida no meio de uma propriedade privada. Por breves instantes passou-me pela cabeça a ideia de que ela pudesse não estar sozinha, mas não consegui avistar ninguém de cima do meu cavalo, e aquelas planícies não eram bom sítio para alguém se esconder, de certeza. Algo me fez focar a minha atenção nela... Uma espécie de sexto sentido que acusava uma presença forte naquele sítio, um estado de desconforto em mim que fazia com que eu me sentisse pouco à vontade, quase como se estivesse nu perante uma multidão de pessoas. Tentei falar com ela, perguntar-lhe quem era e o que fazia ali, mas a única resposta veio dos seus olhos negros como ónix por debaixo do cabelo com risco ao meio. A sua boca não proferiu uma única palavra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu um passo em frente: foi nessa altura que descobri que ela estava descalça, o que, de todo, é pouco apropriado naquele tipo de áreas... Os seus pés eram estranhos: eram a completa e perfeita simetria um do outro, eram perfeitos, sem quaisquer falhas ou linhas pouco agradáveis à vista. As unhas, pequenas e aparadas, brilhavam sem sequer estarem pintadas, e apesar do terreno poeirento, os pés não estavam minimamente sujos, quase como se ela tivesse acabado de sair do banho. O ar arrefeceu nitidamente consoante ela se foi aproximando de mim e do cavalo. Entretanto, conseguia sentir debaixo de mim o nervosismo do cavalo, a sua ânsia de dar meia volta e fugir, factor que atribuí à tempestade que se aproximava. Coriscou nos ares outro relâmpago, que foi rachar ao meio uma árvore no alcance da minha visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também queria ficar nervoso mas, por alguma razão, não conseguia. Acabei por dominar decentemente o meu cavalo, apesar de continuar a resfolegar e a querer empinar-se. Ela estava agora quase encostada ao focinho do cavalo. Estendeu a mão e tocou-lhe docemente. Ele acalmou-se imediatamente e eu senti um estranho calor, quase conforto, no peito... Incapaz de virar a cabeça para longe daquela cena de estranha e inusitada beleza, consegui ouvir cavalos ao longe, o som dos seus cascos transportado pelo vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;Now Disciples of the Watch&lt;br /&gt;See your Prince of Darkness rise&lt;br /&gt;Through famine and destruction&lt;br /&gt;The Four Horsemen at my side&lt;br /&gt;I demand a victory, &lt;br /&gt;I demand a sacrifice&lt;br /&gt;Or spend all eternity&lt;br /&gt;In the flaccid gut of Christ!&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "&lt;i&gt;Damien&lt;/i&gt;", Iced Earth&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111566825449047827?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111566825449047827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111566825449047827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111566825449047827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111566825449047827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/tempestade-parte-2.html' title='Tempestade, parte 2'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111558258963581001</id><published>2005-05-19T23:26:00.000+01:00</published><updated>2005-05-20T21:30:14.590+01:00</updated><title type='text'>Tempestade, parte 1</title><content type='html'>Cavalgo livre pelas longas pradarias e planaltos que longamente me viram crescer, que sentiram em si o peso do meu corpo em todos os minutos de todos os anos que já consegui atravessar. Por debaixo de mim, o cavalo esforça-se para manter o ritmo que lhe imponho, e que eu acompanho sem dificuldade, o corpo habituado ao sobe-e-desce compassado das cavalgadas poderosas que dou de vez em quando, apenas para aliviar momentaneamente o stress, para sentir a única forma de liberdade que me é dada experimentar. O caminho já é um velho conhecido, as suas pedras são parte dos desenhos que estão na palma da minha mão, e mesmo quando o vento ou uma chuvada mais forte muda algo de posição, eu consigo rapidamente senti-lo e habituar-me. Tudo isto me é tão familiar como o meu próprio corpo, que já tantas vezes as minhas mãos exploraram na busca de uma forma de prazer que me agradasse realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava frio naquele sol posto. As nuvens cobriam o pouco brilho que ainda pontuava o céu, e o vento parecia arrastar consigo uma fúria inusitada, uma vontade de arrancar tudo na sua passagem. Ah, o vento... A esse também o conheço eu. Ele é um frustrado. Ele quer sempre mais, quer sempre ser maior, ser alimentado de mais força, mas só muito raramente consegue soltar todas as suas ambições e violentar então a humanidade que procura poluí-lo como se ele não existisse. Procura todos os sopros esquecer que ele permite a essa mesma humanidade que viva e que destrua tudo aquilo que ama. Algo ali era ominoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, no segundo depois de fechar os olhos e sentir o vento a bater-me na cara e a levar-me os cabelos compridos para trás das costas, senti um pulsar interno, senti uma força dentro de mim. Senti aquilo que já tinha procurado, que já tinha julgado fantasia, que já tinha julgado assombração ou loucura... Um trovão caiu perto de mim, senti na boca o estranho sabor metálico que sempre permeia aquelas quase-noites. Olhei para cima: não haviam nuvens suficientes para despoletar uma tempestade, muito menos para fazer aparecer um trovão daqueles. Intrigado, continuei a cavalgar, ainda olhando para os céus e para a Lua, em quarto crescente. De repente, o cavalo empinou-se, quase me atirando ao chão com a paragem súbita. Atordoado, olhei para baixo e vi a figura de uma rapariguinha sozinha, de pé, sem qualquer medo do cavalo, apesar de quase ter sido pisoteada por ele. Em volta congregavam-se as sombras das nuvens e o ar estava ainda mais carregado. O seu olhar era sombrio, pouco próprio de alguém tão novo. (Demorei um pouco, na escuridão, a reparar na quantidade de rugas que ocasionalmente apareciam no seu rosto macio e sedoso.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;Now...you're no different now&lt;br /&gt;Still the same, the Devil's whore&lt;br /&gt;Lilith on the prowl&lt;br /&gt;I...I've got something for you&lt;br /&gt;I know what real pain is&lt;br /&gt;And you will too&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "&lt;i&gt;Jack&lt;/i&gt;", Iced Earth&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111558258963581001?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111558258963581001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111558258963581001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111558258963581001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111558258963581001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/tempestade-parte-1.html' title='Tempestade, parte 1'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111550713635138659</id><published>2005-05-17T19:55:00.000+01:00</published><updated>2005-05-18T11:05:38.806+01:00</updated><title type='text'>Contradições</title><content type='html'>Com a virulência própria de um sombrio vagueante pelas terras que não lhe pertencem e para as quais nunca deveria ter nascido, continua a enviar as suas farpas sangrentas através dos seus dedos esticados, acidentalmente ou de propósito, magoando a preceito ou a despeito, sem mais nenhuma intenção do que procurar viver de alguma forma. Misturando sentimentos com emoções, esmagando ou reconstruíndo corações, as formas que se abandonam às suas mãos raras vezes procuram redenção. Os olhos vítreos e obsessivamente fixos num único ponto, olhos de uma cor apenas, mortiços e quase a desfazerem-se dentro das suas órbitas, eram apenas o reflexo da negra maldade intrínseca que pairava dentro de si mesmo, dentro dos seus gestos, mesmo quando os intentava de uma outra natureza. Por dentro de todas as coisas que tentava fazer, por dentro de todos os muitos fracassos e dos poucos sucessos, estava sempre presente uma componente extremamente aleatória, uma forma desumana de ver a vida, uma irritabilidade para com tudo aquilo a que não pertencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as formas de luz que entraram na sua existência eram consciente ou inconscientemente afastadas. Quando procurava a salvação, quando procurava uma outra forma de ver as coisas, os seus esforços saíam sempre inevitavelmente gorados pela sua verdadeiramente assustadora inépcia. Ele era, de certa forma, o expoente máximo da incapacidade de viver. Tão frio, e com tanta vontade de mudar, mas aparentemente incapaz de o fazer, encerrado nas suas contradições.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111550713635138659?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111550713635138659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111550713635138659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111550713635138659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111550713635138659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/contradies.html' title='Contradições'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111540714074066411</id><published>2005-05-15T15:49:00.000+01:00</published><updated>2005-05-15T03:49:56.400+01:00</updated><title type='text'>Estabilidade</title><content type='html'>Firo tudo aquilo que me rodeia, e mesmo o meu sopro é uma tendência nociva para quem está perto de mim. Mostro um pouco de mim, e a realidade em volta começa a estremecer, a desvanecer-se. Perdido no centro de um abismo, quase buraco negro invertido, onde tudo sai e nada entra, dissipo-me também, para restaurar a estabilidade do espaço-tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111540714074066411?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111540714074066411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111540714074066411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111540714074066411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111540714074066411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/estabilidade.html' title='Estabilidade'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111607880416031210</id><published>2005-05-14T14:53:00.000+01:00</published><updated>2005-05-14T14:53:24.163+01:00</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>&lt;a href="http://leiturascom.net/arquivo/2005/04/concurso_de_mic.html"&gt;leituras com net: Concurso de micro-contos&lt;/a&gt;: "Concurso de micro-contos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o mês de Maio terá aqui lugar um concurso de micro-contos. Leiam o regulamento, participem, divulguem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://leiturascom.net/arquivo/2005/04/concurso_de_mic.html"&gt;&lt;img src="http://leiturascom.net/arquivo/microc2.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111607880416031210?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111607880416031210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111607880416031210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111607880416031210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111607880416031210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/nota-do-autor.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111489702923652288</id><published>2005-05-13T14:03:00.000+01:00</published><updated>2005-05-14T12:33:18.473+01:00</updated><title type='text'>Momento</title><content type='html'>...Chegou o momento final. Mais um passo até à salvação. Nada mais resta até atingires os teus objectivos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o corpo, comandado pela gravidade, precipita-se sobre as ondas rumorejantes que se vêm quebrar contra as rochas pontiagudas, lançando ao ar partículas de água salgada que entram pelas vias respiratórias da eterna donzela abandonada à sorte de um destino que não estava escrito e que jamais poderá ser compreendido. Fechou os olhos alguns microssegundos antes do impacto que iria transformar o seu crânio numa massa disforme; o sangue a misturar-se com os restos de cérebro e tudo isto a ser lavado pelas ondas que reclamavam para si mais um pouco de alimento para a voracidade interminável dos peixes debaixo e dentro delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Now I'm with open arms at the edge of the cliff&lt;br /&gt;Just waiting for the wind to fly away.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "At the Edge of a Cliff", Aenima&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111489702923652288?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111489702923652288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111489702923652288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111489702923652288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111489702923652288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/momento.html' title='Momento'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111489647275933032</id><published>2005-05-09T14:10:00.000+01:00</published><updated>2005-05-09T14:10:34.323+01:00</updated><title type='text'>Sangue e coração</title><content type='html'>O sangue corre vermelho e quente dentro de mim, alimenta a minha carne e satisfaz-me os requisitos para que me possa levantar todos os dias, para que possa executar todas aquelas tarefas, mais ou menos mesquinhas, essenciais à função de viver. Ando, falo, como... tudo isso graças àquele líquido que corre em mim. Graças à potência daquele órgão que impulsiona o tal líquido dentro de mim. E quando esse líquido me falta nalguma parte do corpo, o frio, a imobilidade parcial apoderam-se de mim, deixam-me estranho a mim próprio, às minhas sensações. Aquele sabor metálico e profundo esconde coisas que não consigo explicar, esconde verdades, esconde segredos, vida e devastação que caminham lado a lado, pelos mesmos canais, todos os segundos de todos os dias até ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, depois de tanto tempo, e de forma muito pouco usual, consigo sentir o meu coração. Sinto cada um dos seus batimentos, sinto que tenho realmente que fazer um esforço para conseguir que o sangue chegue a todo o lado. É estranho ter que fazer um trabalho para o qual não estou preparado...&lt;br /&gt;Entretanto o coração começa a doer-me. É um músculo sobre o qual exerço um defeituoso controlo... estou a começar a cansar-me. As dores aumentam a cada momento, parece que vou ficar com uma cãibra. Não aguento mais! O meu coração parece que rebenta, a minha caixa torácica está quase a rebentar, não consigo parar, não posso parar, mas também nem posso pensar em desistir. Só que a dor é tanta!!! Argh!! Vou descansar, apenas um bocadinho. Só para depois poder retomar com mais calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111489647275933032?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111489647275933032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111489647275933032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111489647275933032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111489647275933032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/sangue-e-corao.html' title='Sangue e coração'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111454631977717275</id><published>2005-05-07T03:09:00.000+01:00</published><updated>2005-05-07T03:10:05.866+01:00</updated><title type='text'>Livre arbítrio</title><content type='html'>As coisas que crio, as personagens que se levantam do papel para me virem sufocar com as suas vozes, com as suas exigências, reclamando serem vivos e autónomos. À noite é quando as vozes se levantam para sentirem mais vivamente aquilo que o fio da caneta ou as pontas dos dedos que martelam as teclas sem descanso os não deixam viver. Crio consciências separadas, crio afirmações, eu, deus de papel e tinta, ou de bytes de informação... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia pode ser que toda a tinta que derramei a falar sobre mim, a falar sobre pequenos fragmentos da minha imaginação ou a criar fragmentos de imaginações alheias, saia do papel e venha ter comigo, se ajunte num único caudal e procure regressar a mim, qual obra com saudades do seu criador. Então eu poderei também dizer-lhes que, se são singulares e com vida própria, bem que se podem desenrascar sozinhas e voltar para as suas folhas de papel em que vivem, ao invés de virem tentar afogar-me como paga por coisas que foram elas a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, que escreves, nunca sentiste a inspiração furtar-se ao teu controlo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111454631977717275?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111454631977717275/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111454631977717275' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111454631977717275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111454631977717275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/livre-arbtrio.html' title='Livre arbítrio'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111399177445116807</id><published>2005-05-03T17:50:00.000+01:00</published><updated>2005-05-03T17:47:05.783+01:00</updated><title type='text'>Voz</title><content type='html'>Colagem de existências relegadas para o infinito, passagem de um mundo de ilusão para outro igualmente ilusório e a indefinição de um querer que nos escraviza aos meandros de um desejo que não conseguimos exprimir. Invenções que nos dominam a mente e o pensamento que se dispersa em todas as direcções. Fragmentos de memórias abandonadas ao rio da inútil passagem do tempo. Busco em mim uma forma de querer existir para além de todos os pensamentos mundanos que me possam atormentar e reprimo a vontade de existir no mundo das coisas físicas que me confortam. Tento mais afincadamente descolar-me do vento que passa e tento não sentir absolutamente nada, separar a minha mente do meu corpo, ascender a um plano superior, fazer parte de qualquer coisa que me possa localizar face a todas as outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso um mapa? É preciso que eu me sinta frágil nas minhas convicções e que dobre, qual folha ao vento, a tudo aquilo que os sussurros querem fazer de mim e que eu lhes faça. Não consigo colocar a voz correctamente quando estou a sussurrar. Talvez seja defeito meu: dizem que sim. E quem mo diz até consegue fazer isso. Mas eu não. A minha voz teima em elevar-se para além de tudo, para cima de tudo, deixando-me a mim aqui em baixo, deixando-me cansado e de garganta dorida. Estou espantado comigo mesmmo, estou assombrado com aquilo que não consigo fazer. Nem fazer uma sangria resolveria isto - a fraqueza e alucinações tornariam tudo pior, muito pior. Até mesmo a quem estende a mão eu respondo agressivamente. Levanto-me, caio, volto a levantar-me. Só que acabo por ficar confuso com todas estas movimentações. Sei que já não faço sentido. Deixem-me descansar um momento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111399177445116807?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111399177445116807/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111399177445116807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111399177445116807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111399177445116807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/voz.html' title='Voz'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111385067449073253</id><published>2005-05-01T16:22:00.000+01:00</published><updated>2005-05-01T20:09:28.530+01:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>- Olá.&lt;br /&gt;- Olá.&lt;br /&gt;- Está tudo bem?&lt;br /&gt;- Sim. E contigo?&lt;br /&gt;- Também...&lt;br /&gt;- ...Parecia que estavas cheio de pressa, ao telefone. Era porquê?&lt;br /&gt;- Tinha que falar contigo urgentemente. Por isso é que combinei as coisas assim à pressa. Desculpa se te interrompi alguma coisa...&lt;br /&gt;- Não interrompeste nada, que disparate! E mesmo que tivesses interrompido, para vir ter contigo vale sempre a pena, não achas?! E não te ponhas com respostas parvas, ou nunca ouviste falar de perguntas de retórica?&lt;br /&gt;- Sempre a brincar, tu!&lt;br /&gt;- Sempre! ... Mas afinal querias falar de quê?&lt;br /&gt;- ...Disto tudo. De tudo, na verdade.&lt;br /&gt;- De tudo?... Não estou a perceber...&lt;br /&gt;- Tu, ontem à noite, não estavas assim tão bem, pois não?&lt;br /&gt;- Esquece lá isso! Estou aqui agora, não estou?&lt;br /&gt;- E porque é que eu devo esquecer?&lt;br /&gt;- ...Como assim?! Olha, porque não vale muito a pena estar a falar disso agora, não achas? Temos que aproveitar enquanto estamos juntos para podermos descontrair um pouco.&lt;br /&gt;- Pára com isso, por favor... Diz-me o que se passa...&lt;br /&gt;- Não se passa nada! Vá, vamos sair daqui e dar uma volta a um lado qualquer; está um dia tão bom que nem parece que é inverno.&lt;br /&gt;- Ainda não aprendeste que não consegues desviar assuntos nos quais eu insisto? Até parece que não me conheces...&lt;br /&gt;- Oh, não digas disparates! ...Já chegou ontem à noite para esta conversa, ok?&lt;br /&gt;- Não, não me parece que tenha chegado. Não desta vez.&lt;br /&gt;- ...Vá, esquece lá isso... Vamos...&lt;br /&gt;- Não! Desta vez não! Estou farto que me estejas sempre a dizer a mesma coisa, vezes e vezes sem conta, como se eu não existisse!!&lt;br /&gt;- ...Mas tu existes, tu és a pessoa mais importante para mim! É em ti que eu confio, é a ti que eu...&lt;br /&gt;- ...Não! Isso é muito bom de ouvir, e eu sempre disse que acreditava em ti, mas as coisas... estão num ponto onde eu não as suporto mais.&lt;br /&gt;- ... ...Mas...&lt;br /&gt;- Durante todo este tempo vi-te a sofrer e tentei ajudar-te. Durante todo este tempo tentei estender a minha mão para ti, tentei mostrar-te que comigo podias estar bem. Mas tu recusaste tudo isso, recusaste-te a deixar-me mostrar o meu amor por ti e fizeste-me sentir como se fosse apenas mais um objecto para enfeitar. Ou uma pessoa descartável, que se arruma quando não se quer enfrentá-la. Eu até compreendo... mas pedi-te mil e uma vezes que não o fizesse e de todas as vezes tu voltaste a fazê-lo, como se o que eu te tivesse dito não tivesse valido nada! E para além de me deixares de fora da tua vida, ainda me tentavas afastar mais. De todas as vezes eu suportei tudo isso. E fi-lo porque te amo. Porque esperava que acabasses por te cansar de me ver sofrer e me deixasses entrar na tua vida, ao invés de me teres como algo a que se recorre quando se quer sair da vida.&lt;br /&gt;- ...Mas, amor...&lt;br /&gt;- Não fales! Não digas mais nada, porque sabes que isto dói. Só que tudo isto ainda dói mais. E eu deixei de ter forças... Pela última vez... Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;I'm sitting here alone...&lt;br /&gt;What else could I have done?&lt;br /&gt;I can't regret 'cause I don't even know&lt;br /&gt;What I did wrong...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Leaving you for me,&lt;br /&gt;Try to understand&lt;br /&gt;That I'm only leaving you for me.&lt;br /&gt;Demons in my head,&lt;br /&gt;They won't let go...&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;- "Leaving you for me", Martin Kesici &amp; Tarja Turunen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;You and me&lt;br /&gt;We used to be together, (...) always.&lt;br /&gt;I really feel that I'm losing&lt;br /&gt;My best friend.&lt;br /&gt;I can't believe this could be&lt;br /&gt;The end.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Don't speak&lt;br /&gt;I know just what you're saying&lt;br /&gt;So please stop explaining&lt;br /&gt;Don't tell me 'cause it hurts.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- "Don't speak", No Doubt&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111385067449073253?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111385067449073253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111385067449073253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111385067449073253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111385067449073253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/05/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111364988080882335</id><published>2005-04-29T13:36:00.000+01:00</published><updated>2005-04-29T13:33:19.423+01:00</updated><title type='text'>União</title><content type='html'>Porque não abdicas da tua pessoalidade? Basta juntares-te a mim, basta que congreguemos as nossas mentes de uma qualquer artificial maneira e poderemos depois suprir as necessidades individuais e combater o medo da solidão que todos temos através da comunidade indistinta e completa de várias mentes unidas. Podemos até mesmo abandonar a noção de um corpo único e rendermo-nos todos à corpórea inexistência. Porque não? Não seria tão mais fácil, mais simples, o fim do sofrimento de sermos apenas e irredutivelmente um? Porque não juntar toda a humanidade numa mente indistinta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então... &lt;b&gt;o amor&lt;/b&gt;?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111364988080882335?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111364988080882335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111364988080882335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111364988080882335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111364988080882335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/unio.html' title='União'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111351538974765606</id><published>2005-04-27T18:19:00.000+01:00</published><updated>2005-04-27T06:16:43.326+01:00</updated><title type='text'>Exsudar</title><content type='html'>Do fundo da noite, do resto da vida, da memória esquecida, dos sentidos adormecidos ao longo de tudo, eu chamo-vos por nome, criaturas de devassidão e de perversões sem limites. É a vós, que sentis a carne em chamas a toda a altura das vossas vidas, que ardeis no vosso próprio desejo deixado por consumir que eu estendo a mão e vos peço que me acompanhem eternamente. E se, no fim da viagem infinita, se acobardarem, poderão pelo menos dizer que tentaram um dia ser mais humanos que a humanidade vos permite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estendam a mão para o espelho, agarrem o vosso reflexo pelo colarinho e espanquem a imagem que projectam na mente de outros. Será que vocês existem? Será que têm uma presença real? "Não! Mil vezes não!" "O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe" mas não sabe de certeza que quem sente em si a destruição do fogo do desejo por consumar quer apenas uma satisfação momentânea, deixando de lado todas as filosofias, todas as crenças e as verdades absolutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que cortes cerce a identificação daquilo que queres, logo sentirás na parte de trás da tua nuca uma tensão muscular que pede atenção e que não consegues agora, pobre coitado, ignorar. Toma da taça invertida a bebida nectarina, pura e estranhamente saborosa e poderás por fim descansar a tua cabeça - se no dia seguinte a tensão regressar, saberás pelo menos que a recuperação está a caminho e que as dores que sentes agora mereceram existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu, cujos longos fulvos cabelos se agitam altivamente no espaço abanados pelo vento vazio que ensombra a existência cheia de um nada que te devora a cada dia que passa, qual alienação-doença, entrega o teu ser a quem quiser tomar de ti o dom que encerras e a quem quiser despertar em ti a malevolência fugaz e tão deliciosamente bela que te fará uivar longamente sob uma Lua esbranquiçada como o prazer que provocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim! Deixai que vos escorra pelos poros da vossa pele saturada aquilo que longamente escondestes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111351538974765606?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111351538974765606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111351538974765606' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111351538974765606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111351538974765606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/exsudar.html' title='Exsudar'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111438494931425642</id><published>2005-04-25T00:20:00.000+01:00</published><updated>2005-04-25T00:22:29.313+01:00</updated><title type='text'>25 de Abril - N. do Autor</title><content type='html'>Este é o meu pequeno protesto: não publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nos roubaram a Revolução, porque a Revolução nunca aconteceu como deveria ter acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Revolução, já!&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111438494931425642?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111438494931425642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111438494931425642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111438494931425642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111438494931425642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/25-de-abril-n-do-autor.html' title='25 de Abril - N. do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111338594485776012</id><published>2005-04-23T03:01:00.000+01:00</published><updated>2005-04-23T15:57:26.916+01:00</updated><title type='text'>Fome</title><content type='html'>Olho para a ponta do meu dedo indicador da mão direita. Mais uma vez, ele aponta para mim, e eu sinto a fúria existencial de ser verdade, de nunca conseguir atingir um único segundo de paz entre todos os momentos de sofrimento em que eu respiro (expiro e inspiro para tentar viver e para tentar manter este corpo pesado e mole ao mesmo tempo) e de estar diante de mim, acusado e acusador, sentindo o peso de uma consciência que não afrouxa jamais, que me persegue até mesmo quando tento dormir, quando tento alcançar o doce oblívio do sono - porquê, oh porquê? a crueldade do sono REM? - e é nestas alturas que me sinto perdido, sem quaisquer referências a este mundo; então a acusação deixa de ser de inocência ou culpa e passa a ser uma de sentimento de não-pertença, de invasão, de quem entreou num reino desconhecido de forma ilegal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só depois consigo pensar que eu não entrei, mas que me fizeram entrar. Que não tenho a culpa de me terem feito nascer e que mesmo que tivesse, ir daqui para lado nenhum não provaria ser melhor solução do que continuar aqui. (Quer dizer, sobre este tema não tenho uma real e definitiva certeza... o que me garante que, porventura, não ser não será melhor do que ser em dor? Ao mesmo tempo, como é que algo pode ser melhor quando não é? A inexistência provoca sempre a perda de consciência e a suspensão do sofrimento não é benfazeja porque não a conseguirei sentir. Ainda assim, com toda a lógica que as circunvoluções do meu cérebro conseguem atingir, o meu coração persiste em querer-se desviar deste caminho tão rectilíneo para outras paragens distantes e desconhecidas, em que tudo o que se sabe é que não se consegue saber nada.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando por fim dar fim à dor, mordo a ponta do meu dedo, rasgo osso, músculo e tendão e mastigo tudo ao sabor do sangue que jorra. Não demora muito até que todo o dedo esteja dentro da minha boca a ser mastigado: cuspo a unha para não me aleijar e também os ossos depois de os roer. Parto para os outros dedos e para o resto da mão, repito o processo e agora sim - oh, sim finalmente! - sinto-me tão cheio de mim fisicamente quanto existencialmente. Continuo a comer o meu braço e o sangue escorre para dentro da minha garganta: sinto-lhe o sabor metálico, estranho e profundo que talvez vá prejudicar a difícil digestão desta carne tão pouco rica (nós, humanos, nem como alimento somos bons - quão longe estamos do resto da natureza que nos pariu!) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pararei quando me sentir saciado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111338594485776012?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111338594485776012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111338594485776012' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111338594485776012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111338594485776012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/fome.html' title='Fome'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111315200522538268</id><published>2005-04-19T01:28:00.000+01:00</published><updated>2005-04-19T01:27:34.813+01:00</updated><title type='text'>O futuro do discurso</title><content type='html'>E se, no fim, tudo ficar de tal forma diferente que não nos consigamos entender? E se, no fim, o que acontecer for uma suprema capa divisória que separará cada povo pela sua língua, episódio de uma qualquer Torre de Babel renascida, separação das águas e tudo o mais? Seremos então folhas à deriva pelo vento, o contacto perdido com o tronco principal da nossa (até então suposta inalienável) humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faremos quando ficarmos isolados no fundo do topo de tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;I have no lies or truth in what I say:&lt;br /&gt;there is no meaning.&lt;br /&gt;The words are numb and I am so afraid:&lt;br /&gt;there is no meaning.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; - "Future of Speech", Katatonia&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111315200522538268?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111315200522538268/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111315200522538268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111315200522538268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111315200522538268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/o-futuro-do-discurso.html' title='O futuro do discurso'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111314559980588614</id><published>2005-04-17T01:54:00.000+01:00</published><updated>2005-04-17T01:51:47.613+01:00</updated><title type='text'>Perdido</title><content type='html'>Perdido no corropio voraz do espaço e do tempo, perdido nas ambições que me levam para longe da minha vida, ensimesmado pelas pedras que voam na minha direcção, mergulho profundamente dentro do mar dos tempos e busco uma submarina saída de salvação para a secura quente do destilante Sol que tudo queima à sua passagem por este mundo tão perdida e desconsoladamente vazio de qualquer significado que lhe possa dar forma ou sequer cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocando vozes e sentidos dispersos pela certeza absolutamente incerta e indefinida de uma lígua que me deram quando fiz a minha aparição neste sedento e cruel mundo de insanas contradições que se jogam em direcção umas às outras para tentarem mutuamente destruir-se, perco-me na multidão de sons que se congregam em volta do meu ouvido e que  fazem vibrar os meus tímpanos tão violentamente que tudo o que poderia ser percepcionado se torna apenas uma mancha ferozmente vazia de algum segundo significado que me poderia salvar do tenebroso oblívio que se apresenta a cada passo que dou e a cada sorvo do vivificante envenenado oxigénio que tenho que engolir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111314559980588614?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111314559980588614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111314559980588614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111314559980588614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111314559980588614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/perdido.html' title='Perdido'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111298258381673429</id><published>2005-04-15T01:07:00.000+01:00</published><updated>2005-04-15T01:05:50.273+01:00</updated><title type='text'>Desejo</title><content type='html'>Tenho medo de te tocar, tenho medo que confundas o meu desejo mesclado com amor com o puro e carnívoro desejo do teu corpo. Quando te quero tocar, quando te quero perto de mim, é porque o meu desejo é enormemente acicatado pelo meu amor por ti. Quero fazer-te sentir prazer, quero que todas as tuas noções de realidade se alterem quando estás comigo. Quero o teu corpo desesperadamente. Mas também quero quem és. Percebes? Não confundas isso, mesmo quando tudo se confunde num acto irracional de pura satisfação orgásmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;"To sleep with you is like a bed filled with snakes&lt;br /&gt;Something I can't resist&lt;br /&gt;Oh, licking your bloody lips,&lt;br /&gt;Smiling and sucking your fingertips&lt;br /&gt;Oh, lash me with your whip&lt;br /&gt;I'm your slave...My dear carniwhore"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- "Dear carniwhore", For My Pain...&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Leiam também &lt;a href="http://penaemriste.blogspot.com/2005/04/fugaz-momento.html"&gt;isto&lt;/a&gt;.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111298258381673429?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111298258381673429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111298258381673429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111298258381673429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111298258381673429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/desejo.html' title='Desejo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111282443047524138</id><published>2005-04-13T11:06:00.000+01:00</published><updated>2005-04-13T10:53:18.116+01:00</updated><title type='text'>Carta</title><content type='html'>"Tens todo o direito a seres feliz. Mesmo quando essa felicidade não passa por mim, tens todo o direito a seres feliz. Chegou finalmente aquele dia que eu temi durante todo este tempo. Chegou o dia em que deixaste de acreditar que eu te amo.&lt;br /&gt;E o mais triste é que eu te amo de facto, porque simplesmente qualquer coisa que eu faço, só tem sentido e importância quando és tu o fim dessa acção. E todos os disparates que eu fiz estão permanentemente gravados na minha mente, todas essas coisas voltam à noite para assombrar o meu descanso. Antes de adormecer, todas as noites se soltam algumas lágrimas da minha face para a almofada pelo que te fiz passar. Só consigo adormecer quando penso em ti, e na felicidade que me dás. Na felicidade que é ter-te ao meu lado, compreensiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que agora já não estás ao meu lado, pois não? Não. Agora preferiste acreditar que afinal tudo tinha sido uma mentira. Que eu nunca te tinha amado verdadeiramente, como disseram as tuas amigas (essas que tanto mal te fizeram no passado!) Não acreditarias se eu te conseguisse dizer o quanto isso me magoou. Insultaste-me da forma mais cruel que conseguiste, talvez pensando que estavas a descobrir uma grande verdade, quando o que estavas era a cometer uma enorme injustiça.&lt;br /&gt;E mais depressa do que eu consigo sequer perceber, foste jogar-te nos braços &lt;i&gt;dele&lt;/i&gt;... Meu amor, que desplante o teu. Projectas em mim aquilo que és tu que (não) sentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Talvez esteja a ser injusto. Talvez o tenhas feito para me esquecer, para "desenjoar". Seja como for, agora já não me interessa. Depois de teres dito tudo o que disseste, já não me interessa. Já estou acima desses pequenos e mesquinhos pormenores. Só gostava que ficasses com esta ideia em mente: eu amo-te. ...Não, eu amava-te. Agora odeio-te pelo que me fizeste, mas amava-te; sempre te amei ao longo de todo o tempo em que estive contigo. Quando, por acidente, te magoei, também te amava. Nunca foi intencional. Por muito que possas pensar o contrário, esta é a verdade. Eu nunca &lt;i&gt;quis&lt;/i&gt; magoar-te. Adeus para sempre. Esta vai ser a última vez que me vês."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao lado da carta estava o corpo dele, caído sobre o lado direito, todo manchado de sangue, e ainda com a arma meia enfiada dentro da boca. A parede onde ele se tinha encostado tinha também uma mancha larga de sangue que depois escorria até ao chão em pequenos fios. Ela ficou sem se conseguir mexer durante algum tempo, quase catatónica, incapaz de acreditar no que estava à sua frente. Daí para a frente seriam as noites dela as atormentadas por estranhos e insanos pensamentos. E a culpa de ter seguido certos conselhos. A culpa de ter metaforicamente carregado no gatilho que fez disparar a bala que penetrou na caixa craniana daquele que outrora tinha sido o homem que a tinha feito feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111282443047524138?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111282443047524138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111282443047524138' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111282443047524138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111282443047524138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/carta.html' title='Carta'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111269731512006187</id><published>2005-04-11T00:16:00.000+01:00</published><updated>2005-04-11T21:44:29.240+01:00</updated><title type='text'>Vento</title><content type='html'>Sente o vento que te bate na cara, que te afaga o corpo e que põe os teus cabelos em desalinho. Sente a frescura (e, por vezes, o frio) que advém dessa carícia tão potencialmente destrutiva. Se fechares os olhos e abrires os braços como quem dá as boas-vindas a um amigo, sentirás que o frio do vento, longe de te querer atacar, se fundirá contigo, na tua própria essência, arroxeando as tuas carnes e lançando trémulos lamentos espasmódicos pelo teu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega então o momento adequado, em que deves libertar a tua consciência de ti mesmo, em que deves procurar anular os teus sentidos e deixar que o vento transporte o teu "eu" para fora das amarras da vida e da carne. E depois vem, vem espalhar ao vento a beleza da tua essência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111269731512006187?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111269731512006187/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111269731512006187' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111269731512006187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111269731512006187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/vento.html' title='Vento'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111179893264111632</id><published>2005-04-09T14:26:00.000+01:00</published><updated>2005-04-09T14:24:29.226+01:00</updated><title type='text'>C:/&gt;format c:_</title><content type='html'>Inseri o comando e apaguei a minha vida, porque queria começar de novo. E depois reparei que não tinha os CDs de instalação para a refazer. Vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Drive C: is empty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Read error.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bad command or file name.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111179893264111632?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111179893264111632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111179893264111632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111179893264111632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111179893264111632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/cformat-c.html' title='C:/&gt;format c:_'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111144553636627158</id><published>2005-04-07T17:40:00.000+01:00</published><updated>2005-04-07T17:38:15.020+01:00</updated><title type='text'>Tortura</title><content type='html'>Um fio de água pode muito bem ser um regato, que se transforma num rio, que acaba por engrossar e desaguar no mar. E o mar alimenta as nuvens, que lançam a sua água para a terra, para que possa escorrer em fios de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as coisas, claras e límpidas à nossa frente, realidades já previamente mastigadas para nós, que se encontram parcialmente digeridas e prontas a serem engolidas. Abrem-nos a boca com um instrumento médico que segura os nossos maxilares no sítio: no ponto de abertura máximo, que já nos aleija. Colocam um funil já a entrar pela garganta, dando-nos aquele impulso de vómito que se torna impossível de reprimir mas que, em tal situação, não serve de nada. Estamos já amarrados a uma cadeira que até parece confortável, e por isso não nos queixamos muito. Afinal de contas, nem percebemos exactamente o que se passa, porque estamos vendados e de ouvidos tapados. Tudo o que importa é que comamos, que possamos fazer uma digestão adequada daquilo que nos estão a fazer engolir. É então que aquilo escorrega pelo nosso esófago abaixo, e chega ao estômago. Sentimo-nos cheios, satisfeitos e com a fome saciada. Também sonolentos, por causa dos soporíferos misturados. Adormecemos. Se por acaso acordamos passado pouco tempo, o processo repete-se. Até já não aguentarmos mais. Até adormecermos completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu consegui vomitar sem ninguém reparar. Se calhar estavam distraídos a tratar de outra pessoa a quem estava a acontecer exactamente a mesma coisa. Não sei. Quando conseguir fugir, digo-vos como é lá fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111144553636627158?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111144553636627158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111144553636627158' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111144553636627158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111144553636627158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/tortura.html' title='Tortura'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111287072513595490</id><published>2005-04-07T11:43:00.000+01:00</published><updated>2005-04-07T11:45:25.136+01:00</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>Dou as boas vindas a mais um &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; à nossa comunidade: &lt;a href="http://www.pensamentosnoctivagos.blogspot.com/"&gt;Pensamentos Noctívagos&lt;/a&gt;. Espero que ele tenha todo o sucesso do mundo, porque sem dúvida tem o talento para tal. Em breve o verão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111287072513595490?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111287072513595490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111287072513595490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111287072513595490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111287072513595490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/nota-do-autor.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111140749448922387</id><published>2005-04-05T11:37:00.000+01:00</published><updated>2005-04-05T11:37:14.906+01:00</updated><title type='text'>"Pro amore"</title><content type='html'>Foi assim tão mau? Foi assim tão horrível? Que coisas viste tu através daquele bem-intencionado beijo que depositei nos teus lábios a medo? Porque é que logo a tua fúria se abateu sobre mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinhas mesmo que pegar naquela faca e vir espetá-la directamente sobre o meu coração, provocando a minha morte de forma agonizante e dolorosa?! Ainda ontem disseste que me amavas e agora fazes-me isto... Gostava de ter percebido alguma coisa. Eu vi aquele olhar frio, quase árctico, que estava nos teus olhos verdes. Mas também vi uma lágrima. Porquê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111140749448922387?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111140749448922387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111140749448922387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111140749448922387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111140749448922387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/pro-amore.html' title='&lt;i&gt;&quot;Pro amore&quot;&lt;/i&gt;'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111264705403548470</id><published>2005-04-04T21:37:00.000+01:00</published><updated>2005-04-04T21:37:34.036+01:00</updated><title type='text'>Espelho Negro: Resposta</title><content type='html'>&lt;a href="http://espelhonegro.blogspot.com/2005/04/resposta.html"&gt;Espelho Negro: Resposta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Porque há coisas que merecem resposta, e outras que a exigem, a Sophia fez uma resposta ao meu texto "Entrelaçados". Que convido todos vós a ler, acrescente-se. Daí este &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; fora da data regulamentar. Disfrutem de boa prosa, de coisas que raramente se lêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometeu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111264705403548470?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111264705403548470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111264705403548470' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111264705403548470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111264705403548470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/espelho-negro-resposta.html' title='Espelho Negro: Resposta'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111133347942523350</id><published>2005-04-03T20:40:00.000+01:00</published><updated>2005-04-03T20:39:59.500+01:00</updated><title type='text'>Através</title><content type='html'>Olhar é como descobrir um mundo onde todas as coisas são sempre eternamente diferentes, onde tudo aquilo que se vive é apenas uma forma um pouco diferente de ver a luz que bate e a luz que não se escapa das coisas. Olhar para as coisas que nos encandeiam é mais difícil do que olhar para ti. Porque eu consigo ver quem tu és.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"'Cause inside you're ugly,&lt;br /&gt;Ugly like me.&lt;br /&gt;I can see through you,&lt;br /&gt;See to the real you"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; - &lt;em&gt;Outside&lt;/em&gt;, Staind&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111133347942523350?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111133347942523350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111133347942523350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111133347942523350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111133347942523350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/atravs.html' title='Através'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111238534006743887</id><published>2005-04-01T20:53:00.000+01:00</published><updated>2005-04-01T20:55:40.066+01:00</updated><title type='text'>1 de Abril</title><content type='html'>Não faz sentido escrever um &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; hoje. Porque tinha que arranjar forma de condensar toda a vida. Não sentimos já todos por vezes que a vida é uma mentira? Um dia 1 de Abril perpétuo? Portanto hoje não vale a pena escrever. Para quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111238534006743887?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111238534006743887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111238534006743887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111238534006743887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111238534006743887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/04/1-de-abril.html' title='1 de Abril'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111110033691043080</id><published>2005-03-30T05:40:00.000+01:00</published><updated>2005-03-30T05:40:15.826+01:00</updated><title type='text'>Entrelaçados</title><content type='html'>Hoje estive muito tempo deitado a teu lado, com as minhas pernas entrelaçadas nas tuas. E via o teu olhar a vaguear pelo espaço, pensando em coisas que desconheço, pensando talvez em coisas que eu não quero saber... Não, porque eu quero saber tudo, mesmo aquilo que dói saber. Mesmo quando eu sangro, prefiro saber porque sangro. Mas estavas tu no teu mutismo e eu nada podia fazer. Beijava-te de vez em quando e sentia em ti a energia a correr do teu coração para todas as partes do teu corpo. E sentia-a a sair de ti e a entrar em mim pela tua boca, pelos toques mais ou menos delicados da tua língua na minha, ou dela a passar ao de leve nos meus lábios abertos e sedentos de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria mergulhar em ti e saber tudo sobre ti com cada suspiro que desses. Tornar-me um absoluto contigo, viver como vives, sofrer por ti o que sofres agora, entregar a minha alma às alimárias da terra para que respirasses um pouco mais desafogadamente. Porque a tristeza que dizes não estar no teu olhar, vejo-a. Porque nem a tua voz nem as tuas acções escondem o espelho da tua alma. Queria que uníssemos as cabeças, que a nossa pele e ossos dessem lugar à fusão simbiótica e momentânea dos nossos cérebros, que as ligações sinápticas abrissem espaço para mim na tua mente e que, sem chorares nem sofreres, me pudesses dizer tudo. Porque dizer algo, ou escrever algo, é viver algo. E eu sei que morres mil vezes por dia, sei que dentro de ti te debates e te degladias contra todo o mundo (contra mim, às vezes) para manteres aquele fugaz momento de sanidade abençoada que te permite respirar aquela névoa intoxicada que se levanta do mar e se vai alojar, putrefacta, nos teus pulmões cansados por vezes de sustentar o teu corpo frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que estico a minha mão e comprimo os meus lábios contra a tua bochecha e te digo "Amo-te" como se nada mais fosse verdade, porque na verdade, só aquilo é verdadeiro para mim no eterno momento que estou contigo. É então que me enfureço contra o mundo que te aleija o coração (contra mim, às vezes) e queria construir à volta do teu coração paredes de puro e duro diamante, que arma alguma conseguisse penetrar e palavra alguma conseguisse violar. É então que a minha respiração se encompassa com a tua para tentar perceber exactamente que ser és. E como acabaste aqui, deitada ao pé de mim, com as tuas pernas entrelaçadas nas minhas. Eu, que me julgava fora do alcance da felicidade, eu, que um dia escrevi a dizer que a felicidade não existe, estou agora com as minhas pernas entrelaçadas nas tuas, desejando ardentemente saber tudo o que tu pensas: anular os meus pensamentos para saber os teus. E sim, percebo o teu silêncio. Percebo que não queiras estragar este momento em que estamos de pernas entrelaçadas com palavras que nos farão chorar; percebo também que me queres resguardar de tudo isso - e amo-te ainda mais por isso. Só que também percebo que eu sou tu, e que tu és eu, e que partilharmos as nossas pernas e o nosso calor é partilharmos tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois tu olhas para os meus olhos, dizes palavras carinhosas, e eu desapareço no rio do meu amor. Olho para a Lua de Prata a brilhar e penso na felicidade para além do mundo, acima dele. E nas minhas pernas entrelaçadas nas tuas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111110033691043080?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111110033691043080/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111110033691043080' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111110033691043080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111110033691043080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/entrelaados.html' title='Entrelaçados'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111088629621251203</id><published>2005-03-26T01:15:00.000Z</published><updated>2005-03-26T01:09:52.113Z</updated><title type='text'>Excerto do conto "Pesadelo Segundo"</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Saiu de casa para a noite adorada e para um frio que lhe provocava doces arrepios por todo o corpo. Fechou e revirou os olhos, desfrutando daquela sensação da qual nunca se cansava. Daquele prazer no meio de tanta confusão. A sua pele estava completamente arrepiada: ela olhou para os seus braços desnudos e afagou-os – era assim que se sentia bem, era com este frio que conseguia conviver e sentir-se mais viva. O dia oprimia-a com o seu calor, com o seu bulício e com as anónimas pessoas a viajar, cada uma enfiada num pequeno mundo de origem e destino, de tarefas a cumprir e de desorganizações interiores que o Sol fazia esquecer. Não gostava de como os raios do astro-rei influenciavam todas as coisas e as magoavam, parecendo que apenas as iluminava. Só com a escuridão de um céu pintalgado de estrelas e da presença da branca, pálida e resplandecente Lua é que conseguia sentir alguma ligação, alguma empatia com o mundo que a rodeava. Estava parada à beira do passeio, à espera de ver a sombra dele projectada no pavimento, os passos dele a aproximarem-se, o som do vento que se levantava a fazer esvoaçar o casaco comprido dele... As pequenas coisas, os pequenos pormenores que lhe davam um sentido de beleza a tudo. Uma beleza negra, secreta e oculta, cheia de luxúria e sofrimento combinados, onde todas as coisas perdiam o significado para se transformarem numa mesma acepção de Beleza universal que preenchia todos os sentidos e que lhe mostrava o outro lado da existência diurna dos transeuntes que, para grande desgraça dela, se roçavam no seu ser, na sua existência, manchando-lhe a pele com traços de uma luminosidade dourada execrável e conspurcada pelo suor humano, pelas penitências do calor e do horror. Aqui, nada disso existia. Apenas a benfazeja sensação de libertação, de poder abrir os braços e conseguir agarrar a noite por um momento fugaz e feliz de inspiração. Era a sensação de conseguir mostrar quem realmente era que dava a Cátia o seu desejo de permanecer numa noite eterna, em que tudo fosse sempre um pouco mais escuro para que cada um pudesse brilhar por si mesmo, ao invés de viver toldado pela luminescência do Sol. A Lua não sufocava ninguém, a Lua não tinha crueldade em si... Cátia olhou para cima, mas apenas conseguiu vislumbrar as estrelas distantes... carrascos demasiado afastados que viam o seu poder também anulado pelo Sol e que, de tão longe que estavam, tinham aqui papéis inversos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ele estava a chegar finalmente. Primeiro foi o barulho das botas que ela tanto gostava, depois foi o som da sua voz a cantar baixinho uma música de que ela gostava ainda mais. Por fim, foi a sua negra figura a contornar a esquina que a fez alegrar-se e entristecer-se ao mesmo tempo. Havia aquela sensação de felicidade e de bem-estar de quando eles estavam juntos, de quando se beijavam e tocavam; ao mesmo tempo havia a ansiedade de tudo aquilo que ela tinha para lhe contar e também o facto de apenas lhe poder transmitir receios ao invés de confirmações ou desmentidos. Tudo aquilo poderia significar o princípio de uma nova vida, mas isso significaria o fim das vidas deles; ou poderia significar o fim de uma vida, o que acarretaria preços que Cátia não conseguia compreender ainda. Agora tinha, porém, de se preocupar com não preocupar demasiado a única pessoa que a amava. Tinha também de se preocupar consigo mesma. Ele amava-a e ela sabia-o, mas não conseguia afastar de si o medo paralisante e infernal de que ele se afastasse para todo o sempre. Se assim fosse, não conseguiria sobreviver. Não seria capaz de resistir a uma vida inteira passada sem aquela pessoa que a tinha salvo do esquecimento e da decadência de uma morte quase certa por oblívio. Ele significava tudo aquilo por que ela tinha lutado, significava a estabilidade que nunca antes tinha tido na sua vida: sem essa estabilidade, como conseguiria prosseguir a sua vida asquerosa? Como seria ela capaz de suportar o contacto com uma população luminosa, carregada com o fardo do Sol, com o fardo do completo desvendamento? Não seria. Além disso, sem ele, não teria coragem para fazer aquilo que era obrigatório. Se ele lhe falhasse agora... Não, não podia pensar nisso! Mas a ideia estava lá, insidiosamente plantada pela eterna dúvida, por uma insegurança omnipresente que sempre tinha marcado a existência de Cátia... uma fome devoradora de ser amada e um medo explosivo de ser rejeitada depois de ter confiado em alguém. Como uma felina na noite, Cátia procurava olhar em todas as direcções da sua vida, procurando quem a quisesse caçar, quem procurasse prejudicá-la. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O primeiro contacto entre os olhos de ambos transmitiu a Cátia uma calma imensa. Ele tinha esse poder, ele tinha o poder de aproximá-la mais da sua própria humanidade para que ela se abrisse ao mundo, mesmo que ao nocturno. Os seus lábios tocaram-se longamente, a mão direita dele passou por detrás do pescoço dela e a mão esquerda dela acariciou-lhe o rosto enquanto ela o beijava sofregamente, com medo de que aquele fosse o derradeiro beijo, enquanto as suas línguas brincavam demorada e ferozmente nas bocas de ambos, trocando saliva, trocando afectos e subentendidas dedicações de amor e de prazer... de luxúria... A mesma luxúria que tinha levado a isto. Foi este pensamento que a fez abrandar um pouco mais, que a impediu de embarcar no curso de emoções que o desejo fazia espalhar no corpo dela.&lt;br /&gt;Interromperam o beijo. Ela olhou-o profundamente nos olhos e lembrou-se do pesadelo que tinha tido. Nestes olhos, porém, o que ela viu foi diferente: viu desejo, viu amor, viu dedicação de corpo e alma. Os olhos estavam fixos, não se mexiam: ele sujeitava-se ao escrutínio dela de livre vontade, sem fazer a ela o mesmo. A proximidade era tal que conseguiam sentir a respiração um do outro a bater-lhes na face, que conseguiam ver cada pormenor daquelas peles brancas e enregeladas. A tensão era grande, mas Cátia sabia que este não era ainda o momento. Tinha que aproveitar estes momentos de felicidade amorosa como sendo os últimos, só depois arriscaria a dizer-lhe exactamente o que se tinha passado. Tudo o que importava era que eles ficassem juntos. Por esse desejo qualquer coisa valeria a pena. Ela não queria afastá-lo, ela não queria afastar-se. Doloroso ou não, ela tinha que fazer alguma coisa... faria aquilo que a mantivesse perto dele. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Amo-te. – disse ela, serenamente, enquanto o fixava. Algo que parecia tão banal foi dito com a maior das intensidades. Ela queria transmitir força e também veracidade nas suas palavras. Queria que ele soubesse que aquela era a maior e a mais importante verdade para ela naquele momento. Ele sorriu antes de responder-lhe. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu também te amo. Muito mesmo. Nada neste mundo vai mudar isso. – terminou beijando-a na boca novamente, com doçura e suavidade. Eles abraçaram-se com força, durante alguns instantes. Cátia procurava ter dentro de si a segurança necessária para ter a coragem de lhe contar as notícias; ele procurava mais uma vez assegurar-se de que tudo aquilo era mais do que um mero sonho, procurava reconfortar Cátia, pois tinha já percebido que algo não estava bem com ela. A proximidade daquele momento recordava a ambos uma mesma situação não muito distante no tempo, se bem que por razões diferentes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ela quebrou o contacto e colocou-se ao lado dele, dando-lhe a mão. Começaram a caminhar lentamente. De cada vez que passavam por debaixo de um candeeiro involuntariamente franziam o sobrolho para proteger os olhos daquele globo de luz que perturbava a de outro modo intocada escuridão que os protegia de tudo, mesmo deles próprios. Caminhavam lado a lado, os passos perfeitamente sincronizados, os corpos em harmonia, os braços estendidos ao lado do corpo, rígidos, sem qualquer movimento a não ser o de um dedo que ocasionalmente afagava a mão que segurava. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ele esperava. Enquanto isso, ela tentava pensar em mil e uma maneiras para começar um tal discurso. Nenhuma lhe pareceu suficientemente apaziguadora, nenhuma lhe pareceu decente: eram todas cruéis, eram todas o espelho de uma verdade que tinha de ser dita apenas por obrigação, por necessidade. Sim, ela estava dividida e sabia-o bem. A clareza de mente permitia-lhe saber racionalmente aquilo que era necessário fazer, mas dentro de si existia algo que recusava esta ideia, que queria sacrificar tudo àquele acontecimento. Somente as questões práticas a fariam agir contra aquilo que, dentro de si, desejava; somente isso a faria ir contra as suas próprias convicções. Era também por isso que, de certa forma, tinha medo. Se ele estivesse disposto a sacrificar tudo, ela não resistiria e a sua parte racional sucumbiria. Alguns anos depois iria arrepender-se (e mais uma vez a memória do pesadelo que teve mostrou-lhe o horror de uma possibilidade bem exequível), mas ela estava a viver no agora, num agora onde só existia ela, ele e a Lua. Sentiu-se momentaneamente enojada por ter de pôr um fim àquela noite que estava a correr tão bem... Porém, tinha de ser feito e, entrementes, tinha pensado numa forma de iniciar a conversa que o deixaria minimamente... atordoado, talvez... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Amor... – começou, olhando em frente, fitando o vazio que tanto adorava, vendo o vapor da sua respiração a dissipar-se no ar. – Aquela noite... foi espectacular, sabias? Adorei ter estado contigo, adorei ter sentido o teu corpo junto do meu, o toque das tuas mãos em mim... os momentos que partilhámos. Foi uma experiência que nunca esquecerei, amor. – apertou a mão dele com força. Se ela estivesse a olhar para ele, poderia ter visto o sorriso dele a alargar-se, o brilho nos olhos de orgulho e contentamento, de pura felicidade. Era a primeira vez que ela tinha dito algo tão positivo sobre aquela noite de escaldante contacto entre dois corpos quase desconhecidos. As palavras lutavam dentro dele para saírem, para lhe garantirem a mesma coisa, mil vezes mais, se necessário fosse! Gaguejou por um momento, mas logo se recompôs. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Oh, amor, eu também adorei ter estado contigo! Foi a melhor noite da minha vida, a sério! Quero repetir aquele momento as vezes todas que quiseres... Passo imenso tempo a pensar nisso, a pensar em ti, a desejar estar contigo, ao teu lado, perto de onde possa tocar-te, beijar-te... – a emoção estava num crescendo, ele a olhar para ela, nem se importando com o facto de o olhar dela se manter fixo em frente... mas ela cortou-lhe a palavra súbita e bruscamente. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu tenho uma coisa para te contar, amor. Eu sei que isto vai ser difícil de ouvir, mas tem que ser... – as frases foram despejadas rapidamente, antes que ela perdesse a coragem. O sorriso dele desapareceu naquele mesmo instante. O coração de ambos estava mais acelerado, a respiração tinha-se tornado superficial e havia algo dentro deles que parecia faltar, como se uma parte das suas entranhas tivesse perdido a sua consistência e se tivesse liquefeito. Ela não lhe deixou tempo para perguntar o que se passava, querendo arrumar a questão de uma só vez. – Eu estou grávida, amor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Silêncio. Os passos pararam porque eles pararam. O barulho de vozes era coisa do passado. Os ruídos nocturnos tinham-se eclipsado. Ele caiu num estupor por alguns momentos, tentando absorver a informação que lhe chegava, incrédulo. Piscou os olhos várias vezes, como se isso fosse ajudar a aclarar a situação; a boca abria-se e fechava-se como se fosse um peixe fora de água e não conseguisse respirar. Entretanto, Cátia tinha fechado os olhos e baixado ligeiramente a cabeça para esconder a lágrima solitária que lhe escorria agora pela face esquerda... que continuou até ter chegado aos seus lábios, até ela a ter lambido e provado o seu salgado sabor, tão diferente do sangue que por vezes também saboreava. A mais completa imobilidade entre eles. Uma calma sepulcral... não! Uma calma lunar – uma imutabilidade de algo que está ali, que parece ficar sempre igual, com matemática precisão. ...Algum movimento... As mãos dele tremiam, afinal. Ela estava a tentar controlar os soluços e por isso tremia também. Alguma barreira se tinha quebrado e o frio parecia estar a entrar nos seus corpos, o mesmo tão bem-amado frio que agora os fazia tremer involuntariamente. Ele parecia derrotado, como se tivesse sido fisicamente atacado por alguém muito mais poderoso. Algo no seu cérebro se parecia agitar, negando o horror. A língua finalmente ganhara a mobilidade necessária para transmitir discurso inteligível. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Mas... mas... nós usámos... eu... Tens a certeza? Já... – palavras soltas, ideias que o assaltavam, que ela compreendia tão bem.&lt;br /&gt;Não podia negar que estava à espera de uma atitude ligeiramente mais carinhosa, mas também é verdade que percebera o seu choque. Afinal de contas, era verdade, eles tinham tomado precauções. Triste rebelde destino que parece reservar sempre sofrimento a mais do que a justa conta a quem mostra não mais querer sofrer... Porém, a verdade é que ela tinha a certeza. A certeza absoluta e científica. Não havia como escapar a essa verdade inegável. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Tenho a certeza sim, amor. – a voz queria sair firme, mas era impossível esconder as modulações de um sofrimento que se tentava calar.&lt;br /&gt;A reacção que ela esperara aconteceu então. Abandonando toda a compostura, abandonando a consciência de onde estavam, ele lançou-se nos braços dela, agarrou-a fortemente, a chorar, a murmurar ao ouvido dela pequenas frases que supostamente a iriam reconfortar. Também ela sucumbiu à tempestade interior. Nunca fora capaz de controlar decentemente as suas emoções, e se o tinha tentado fazer até aqui era só para não perturbá-lo ainda mais. Isso era agora desnecessário. Dois vultos negros numa negra e estreita rua, banhados pela luz eléctrica e dolorosamente artificial de um candeeiro público e pelo natural brilho difuso de uma Lua desesperadamente longe de qualquer um deles, de qualquer apreensão ou capacidade de conforto psicológico. Agora estavam ali apenas ela e ele. E um candeeiro. Um candeeiro que não trazia nenhum tipo de iluminação para aquela situação – mais uma vez, a artificialidade da vida falhada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Mas então temos que... fazer qualquer coisa! Não podes... – a frase dele ficou suspensa a meio. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu sei. – as lágrimas recomeçaram mais intensamente a escorrer pela cara de Cátia. Ainda agora tinha pensado naquele momento e já ele estava a acontecer. O fim de uma vida que nem sequer tinha tido hipótese de começar, um amor que estaria para sempre ensombrado pela lembrança desse mesmo facto, que nunca mais seria igual. Algo ali tinha mudado. Talvez tivesse sido pelo facto de ele ter sido demasiado pragmático, talvez tivesse sido pelo olhar dele... Algo tinha, sem dúvida alguma, sido alterado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ela afastou-se dele. Um pequeno passo para trás. Depois outro. Virou-se e começou a correr em direcção a casa. Nesse mesmo momento o vento libertou uma rajada de fúria. Ele ficou especado. Ela correu. Uma noite sem saída.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[Excerto de "Noites Sem Saída" da minha autoria]&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111088629621251203?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111088629621251203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111088629621251203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111088629621251203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111088629621251203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/excerto-do-conto-pesadelo-segundo.html' title='Excerto do conto &quot;Pesadelo Segundo&quot;'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111175621922127502</id><published>2005-03-25T13:07:00.000Z</published><updated>2005-03-25T13:10:19.223Z</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>Quero dar as boas vindas ao &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; &lt;a href="http://espelhonegro.blogspot.com/"&gt; Espelho Negro&lt;/a&gt;, que me parece (porque conheço a autora) fadado a grandes obras e grandes &lt;i&gt;posts&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometeu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111175621922127502?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111175621922127502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111175621922127502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111175621922127502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111175621922127502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/nota-do-autor.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111088503545878403</id><published>2005-03-24T01:00:00.000Z</published><updated>2005-03-24T00:54:55.950Z</updated><title type='text'>Inversão</title><content type='html'>Com uma faca cortei a minha mão e o sangue escorreu para cima. Percebi a inversão do meu mundo que me tinha confundido: com tudo do avesso, não poderia esperar fazer sentido de andar com os pés na Terra. Fiquei entre o cair para cima e afogar-me debaixo das cabeças de quem passava por cima de mim e olhava para baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111088503545878403?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111088503545878403/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111088503545878403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111088503545878403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111088503545878403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/inverso.html' title='Inversão'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111063428531849720</id><published>2005-03-22T00:12:00.000Z</published><updated>2005-03-22T00:04:56.336Z</updated><title type='text'>Putrefacção</title><content type='html'>Eu estava deitado e alguém me estava a levar. Conseguia ouvir vozes à minha volta e sentia que estava num lugar escuro, sem luz. Ao mesmo tempo, sentia-me sonolento, talvez pela falta de oxigénio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguia também ouvir pessoas a chorar. Tudo aquilo me pareceu muito esquisito: talvez eu estivesse a sonhar... Mas o sítio onde eu estava abanava um pouco e era incómodo. Certamente não estava a sonhar. Acabaram por me pousar passado pouco tempo, e eu continuava sem conseguir perceber o que lá fora se dizia. Era estranho como aparentemente toda a gente murmurava uns para os outros; ocasionalmente um arranco do que parecia ser alguém a chorar. Mesmo por entre a confusão da minha sonolência eu estava a achar tudo aquilo incrivelmente estranho. Depois consegui perceber que estavam a movimentar-me de novo, nesta vez na vertical. Pousaram-me com um baque surdo e começaram a atirar para cima de onde eu estava alguma coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra?... Caixão! Eu estava a ser enterrado! VIVO! E já estava fraco demais para me conseguir mexer, as minhas leves pancadas nem sequer eram audíveis por cima do som da terra a bater secamente no caixão. Imediatamente comecei a imaginar o meu corpo a apodrecer, a começar a desfazer-se aos bocados, a tresandar; a minha carne a ser penetrada por insectos que se vinham banquetear de mim, aos quais eu serviria de refeição e maternidade da sua amaldiçoada progénie!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei daquele sonho para iniciar a rotina do dia-a-dia, só desejei que não tivesse sido verdadeiramente um sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111063428531849720?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111063428531849720/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111063428531849720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111063428531849720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111063428531849720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/putrefaco.html' title='Putrefacção'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111046226150788352</id><published>2005-03-18T00:45:00.000Z</published><updated>2005-03-20T00:54:06.586Z</updated><title type='text'>Prisão</title><content type='html'>Escuro e apertado. É assim o sítio onde eu estou. Respirar é difícil, os movimentos são penosos. Queria fugir, mas não consigo. Estou completamente amarrado. Estou preso dentro de um sítio que não compreendo perfeitamente, que me assenta como se tivesse sido feito à medida inversa da minha vontade de me libertar. Olho em redor e vou vendo as coisas de um limitadíssimo prisma, o único que é possível ver de onde estou. Olho numa direcção, depois noutra: entretanto perdi a primeira. Perco-me dentro deste sítio, ele tem espaços e segredos que não desvendo de forma alguma, por muito que tenha tentado. E dói. É doloroso estar aqui. É enervante estar aqui. Tudo é tão desproporcional. Tenho tamanho a mais para estar aqui. Como foi que ainda nada se partiu? Eu movo-me tão pesadamente porque esta não é a escala de quem eu sou. A graciosidade não é para mim porque simplesmente ela está fora do meu alcance físico. Outros, vejo-os a andar sem tropeçar em nada, sem sequer vacilarem nos seus passos: leves e quase etéreos - mas eu não. Estou amarrado ao quadrado do infinito. De cada vez que embato contra alguma coisa, consigo realmente sentir a dilaceração. É algo de perfeitamente real, que há quem não tenha sentido. Se calhar esses não estão presos, apesar de estarem ao meu lado. Ou então não têm o meu tamanho... Não sei, não consigo avaliar as escalas destas dimensões tão bem como faço com outras coisas. Mas sei que a leveza deles contrasta horrivelmente com o meu tamanho, com o meu peso, com as minhas vontades que se traduzem em acções desastradas. Por muito que me tente mexer, por muito que faça algum esforço para conseguir soltar-me e para ganhar a liberdade por que anseio há tanto tempo, simplesmente continuo no mesmo sítio, irrevogavelmente preso. Sim, eu sei que não há escapatória. Eu sei que não há saída porque nem sequer há entrada. Eu sei que esta condenação é para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que eu sinto-me tão grande...! Sinto que nos meus cabelos poderiam dançar supernovas, que nas minhas mãos morreriam estrelas velhas e que me banharia com os jactos de matéria e energia que saem dos buracos negros. Sinto que poderia tocar num planeta com a ponta do dedo e logo ele se tornaria verdejante, ou então pó galáctico. Que com um mero pensamento mudaria os cursos dos rios e faria o vento voltear à minha volta para eu me poder sentir como se voasse. Sinto-me até como se conseguisse voar! Um olhar para o infinito, um mero acto de vontade e escapar-me-ia para o ar, depois para o vácuo, e percorreria num instante momentaneamente infinito todo o Universo, e para além do próprio Universo, ajudando a desdobrar e a revelar o espaço e o tempo. E eu estaria assim solto e estaria na posse da minha graciosidade, a que está à minha escala, a que tem o poder de me fazer feliz para além de qualquer descrição que se possa associar a esta palavra!!! Seria finalmente livre de me desdobrar, de me revelar, de explodir, de implodir, de mover-me nas 4 dimensões e inventar uma quinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que estou preso. Dentro do meu corpo. Eu sou tão grande e o meu corpo é tão pequeno porquê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111046226150788352?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111046226150788352/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111046226150788352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111046226150788352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111046226150788352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/priso.html' title='Prisão'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111030609184869767</id><published>2005-03-16T18:45:00.000Z</published><updated>2005-03-16T18:40:05.626Z</updated><title type='text'>Reflexo</title><content type='html'>De cada vez que me olho ao espelho, tenho uma enorme tendência de o partir. De cada vez que vejo aquela reflexão no espelho, começo a odiar o próprio conceito de espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia a dia, hora a hora, as nossas mentes torturadas com estigmas, as nossas vidas penetradas por ideias feitas e enlatadas numa qualquer fábrica muito muito longe, fora do alcance da nossa imaginação; escondidas por detrás da férrea vontade de quem nos verga as espinhas com pesos. Basta sair à rua. Basta não sair de casa. Basta estar acordado, e também basta dormir. Em todos os momentos as mãos invisíveis e intrusivas entram dentro dos nossos crânios, remexem por entre a nossa massa encefálica e se deleitam a rasgar as ligações do bom-senso, da realidade e da objectividade. Depois retiram-se e quando acordamos temos a sensação que a cabeça está pesada, que não dormimos como deve ser... Sem sabermos que durante a noite a privacidade das nossas mentes foi invadida. Porque tudo aquilo que nos invade durante a noite é tão-somente o resultado da ebulição, mistura e fermentação de tudo o que comemos durante o dia, de toda a actividade em que nos empenhámos ou em que alguém se empenhou em nos impingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. Não odeio a minha aparência. Odeio a humanidade. Aquela que se curva. Aquela que gosta de descer ao esgoto, que se manda para debaixo dos camiões que passam pelas estradas secundárias e pelas ruas sem saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111030609184869767?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111030609184869767/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111030609184869767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111030609184869767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111030609184869767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/reflexo.html' title='Reflexo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-111005843542798383</id><published>2005-03-14T00:22:00.000Z</published><updated>2005-03-14T00:17:27.320Z</updated><title type='text'>Leve toque</title><content type='html'>Tocaste nas minhas feridas e elas sararam. Tocaste nos meus olhos e eles passaram a ver. Tudo isto sem qualquer sobrenatural apelo; apenas com a força do teu ser. Tudo aquilo que consegues tocar sofre imediata transmutação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que o meu coração esteja fora do teu alcance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-111005843542798383?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/111005843542798383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=111005843542798383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111005843542798383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/111005843542798383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/leve-toque.html' title='Leve toque'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110927135703170647</id><published>2005-03-12T12:00:00.000Z</published><updated>2005-03-12T13:17:15.660Z</updated><title type='text'>Neblina</title><content type='html'>Via-te distante e silenciosamente caminhando sobre todos os terrenos que defronte ti se entrepunham e te tentavam sublime ou agresivamente tolher-te da tua estrada, por ti escolhida e voluntariamente marcada como destino dos teus pés sedentos de caminhar eternamente num sôfrego absorver de vida e luz interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que os teus cabelos adejavam perto de mim - a apenas alguns metros - eu suspirava. Não, não era paixão; muito menos era um arrebatador amor à primeira vista (o contra-senso que a própria expressão é!!). Sentia-te longe e queria saber quem eras, queria saber se tudo o que se dizia de ti era tão mentira como eu supunha. Queria ver para além dos fumos da ilusão que - supunha eu - espalhavas ao teu redor. Eu conseguia sentir-lhe o cheiro, conseguia ver a ligeira perturbação no ar. Andavas sempre envolta numa neblina estranha, que fazia com que os olhares dos demais escorregassem de ti para fora, que os impedia de fixar com atenção o olhar em ti, que os distraía e os punha a pensar em tudo menos em ti. Sabes, eu também gostava de ter esse teu poder mágico, mas não... em mim todos os olhares escarninhos se fixam e me deixam imóvel no centro da ribalta, ansioso e de movimentos presos, hesitante e sem saber exactamente como viver a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que essa tua barreira não funcionava comigo. Muito pelo contrário, eu ficava inexoravelmente apanhado no difuso brilho que ela emitia em teu redor. Queria ultrapassar o teu nevoeiro, chegar-me perto de ti e dizer-te algo que te fizesse reparar em mim. Mas ainda não tinha reunido coragem para isso. Ficava apenas a olhar-te de longe, a desejar ter-te como minha amiga. Entretanto, todos os outros pensavam que eu me apaixonara: uma daquelas loucuras passageiras que não deixam grande marca e logo perdem o interesse. Mal sabiam eles que a profundidade do que eu sentia ultrapassava completamente a mera paixão, que atravessava todas as camadas do Amor para chegar à mais profunda de todas. Eu sentia (unilateralmente, claro) que éramos como almas gémeas, como irmãos gémeos separados à nascença e que a nossa afinidade suplantava quaisquer processos naturais ou de relações atribuladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que eu apenas te via passar, dentro dessa neblina... Não sabia mais nada. Sozinho, no meio da multidão, com todos os olhares que resvalavam de ti para virem cair em cima de mim. Frustração eterna, tanto quanto o teu caminhar me afasta de ti e te afasta de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110927135703170647?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110927135703170647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110927135703170647' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110927135703170647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110927135703170647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/neblina.html' title='Neblina'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110920254517328286</id><published>2005-03-10T13:11:00.000Z</published><updated>2005-03-10T13:05:50.013Z</updated><title type='text'>Primevo</title><content type='html'>Disseram-me que se eu gritasse, me ouviriam. Disseram-me que se eu conseguisse chamar a atenção das outras pessoas, teria por fim aquilo que queria. Então, depois de ouvir constantemente a mesma coisa, fiquei convencido de que até podia ser verdade, até podia haver ali o princípio de uma ideia interessante e que valesse a pena explorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí para a rua, sob o sol invernal das 4 horas da tarde e deambulei pela cidade atarefada com os seus pequenos afazeres. As pessoas acotovelavam-se à minha volta, as pessoas passavam por mim e nem me viam. Ainda assim, um leve sorriso perpassou-me a cara: em breve iria fazer aquilo que me disseram para fazer (porque era remédio santo) e tudo isso mudaria! As artérias da cidade são como as nossas artérias: quanto mais trabalham, mais enchem. Mas de forma díspar das nossas, elas não se alargam para deixar passar um pouco mais do fluxo humano, ficam rigidamente no mesmo sítio, onde as fizeram. Culpa dos pouco previdentes arquitectos e projectistas dos espaços que ficarão futuramente ainda mais impossíveis, mais intransitáveis...(O que seria se as ruas se pudessem alargar sem prejuízo dos prédios e afins construções?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi uma praça larga, cheia de gente àquela hora, que tinha uma estátua bem no centro. Mostrava uma gloriosa cena de guerra, com um qualquer herói que não conhecia a espisotear os inimigos... Quanta beleza contém a carnificina, aparentemente, para que a escolhamos como adorno de cidades, espelhos de uma suposta identidade. Perto ouvi um guia turístico a contar a história daquela batalha com fogoso entusiasmo, com um orgulho nacional exacerbado, quase rebentando uma veia com toda a comoção. Rapazito novo, que certamente fazia aquilo pela primeira vez; queria imprimir um cunho de autenticidade e fazer mergulhar a sua audiência no espírito do que tinha sido uma brava conquista. De facto, as caras iluminavam-se, e os olhos vidrados pareciam estar a assistir a uma qualquer cena mesmo ali, como se por passe de mágica tivessem sido transportados daquele &lt;i&gt;continuum&lt;/i&gt; espaço-tempo. Não sei onde é que eles estavam, porque no passado não podia ser de certeza - como é que alguém apresentaria uma tal expressão ao ver membros decepados, cabeças a rolar pelo chão, corpos espezinhados por cavalos em fúria, trespassados por setas perdidas, chacinados por espadas afiadas e lanças pontiagudas? (Depois vão para casa e horrorizam-se com as atrocidades do presente... como?! Como?!) Eu juro que fechei os olhos e tentei imaginar-me dentro da cena como realmente se passou - admito também que, apesar de fraca tentativa, o meu estômago começou a protestar muito depressa e eu não quis insistir. O que me lembrou que eu estava ali com um propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reuni o máximo de ar que consegui nos pulmões e gritei com o máximo de volume que consegui. Não pronunciei palavra alguma, gritei simplesmente. As pessoas começaram a olhar para mim! (Estava então a funcionar! Oh, a alegria!) Repeti a operação, e as pessoas começaram a afastar-se sensivelmente de mim. O guia, contrariado por terem distraído a audiência, afastou os turistas dali... (?!)(Naquelas guerras o que havia mais era gente a gritar, e eu era só um! Para onde tinha ido o espírito de imersão na experiência da gloriosa vitória?) Comecei a ficar perturbado: não era aquilo que queria. Resolvi articular palavras: "Aproximem-se! Quero-vos, irmãos, semelhantes!" A minha garganta já doía, mas as palavras lá saíram e ecoaram pelas paredes que, distantes, me rodeavam. Cada vez mais as pessoas criavam uma cratera de nada à minha volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi calar o primevo grito de mim. Afinal tinham-me enganado. As pessoas afastavam-se conforme eu abandonei aquele sítio. Como sempre o tinham feito, de uma forma ou de outra. Apenas mais uma prova da inefável solidão. Mas que fazer com o grito primevo em mim? Calei-o por agora... E amanhã? Voltarei a tentar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110920254517328286?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110920254517328286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110920254517328286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110920254517328286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110920254517328286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/primevo.html' title='Primevo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110900033463188709</id><published>2005-03-08T00:20:00.000Z</published><updated>2005-03-08T00:20:15.846Z</updated><title type='text'>Arrependimento</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Tu és todas aquelas vozes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu sou o barulho de uma ferida a fechar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E de outra a abrir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Fernando Ribeiro&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto sentia o calor da água do banho em que estava deitado, sentia também um abandono quase etéreo do meu corpo. O desfalecimento dos sentidos, o abandonar do vigor da vida... o torpor que se sente sempre nestas ocasiões em que a mente relaxa e o corpo a acompanha... Olho para cima, olho para o tecto branco que está agora carregado de humidade (ou, pelo menos, assim o adivinho... a minha miopia não me deixa ver realmente aquilo para onde olho – nisto, como noutras coisas, a nossa biologia muito se aproxima da nossa metafísica, e aquilo que vemos por nós mesmos não é senão uma pálida e confusa massa daquilo que existe realmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois, como um acto de uma vontade externa a mim que se impõe, começo a pensar no tempo que vivi, nas coisas que vi enquanto deambulava por um mundo alienígena. Penso nas pessoas que vi, que conheci, que amei e odiei, que senti sempre tão longe, tão afastadas de mim por uma qualquer invisível parede... &lt;br /&gt; (A minha mente começa a perder a capacidade de se concentrar numa só coisa, e agora é a música que me entra pelos ouvidos que se destaca, uma música específica que se repete: ouço London After Midnight, ouço o vocalista a dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Is this life, this degradation?&lt;br /&gt;  Pointless game, humiliation…&lt;br /&gt;  Born to die, we’re born to lose&lt;br /&gt;  And not one choice we make we choose”…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Só consigo pensar que ele tem razão. Um jogo sem sentido, no qual cada um de nós é individualmente vencido, derrotado por todas as forças que se conjugam no momento do nascimento e no momento da morte se afastam.&lt;br /&gt; Passaram apenas alguns segundos desde que tudo começou, mas parecem horas que se arrastam pelos corredores dos hospitais em penosas queixas e murmúrios de insatisfação... Olho para a água que rodeia o meu corpo nu: o seu tom rosáceo torna-se divertido aos meus olhos! Só de pensar que, como numa espécie de retorno, também este ambiente tem essa cor reconfortante, rodeada pelo branco dos azulejos... Um pouco como a maternidade que me viu nascer. Um pouco como um segundo nascimento, mas, desta feita, um nascimento consciente de outra ordem, de uma diferente importância para quem sou.&lt;br /&gt; Começo a sentir a tal sonolência. Benfazeja, já te esperava há muito! Fiz tudo para que te pudesses instalar, e mesmo assim tanto tempo que tu demoraste! As pálpebras cerram-se. Largo o x-ato que tinha na mão esquerda... A dor do pulso direito torna-se, ao mesmo tempo, maior e menor; oscila segundo a minha consciência vacilante.&lt;br /&gt; Subitamente, uma ideia! Todas as escolhas que fiz, fui eu a fazê-las, fui eu que escolhi escolher, fui eu que nasci livre e que assumi a minha liberdade, há muito tempo atrás, sentado na cadeira de uma aula de Filosofia! Então existia ali algo que poderia ser explorado, algo que tinha de ser vivido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ou não... Ao longe, o sino da igreja assinala as três horas da manhã... Mais perto de mim, o ribombar frenético de pancadas violentas na porta trancada, que apenas escuto parcialmente. Os meus lábios articulam a palavra “desculpa”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110900033463188709?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110900033463188709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110900033463188709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110900033463188709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110900033463188709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/arrependimento.html' title='Arrependimento'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110893623841740828</id><published>2005-03-06T00:00:00.000Z</published><updated>2005-03-05T23:57:01.716Z</updated><title type='text'>Na caverna</title><content type='html'>Só a areia da praia é que me parecia terreno suficientemente confortável para eu andar; tudo o resto era demasiado rígido, demasiado compacto e concreto para mim. Assim, sempre tinha a volubilidade das areias, que nunca estão exactamente no mesmo sítio, nem nunca ficam exactamente no mesmo sítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através das minhas pernas, o mar penetrava a caverna fazendo um ruído... cavernoso. Ergui a minha voz sobre o barulho do mar, e lancei um grito: "Porquê?" O eco morreu depressa por causa da interferência do ruído do mar lá dentro e a resposta não apareceu. Aquela tinha sido a minha última louca aposta para descobrir. Aparentemente vou ficar sem saber o que te levou a fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que era isso que querias?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110893623841740828?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110893623841740828/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110893623841740828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110893623841740828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110893623841740828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/na-caverna.html' title='Na caverna'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110875845955539674</id><published>2005-03-02T20:20:00.000Z</published><updated>2005-03-02T20:35:29.353Z</updated><title type='text'>Alucinação</title><content type='html'>Continuava a sentir-me como se alguém me estivesse a pressionar a cara contra o chão, apesar de há muito tempo ter recuperado. Quase que conseguia lembrar o sabor do asfalto, se esticasse a língua para fora da minha boca. Fechei os olhos para tentar esconjurar a imagem do meu inconsciente, mas ela insistia em permanecer ali, em querer que eu nunca me esquecesse do que tinha acontecido. Sentia a fatalidade a abater-se sobre mim, sentia o perigo a rodear a minha percepção das coisas, a alterar a forma como olhava em redor. Buscava o inimigo, a ameaça que viria certamente a concretizar-se no momento em que me atrevesse a piscar os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenos barulhos conseguiam fazer o meu coração quase saltar para fora do peito, e sentia na minha pele mil formigueiros de sensibilidade aparentemente aumentada; os sentidos aguçados em face do perigo. O roçagar de tecido à minha volta parecia rebentar aos meus ouvidos como o prenúncio de uma tempestade furiosa e perfeitamente selvagem. Estava calor, mas o suor frio que se espalhava pelas minhas costas impedia-me de sentir esse mesmo calor: não saberia sequer que estava calor senão pelas manchas de suor que via em quem me rodeava, bem como pelo aspecto ameaçador que o Sol tinha, lá em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento aproximava-se, eu sentia-o, eu sabia-o. O barulho que se ouvia à minha volta assemelhava-se a uma vibração grave e aguda e grave e aguda... Era agora! Este era o momento! O vermelho apagou-se e o verde acendeu-se - nervosamente pus o pé na estrada para a atravessar, levado pelo mar de pequenas formigas tão grandes e anónimas como eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110875845955539674?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110875845955539674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110875845955539674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110875845955539674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110875845955539674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/03/alucinao.html' title='Alucinação'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110866614349718324</id><published>2005-02-28T00:47:00.000Z</published><updated>2005-02-28T00:44:35.470Z</updated><title type='text'>Ciclo</title><content type='html'>Saí à rua e um relâmpago poderoso e coriscante atingiu-me directamente no peito. Caí ao chão e o fogo começou a crepitar em mim. Choveu e a chuva apagou o fogo, lavou-me e purificou-me. O tempo passou e eu era agora a Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir-me um ciclo completo com tudo o que vejo à minha volta é tão difícil como sentir-me completo em mim mesmo. Desejando sempre algo diferente, algo mais para além de nós, a nossa insatisfação leva-nos aos meandros da infelicidade de ser eu e ele e todos os outros juntos, mas sempre eternamente separados pela fina linha da identidade que consegue fugir à generalização de um crescimento tão semelhante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110866614349718324?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110866614349718324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110866614349718324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110866614349718324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110866614349718324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/ciclo.html' title='Ciclo'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110866581820260006</id><published>2005-02-26T02:34:00.000Z</published><updated>2005-02-26T02:31:32.353Z</updated><title type='text'>Sono</title><content type='html'>Tenho sono. Perdido na canção suave da noite que me embala, tenho sono. Depois de um dia de sol abrasador sobre mim, tenho sono. Depois do desgaste inusitado da minha pele contra a tua, das minhas mãos encostadas às tuas, da minha cara junto à tua, tenho sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de te ver morta, uma bala perdida na tua cabeça, tenho sono. Sono eterno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110866581820260006?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110866581820260006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110866581820260006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110866581820260006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110866581820260006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/sono.html' title='Sono'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110841746976720646</id><published>2005-02-24T00:00:00.000Z</published><updated>2005-02-23T23:50:41.473Z</updated><title type='text'>Corpos</title><content type='html'>A música que está a tocar ajuda à atmosfera, mas é um pequeno elemento; apenas mais uma coisa que se junta a todas as outras. Ao vinho que me deste a beber, suave e hipnotizante; ao cheiro do incenso que entra pelas minhas narinas com o efeito de uma droga que me rouba o autodomínio; à visão do teu próprio corpo por cima desse vestido justo e de um vermelho-escuro que me perturba não sei bem porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximas-te de mim muito lentamente, como se o mundo girasse em câmara lenta e tu não o quisesses perturbar e pões os teus braços à volta do meu pescoço: não, não vais dançar, claro, porque a música não o permite. Vens apenas ficar mais próxima de mim, vens apenas para que o teu perfume se entranhe também em mim e entre em mim, se misture com o incenso... As tuas mãos afagam-me as costas em círculos, consigo sentir as tuas unhas através da minha camisa. Depois, as palmas das mãos a descerem... a passarem pela minha cintura... a apalparem-me atrás... Mordes o lábio inferior com os incisivos enquanto me olhas nos olhos. O meu desejo apenas consegue aumentar. Como consigo resistir-te? Não consigo. Lanço também os meus braços à tua volta e procuro beijar-te. Viras a cara: provocas-me. Desequilibro-te para te tentar obrigar a cair sobre o sofá que está mesmo ao nosso lado, mas tu resistes ainda. Por fim, cedes - ou tomas o controlo - e a tua língua invade a minha boca com uma fúria que eu não esperava, e as nossas línguas retorcem-se e acariciam-se mutuamente, ora na boca de um, ora na boca de outro. Começo a tentar despir-te no meio da confusão de membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por breves instantes, a minha consciência dá sinal de vida por entre toda a concupiscência. A excitação levada ao extremo, algo que já não sentia há muito tempo, tem ainda em si espaço para alguma racionalidade. Penso que talvez não devesse ir fornicar com uma mulher que conheci há tão pouco tempo... Estranhamente, a música que está a tocar dá-me a resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"When done with me&lt;br /&gt;forget if you think I feel ashamed.&lt;br /&gt;A wild thing&lt;br /&gt;never felt sorry for anything."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos nos olhos, ambos toldados pela antecipação do prazer, devoramo-nos e ascendemos ao plano máximo da existência humana carnal. Mais do que uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Nota: Música "Bare Grace Misery", &lt;i&gt;Nightwish&lt;/i&gt;]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110841746976720646?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110841746976720646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110841746976720646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110841746976720646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110841746976720646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/corpos.html' title='Corpos'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110833351610421246</id><published>2005-02-22T00:00:00.000Z</published><updated>2005-02-21T23:51:41.513Z</updated><title type='text'>Quarto crescente</title><content type='html'>Por fim tinha conseguido aquilo que queria! Por fim, aquela coisa a que chamam felicidade! Ali, à minha frente! Diverti-me tanto! Jantámos, fomos ao cinema e para acabar a noite fomos passear para perto do rio, a ver a Lua reflectida nas águas apenas ocasionalmente perturbadas pelo rumorejar distante de um qualquer barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos dedos já se tinham aninhado uns nos outros e tudo estava calmo; mesmo o vento tinha amainado apenas para nós. Decidi parar e tu paraste também. Olhei-te nos olhos. Não sei se sabes, mas os olhos foram uma das primeiras coisas para as quais olhei quando te vi pela primeira vez. Não têm nenhuma cor exótica, eu sei. São de um castanho bastante claro, mas têm uma outra particularidade muito mais significativa - é através deles que consigo ver o que se passa contigo. Diz-se sempre que "os olhos são o espelho da alma", mas essa expressão ganha alguma palidez quando se compara com a forma como um simples olhar teu pode transmitir uma panóplia de sentimentos que parece nunca mais acabar. Naquele momento o teu olhar transmitia uma ternura sem paralelo, algo que - confesso-o - nunca antes me tinha sido dirigido plenamente. Certamente terás amado e sido amada por muitas pessoas... eu não tive a mesma sorte. Só agora consigo perceber o que é que essa palavra quer dizer, pelo menos agora estou a começar a descobrir. Até aqui, tinha satisfeito o corpo sempre que possível (e nem nisso tinha tido grande sorte), mas agora começo a perceber porque é que a paixão é tão avassaladoramente boa. Porque é que a paixão nos rouba a consciência de tudo o que não está directamente relacionado com a felicidade que sentimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse as palavras que sentia explodirem dentro de mim, impressionando até a mim mesmo, tanto pelo conteúdo, como pela rapidez de como tudo se tinha precipitado. Olhei-te nos olhos e disse "Amo-te". E tu sorriste para mim. Não consigo descrever o sentimento de puro êxtase e felicidade que sobreveio na minha alma nesse momento. Fechaste os olhos, mantendo esse teu lindo e sublime sorriso e beijaste os meus lábios docemente. Abraçámo-nos e continuamos a beijar-nos debaixo da Lua em fase crescente. O arco de Cupido disparara sobre nós... sobre mim, pelo menos! Se soubesses o tempo que eu esperei por isto!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Acordei de repente, sozinho na cama, soergui-me e vi que eram cinco da manhã. Amaldiçoei a chuva que me fizera acordar e que me tirara do sonho perfeito. Voltei a deitar-me na esperança de retomar o sonho, antes de ter que acordar de novo para ir para o trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110833351610421246?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110833351610421246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110833351610421246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110833351610421246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110833351610421246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/quarto-crescente.html' title='Quarto crescente'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110815329480583320</id><published>2005-02-20T00:00:00.000Z</published><updated>2005-02-19T23:56:20.663Z</updated><title type='text'>Antiga casa</title><content type='html'>Passo a passo, aproximava-me daquele sítio onde tantas e tão horríveis memórias estavam guardadas. Passo a passo, tudo regressava à minha memória, poluíndo todos os meus sentidos com &lt;i&gt;flashbacks&lt;/i&gt; do que se tinha passado. O suor frio começou a fazer-se sentir debaixo dos meus braços, acompanhado com uma sensação de subsequente desconforto. Parecia mesmo que a própria temperatura tinha baixado apenas para me dar suores frios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei em redor. A casa estava em ruínas, o alpendre estava quase a cair e a tinta, outrora de uma branca pureza, estava agora lascada, suja, carcomida... Em suma, a plena podridão. Foi ali que passei tantos momentos felizes! Foi ali que brinquei no jardim (que agora mais parecia um matagal de sujidade, lixo e ervas por cortar) com toda a minha família, que celebrei mil e uma festas por mil e uma razões diferentes, foi ali que aprendi a andar, a falar, a amar. Só que agora estava tudo em ruínas. E todas aquelas recordações eram demasiadamente dolorosas para eu conseguir ali ficar muito tempo. Entrei de novo no carro e arranquei dali para fora, fugindo de mim próprio, fugindo do medo de me lembrar exactamente daquela felicidade toda e do medo de que toda essa felicidade passada me fosse atirar para dentro de mais um poço de negra escuridão depressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparar aqueles doces anos com o resto da minha vida era demais. E que metáfora era aquele velho edifício! Todas as velhas recordações destruídas, toda a felicidade abandonada no rio do tempo. No fim, apenas eu: escombros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110815329480583320?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110815329480583320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110815329480583320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110815329480583320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110815329480583320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/antiga-casa.html' title='Antiga casa'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110800458786443947</id><published>2005-02-18T00:33:00.000Z</published><updated>2005-02-18T00:31:34.020Z</updated><title type='text'>Anjo de pedra</title><content type='html'>O portão era de ferro forte e maciço, mas o tempo tinha já carcomido a fechadura, mais frágil e enferrujada, que se abriu quase instantaneamente, como se movida pelo meu desejo. Entrei. Andei por ali, em silêncio, observando as esculturas mais elaboradas e ignorando as mais pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido há quase três anos que tinhas desaparecido da minha vista. Assim, sem deixar qualquer rasto. Procurei-te, pus todos os meios disponíveis para te encontrar em funcionamento - tudo me parecia em vão, tudo me parecia hediondamente lento, quase como se o mundo estivesse a gozar comigo! Só muito tempo depois (mais tempo do que aquele que a minha esperança sobrevivera) é que eu soube que afinal ainda estavas viva. Presa, maltratada, abusada e sodomizada, mas viva. Raptada... Aquelas coisas que só acontecem a uns poucos infelizes, tendo eu tido a infelicidade de ser o "infeliz da porta do lado" (do meu vizinho). Vi imagens tuas, vi filmes onde te faziam entrar e fazer as coisas mais degradantes. Quis berrar porque quis estar louco, quis não acreditar naquilo que via, quis pensar que era tudo um pesadelo, mas não era. Fiquei a olhar o ecrã do computador durante muito tempo depois de ter visto as provas de que vivias ainda, apesar de longe demais... Estava a tentar perceber tudo aquilo. Só mesmo a tentar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era esse episódio que estar ali me fazia recordar. Mas desta vez eu não tinha vindo sozinho, tinha trazido companhia feminina. Sentámo-nos os dois na relva que crescia, lentamente, para fora da terra fértil. Olhámos um para o outro, olhos nos olhos, e começámos a beijar-nos na boca. Algo se libertou dentro de mim e eu consegui deixar-me entregar à luxúria que tanto tempo atrás tinha sido castrada por imagens horríveis. Ali mesmo, consumi a minha fome. Ali mesmo a possuí, fui possuído por ela. Olhando para nós com os seus olhos de pedra, um daqueles misericordiosos anjos - figura poderosa tão fartamente presente em cemitérios como aquele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110800458786443947?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110800458786443947/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110800458786443947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110800458786443947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110800458786443947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/anjo-de-pedra.html' title='Anjo de pedra'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110867912705197698</id><published>2005-02-17T22:21:00.000Z</published><updated>2005-02-17T22:25:27.053Z</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>Em menos de um mês, já foram ultrapassadas quinhentas visitas a este &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;. A todos os que contribuiram para este número, que me deixa bem contente, um muitíssimo grande e caloroso &lt;b&gt;obrigado&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mais uma vez, convido todos os que o desejarem a manifestar-se, desde que com respeito mútuo e com pertinência, tanto para o bem como para o mal. Avizinha-se uma época de mais trabalho, mas tentarei sempre cumprir a cadência a que me propus. Espero também poder contar com as vossas visitas regulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço,&lt;br /&gt;Prometeu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110867912705197698?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110867912705197698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110867912705197698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110867912705197698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110867912705197698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/nota-do-autor_17.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110746882843975078</id><published>2005-02-16T00:00:00.000Z</published><updated>2005-02-16T00:25:53.403Z</updated><title type='text'>Tempos</title><content type='html'>Saí de casa para ir comprar alguma peça de roupa: o meu guarda-fatos estava a abarrotar de peças velhas, antigas, ou mesmo antiquíssimas. Tirar algo dali para vestir e sair à rua era como fazer uma viagem no tempo para o passado... ou uma bolha de tempo separada do meio onde me movia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar no centro comercial, garanto que fiquei assustado: já há muito que não ia a um sítio daqueles e não estava habituado às multidões e ao calor. O calor!... tive que tirar o casaco e ficar em camisa, em pleno Inverno! Estranho... Lá consegui encontrar a loja: ainda mais pessoas, todas amontoadas, a agarrar nesta ou naquela peça de roupa, a irem experimentá-la. E tudo aquilo às claras: eram visíveis as manchas de suor nas camisas dos respeitáveis senhores e das cuidadas senhoras - logo os mesmos fluídos se iriam espalhar a outra roupa que experimentassem e assim sucessivamente, numa mistura nojenta de sujidade deste e daquele! Andei por ali a ver se havia alguma coisa que me agradasse, passando entre os expositores e os encontrões dos apressados, sentindo no ar o cheiro do desejo material e da inveja social; venenos que se misturavam num aroma acre, bastante humano e ao mesmo tempo bastante bestial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava a sentir o lanche às voltas no meu estômago. Agarrei qualquer coisa, paguei e saí apressadamente. Por mero instinto, olhei para cima para ver se o dia ia adiantado: apenas o betão e a tinta me corresponderam, deixando-me exactamente na mesma. Procurei um relógio algures: todos os que existiam estavam errados, sabia-o. Morbidamente estranho - pretendendo eu actualizar-me, tinha que ir a um sítio onde também existia a aparência de que o tempo era algo surreal. Ali era dia e noite ao mesmo tempo, sempre. Quem não tivesse consigo forma de medir o tempo, tãopouco o conseguiria fazer naquele lugar; tudo tinha sido preparado para enclausurar a mente do comprador numa bolha de imutabilidade e para o atrair para as montras falsamente brilhantes. Resolvi esquecer que queria saber as horas e saí dali para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressei a casa perturbado, regressei a um ponto de referência onde podia recuperar a minha paz. E, ao mesmo tempo, a um ponto onde a paz vinha da sua imutabilidade, do facto de estar preso no tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110746882843975078?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110746882843975078/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110746882843975078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110746882843975078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110746882843975078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/tempos.html' title='Tempos'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110738748850180172</id><published>2005-02-14T00:31:00.000Z</published><updated>2005-02-14T00:29:59.043Z</updated><title type='text'>Argumentos</title><content type='html'>Era ao volante de um carro que me conseguia sentir bem. Que conseguia libertar a minha tensão acumulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguimos discutir mais uma vez. Não sei como, mas devemos, com certeza, bater algum &lt;i&gt;record&lt;/i&gt; de discussões consecutivas. Hoje foi mais um daqueles episódios que mais valia conseguir esquecer; mas que permanece, que se acumula aos outros, que escorre em mim para vir encher a ampulheta da minha impaciência. Se tão-somente pudesses dar-me um pouco de paz...!&lt;br /&gt;Sim, eu sei que ontem cheguei tarde a casa; sim, eu sei que ontem não atendi o telefone da empresa; sim, eu sei que vinha muito cansado mesmo, para quem esteve em frente a um computador a rever textos! Eu sei todas essas coisas: passaram-se comigo! Mas não: sentes que tens que perguntar tudo, que tens que questionar tudo, tens que saber cada passo que dei desde que saíste de pé de mim! Porquê?! Porque é que me obrigas a mentir-te e a inventar desculpas? Sim, eu sei que estive com outra mulher, mas simplesmente porque já não suporto esses teus interrogatórios, porque me sufocas em preocupações, porque aquilo que sinto... ...ainda não mudou completamente. Eu ainda te amo, mas sinto-me furioso contigo por me obrigares a fazer isto! Eu não queria, a sério! Tenta não me possuir, tenta não me prender! NÃO ME PRENDAS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro voou contra o &lt;i&gt;rail&lt;/i&gt; de protecção e embateu de frente contra o monte em que a estrada tinha sido escavada. A explosão que se vê nos filmes não aconteceu, mas o carro foi comprimido, e com ele também eu fui despedaçado, estraçalhado... Morri. Ridícula, a minha morte. ...Tal como as minhas desculpas a mim próprio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110738748850180172?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110738748850180172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110738748850180172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110738748850180172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110738748850180172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/argumentos.html' title='Argumentos'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110711364844383879</id><published>2005-02-12T00:20:00.000Z</published><updated>2005-02-14T00:26:55.026Z</updated><title type='text'>Memória</title><content type='html'>A limpidez da água quase me assustou: não tinha a certeza de estar em frente a um rio ou a uma corrente de platina líquida e brilhante; talvez até mesmo em frente a um espelho nunca antes visto. Eu podia olhar para mim mesmo baixando os olhos. Podia ver-me em toda a minha simplicidade e em toda a minha postura ligeiramente corcovada pelos espancamentos sucessivos que o meu espírito tinha levado ao longo de toda a sua vida. Não resisti à tentação de me pôr de joelhos e de mergulhar a minha mão ali. Uma sensação esquisita perpassou-me todo o braço. Um arrepio espalhou-se pelo corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma sensação de liberdade que nunca antes conhecera. Era sentir que podia ter tudo o que queria ali mesmo. Comecei a despir-me; com cada peça de roupa que saía, mais feliz eu ficava! Mergulhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era difícil nadar ali. A água não era bem... água... Era espessa, estranha... agarrava-se a mim... Só que já não importava - finalmente estava livre. E, apesar de me estar a afogar, que bem me sabiam as águas do Letes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110711364844383879?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110711364844383879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110711364844383879' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110711364844383879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110711364844383879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/memria.html' title='Memória'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110701892110571211</id><published>2005-02-10T02:41:00.000Z</published><updated>2005-02-10T02:40:08.480Z</updated><title type='text'>Lua</title><content type='html'>A Lua brilhava no céu nocturno e eu uivava à Lua. É daquelas coisas que toda a gente devia fazer - ao invés, preferem ficar presos nas suas gaiolas de comportamento exemplar, feitas de respeito, orgulho e preconceito. A Lua estava cheia: eu simplesmente &lt;i&gt;tinha&lt;/i&gt; que uivar! Nunca o fizeram?! Então não critiquem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação mais estranha atingiu-me então. Todo o cansaço de uma vida vivida a correr parecia evaporar-se com cada uivo agudo que fazia penetrar a escuridão, e ao mesmo tempo parecia que eu me estava a encolher sobre mim mesmo. Tudo estava tão diferente... Consegui atingir aquele estado de comunhão com o que me rodeava (lá alto, no espaço, presa à Terra, mas num movimento de mútua dependência), algo que nunca antes me acontecera. Eu espalhava-me agora por entre todas as estrelas do universo, percorria tudo e era tudo, a uma velocidade incomparavelmente superior à da luz, sem descanso e sem cansaço, estando consciente de todas as coisas em mim e de mim em todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo acabou, eu era um lobo. Saí para tentar encontrar a floresta mais próxima ao abrigo da noite. A minha vida estava a começar finalmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110701892110571211?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110701892110571211/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110701892110571211' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110701892110571211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110701892110571211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/lua.html' title='Lua'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110700162025884358</id><published>2005-02-08T00:17:00.000Z</published><updated>2005-02-08T00:15:26.290Z</updated><title type='text'>Destruir uma pena</title><content type='html'>Matem-me porque eu canto a vida que vivem. Assassinem-me porque eu não vos embalo em doces histórias de felicidade eterna; cuspam-me em cima porque arranco pedaços de carne à essência metafísica humana. Violem-me porque eu violo a beleza intrínseca das palavras, ao usá-las para mostrar a decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, esqueçam-se de tudo o que leram, afoguem-se em belas histórias e tentem encompassá-las com a vossa vida. Enlouqueçam a fazê-lo - mais não conseguem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110700162025884358?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110700162025884358/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110700162025884358' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110700162025884358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110700162025884358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/destruir-uma-pena.html' title='Destruir uma pena'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110700140517060884</id><published>2005-02-06T00:04:00.000Z</published><updated>2005-02-06T00:03:29.740Z</updated><title type='text'>Saturar</title><content type='html'>Sabes que mais? Fartei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias te sussurrava aos ouvidos algo belo, todos os dias dizia que te amava, todos os dias te mostrava como a minha alma era um caldeirão borbulhante de forças vitais querendo sair de mim, querendo encontrar, não o caminho para o teu corpo, mas sim o caminho para o teu coração, o caminho que te fizesse acreditar que eu realmente te amava. Mas fartei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, comecei a alardear o meu amor aos quatro ventos, como se fosse um megafone a quem tinham esquecido de desligar, ou como se o infernal Cerbero tivesse começado a uivar com a sua tríplice potência, ameaçando engolir o mundo no meu amor por ti. As próprias pedras começaram a chorar por mim, meu amor. A vibração que de mim emanava era superior a qualquer abalo, a qualquer Armagedão, a qualquer morticínio alguma vez perpretado por mão humana ou divina. Mas fartei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando julgava que já não conseguia mais suportar aquilo, comecei a tentar odiar-te. Comecei a tentar ver em ti a caixa de Pandora, a fonte de todos os tormentos, o próprio Pecado Original personificado, a decadência e a Morte. Só que tentar conspurcar a tua essência ia-me enlouquecendo. Tentar violar a minha imagem de ti era como expôr-me à abrasão de um milhão de sóis sobre mim, enquanto a outra parte era sugada para um buraco negro, perdendo qualquer noção de realidade no horizonte de eventos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que desisti. Só o silêncio te ocupa a existência agora, pelo menos da minha parte. Pode ser que assim te faça falta o rumorejar das minhas palavras em ti. Talvez agora te livres dessa excrescência que te tapava os ouvidos - faz o que quiseres, porque ao ter-me calado, desisti de ti. Perdoa-me mas... fartei-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110700140517060884?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110700140517060884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110700140517060884' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110700140517060884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110700140517060884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/saturar.html' title='Saturar'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110686266570461677</id><published>2005-02-04T00:20:00.000Z</published><updated>2005-02-04T00:19:30.066Z</updated><title type='text'>No mar</title><content type='html'>Estar dentro de água sempre me fez sentir bem. Talvez a ausência de gravidade, talvez a renovada destreza de quem se arrasta por terra e que vê ali uma forma de ganhar uma graciosidade que não possui no seu elemento natural. Ao mesmo tempo, perdida a acuidade da visão. Era quase perfeito não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje te vi passar à frente da minha janela. Pensei que talvez pudesses ter reparado em mim, mas caminhavas ostensivamente em frente, mulher que luta contra as adversidades como uma rocha que luta contra o vento: parece sempre incólume, mas pouco a pouco cede à inexorável vontade de se erodir, de deixar que a sua essência se espalhe e se misture. Só então as conseguimos apreciar, parece. Olhamos as rochas que estão à beira-mar como incómodas, mas gostamos da areia que pisamos, esquecendo que para que pudéssemos desfrutar das areias cálidas ou escaldantes, húmidas ou ensopadas, tiveram primeiro as rochas de abandonar a sua identidade, tiveram de ser mortas, camada a camada, grão a grão, arrancando de si aquilo que as constitui. Admirei essa força em ti, mas, ao mesmo tempo, sabia-te condenada a cair. Se querias ter sucesso, os teus filhos eram prejudicados; se querias ter sucesso, o teu trabalho era quase uma prostituição do corpo e da alma, agarrada a quotas sexistas; se querias sucesso, tinhas que compreender que tinhas que deixar de ser mulher. Eras assim erodida. E quando deixasses de ser mulher por completo, quando deixasses de ser completamente tu, ou atingirias o sucesso, ou serias completamente desprezada por ti mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginei-te então louca, ao passares pela minha janela. Imaginei-te em procura de uma quimera que te faria perderes toda a sensação, todo o sentimento. E imaginei também que poderias estar ao meu lado. É claro que provavelmente não terias a mesma projecção que tens agora (afinal de contas, quem sou eu?!), mas pelo menos terias felicidade. E eu também... Quer dizer, não achas que o dinheiro dá real felicidade, pois não? Se calhar até achas... nesse caso não seria capaz de dar-te felicidade... Só que tenho também que pensar na minha felicidade, não é?! A tua é mais importante para mim porque te amo - o problema é que tu não me amas e a tua felicidade é mais importante também para ti e nesse caso, porque me deveria eu preocupar com a tua? É claro que parte da minha felicidade depende da tua felicidade, só que a tua felicidade anula a minha felicidade... ... ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulho outra vez e ouço o silêncio com ruído de fundo que se consegue captar de forma harmoniosa apenas no mar. Gostava de ter em mim a capacidade de emitir chamamentos que percorreriam quilómetros nas águas agitadas, vencendo a distância e fazendo-me crescer para além de mim mesmo. Só que o mar sabe que eu não sou de lá e expulsa-me, afugenta-me, afoga-me, aborta-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110686266570461677?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110686266570461677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110686266570461677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110686266570461677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110686266570461677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/no-mar.html' title='No mar'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110680225735716394</id><published>2005-02-02T02:09:00.000Z</published><updated>2005-02-02T02:07:24.473Z</updated><title type='text'>Escola</title><content type='html'>Quanta crueldade... as criancinhas, tão adoradas e mimadas, os monstros de amanhã, os facínoras, ditadores e assassinos, os polítitos, ladrões e mentirosos, os trapaceiros, bem-sucedidos e falidos. Tudo nas criancinhas que brincam no recreio de uma escola. Pensando bem no caso, dali sairão os futuros violadores, que irão arrancar as cuecas a mulheres que agora são da idade deles, que vivem noutro sítio qualquer - ou até mesmo ali perto, quem sabe?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com uma vontade extrema de fazer explodir aquilo tudo. Afinal, se não houver futuro, não há sofrimento, certo? Mas faltavam-me as bombas, ou a dinamite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para casa e comecei a escavar dentro de mim. Tentei ir o mais fundo que conseguia na minha memória, sempre na esperança de encontrar aquele momento singular que me transformou na pessoa que sou hoje. Sim, não sabiam? A vida não é um fenómeno contínuo no espaço e no tempo! Nós vivemos certos dias decisivos, em que tudo está desequilibrado e em que alguma decisão é tomada; fora isso, apenas pomos a vida em pausa e ficamos a ver pastar... ou a pastar, consoante o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o resultado da escavação foi interessante: aparentemente não me consigo lembrar de algo tão antigo. Perdi uma parte da minha vida, então... Volto a entrar dentro de mim: agora preciso de uma confirmação, preciso de alguma coisa que me restaure a certeza que eu sou eu, ou algo do género. As salas dentro de mim são muitas. Vagueio mais ou menos sem saber o que faço, vou furando através de espaços oníricos e caixotes com pesadelos encerrados há muito. Começo a sentir uma certa leveza na cabeça; sou atraído por um perfume que paira no ar, mas que é mais forte numa dada direcção. Subo as escadas para baixo e entro num corredor diagonal que quase roça a quarta dimensão. É ali dentro que encontro as longas sessões de espancamento que o meu pai me costumava dar, com uma fivela de metal, ou mesmo com uma régua de alumínio, esburacada (a imitar uma menina-dos-cinco-olhos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí apressado e em pânico. Percebia agora porque é que os facínoras vinham dali: era ali que o poder se exercia sem controle, era ali que os novos reprimidos esperavam o momento da submissão em que fossem despidos de tudo o que lhes é pessoal e condenados a não ser mais do que o fedor que rodeia uma estrebaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110680225735716394?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110680225735716394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110680225735716394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110680225735716394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110680225735716394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/escola.html' title='Escola'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110721462159694860</id><published>2005-02-01T00:00:00.000Z</published><updated>2005-01-31T23:37:01.596Z</updated><title type='text'>Nota do Autor</title><content type='html'>Já se passou uma primeira semana em que vi a forma como os leitores reagiam ao &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;, feito a título experimental. A princípio, não estava certo sobre se seria uma boa ideia fazê-lo; mas decidi-me e, segundo parece, as críticas têm sido suficientemente boas para que valha a pena continuar a publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço desde já todos e quaisquer comentários e críticas (desde que construtivas, claro) feitas por todo e qualquer leitor; aproveito também para avisar que, a partir de agora, tendo passado esta primeira fase de teste, as publicações serão feitas de dois em dois dias, ao invés de diariamente, o que permite que cada &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; seja lido com mais atenção e tenha mais impacto durante um período maior de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Entretanto, perguntam-se vocês uns aos outros quem será a pessoa que assina "mestra".  Tentem descobrir... pelo menos quem me conhece...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110721462159694860?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110721462159694860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110721462159694860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110721462159694860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110721462159694860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/02/nota-do-autor.html' title='Nota do Autor'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110677542532971381</id><published>2005-01-31T00:00:00.000Z</published><updated>2005-01-30T23:57:11.296Z</updated><title type='text'>Dez anos depois</title><content type='html'>A rua era íngreme, mas eu não me importava. Ia ter contigo. Estava a chover, eu não tinha chapéu, nem os prédios tinham varandas que me pudessem proteger da chuva. Não fazia mal, eu ia ter contigo, ia ter com o meu amor finalmente. Eram estas as palavras que me estavam a correr na cabeça. A verdade é que, depois de ter pensado nelas, espequei. Ali, no meio da chuva. Ri-me com gosto:«é isto que o amor nos faz... tira-nos a inspiração e só sabemos dizer leviandades estúpidas, palavrinhas minúsculas e quase sem nexo, repetidas até se gastarem!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida com ódio é uma vida forte. É uma vida que pode ser de medo, pode ser de raiva, pode ser de solidão e de vingança; também pode ser destas coisas todas. Só que a vida com ódio é uma vida eloquente. As palavras existem às miríades para expressarmos o nosso ódio. É por isso que nunca nos conseguimos elevar como humanos: a nossa língua é a lingua do ódio, é a Língua Negra de Mordor e nem sequer nos apercebemos. Só mesmo quando nos queremos apaixonar é que vemos que o amor é tacanho, fraco e pouco eloquente, que perde toda a suavidade da seda, passando sempre aos mesmos &lt;i&gt;clichés&lt;/i&gt;, tal é a forma como o condicionamento feito sobre nós é forte. Esmaga-nos. Estar enamorado é estar esmagado debaixo de um penedo que nos vai torturando pouco a pouco, mas com a vantagem de não o sentirmos - inundados de endorfinas, cercados por feromonas e pelo cheiro quente a sexo. O ódio, frio e mais calculista, deixa-nos pensar, mas o amor obstrui-nos todos os poros, deixa-nos o corpo inundado de nada a não ser amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi-te no fundo da rua. Olhei para ti e aproximei-me a correr. Beijaste-me na boca. Conseguia sentir o sabor do que tinhas acabado de comer: um bolo qualquer, cheio de creme, de certeza. Bolas, sabes bem que eu não gosto desse sabor na minha boca! Eu nem sequer como bolos e agora tenho que te vir beijar com esse sabor?! Afastei-me com alguma brusquidão, mas alguma saliva dela tinha ficado na minha boca (dentro de mim, portanto!) e o sabor também não saía, por muita saliva que tentasse engolir! Abri a minha boca para a chuva torrencial, para tentar lavar-me. Para tentar apagar a minha lembrança física de ti: afogavas-me a alma em amor, quando a minha alma estava a arder no inferno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa lembrança nojenta e asquerosa de quem eu era antigamente foi a última coisa que me veio à mente antes de me suicidar, 10 anos, dois meses e sete dias depois desse acontecimento. O que poderia ter sido da minha vida se não te tivesse deixado? A pergunta cruel, não é?... Agora não interessa, estou longe de tudo. Mas ainda me tortura a dúvida, mesmo quando o sangue corre difuso para fora de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110677542532971381?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110677542532971381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110677542532971381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110677542532971381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110677542532971381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/dez-anos-depois.html' title='Dez anos depois'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110671259388090377</id><published>2005-01-30T00:00:00.000Z</published><updated>2005-01-30T00:22:11.053Z</updated><title type='text'>Ícaro renovado</title><content type='html'>Bastava erguer os braços e lá ia eu pelos ares, rompendo todas as camadas de átomos que se misturam na atmosfera, sentindo o peso que a gravidade me impõe a todas as alturas a abandonar-me lentamente, como se me fosse levantado (não, recuso-me a dizer "de cima dos ombros" ou "de cima de mim") o jugo que me tinham imposto quando me condenaram a não ser por predefinição uma criatura alada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora tudo tinha mudado, agora eu conseguia romper as barreiras estreitas e castradoras que me tinham imposto (pensavam eles que permanentemente) e podia ver as coisas de uma nova forma, mais aérea, mais abrangente da totalidade que, afinal, é a melhor forma de ver as coisas. Quando estava com os pés bem assentes na terra, era isso que me fazia lamentar a minha falta de sorte: só conseguia uma perspectiva que nem 180º graus tinha, uma perspectiva reduzida e minúscula, como se a realidade fosse tudo aquilo que eu podia ver num determinado momento e nada mais do que isso. É natural que eu continuava limitado (biologicamente falando) a uma visão não-omnisciente. O que mudara é que agora a minha visão conseguia abarcar mais mundo, mais realidade, mais verdade, por conseguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O busílis é que, passado muito pouco tempo deste meu maravilhoso voo inaugural, comecei a aborrecer-me de tudo aquilo. Olhava para baixo, vendo a rua transformar-se em quarteirão, o quarteirão em bairro, o bairro em cidade... não preciso de continuar, pois não? Que treta, aquilo tudo! Era igualzinho a nada a não ser a si mesmo! (E àquela distância, começava mesmo a não se parecer com absolutamente nada!) O que me fez passar para a orografia do que via... Depois para um plano maior da Geografia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuava a subir, inebriado em tantas coisas que agora conseguia ver! Sempre, sempre mais, sem limites para nada! Acabei por parar de olhar para baixo: estava farto daquela mesquinhez toda! Foi com grande ânsia que levantei a cabeça e vi o grande e glorioso Sol!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ceguei instantaneamente. Perdido em termos de cima e baixo, continuei a voar até à camada superior da atmosfera e na minha baralhação subi ainda mais. O oxigénio não era suficiente. Desmaiei. Caí... o meu corpo começou a desfazer-se em pó enquanto era incinerado pela reentrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110671259388090377?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110671259388090377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110671259388090377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110671259388090377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110671259388090377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/caro-renovado.html' title='Ícaro renovado'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110662294719933824</id><published>2005-01-29T01:52:00.000Z</published><updated>2005-01-29T01:52:40.186Z</updated><title type='text'>O frio</title><content type='html'>Era um vulcão e eu estava a tentar perceber se ele queria que eu me lançasse lá para dentro. O cheiro a enxofre fez-me pensar que nunca tinha estado tão perto do inferno, o que quer que fosse isso, e tal pensamento confortou-me. Bastava pensar que todas as coisas boas (i.e., proibidas) estão no inferno para se perceber o meu entusiasmo. Desci a encosta escarpada do cone. As minhas mãos não conseguiam sentir nem sequer o calor da lava que estava tão próxima, tal a quantidade de adrenalina que escorria pelas minhas veias inchadas do calor e da pressão sanguínea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um passo em falso e seria o meu fim. A ideia fez-me ter uma tontura - causalidade ou casualidade? (Se as palavras vos pareceram iguais, leiam mais devagar: o cérebro prega-nos destas partidas...) Agarrei-me com força, até os nós dos dedos ficarem brancos... amarelados... bom, o que lhe quiserem chamar. A verdade é que eu ia por ali abaixo, através de uma escadaria natural que parecia ter sido feita para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, não sei muito bem como, já estava de frente para aquele caldeirão vermelho, pedra ruborizada por comentários que a Mãe Terra lhe faz e liquefeita pelas pancadas das placas tectónicas, ou do manto, ou do núcleo sólido. Num acto de pura coragem dei um passo em frente e assisti ao solidificar da lava debaixo dos meus pés. Outro passo, o mesmo processo. Olhei confuso para o chão negro como a noite... Por falar em negrume, o céu estava a escurecer. Olhei para cima por puro instinto: um eclipse solar total. Por alguma razão a posição de diamante estava sem diamante. De súbito, apercebi-me do que se estava a passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para confirmar: despi a camisa e pus a minha mão direita sobre o lado esquerdo-centro do peito. Os dedos começaram-se a afundar na carne e em pouco tempo o coração estava já do lado de fora do meu corpo, ainda agarrado a alguma carne, com a aorta a palpitar loucamente; a temperatura baixou imediatamente. Fechei os olhos e abanei a cabeça mas não chorei: a lágrima congelaria. Repentinamente furioso, arranquei por completo o coração e esmaguei-o entre os meus dedos. Uma súbita rajada de frio espalhou-se pelo mundo e tudo congelou. Pelo menos para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110662294719933824?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110662294719933824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110662294719933824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110662294719933824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110662294719933824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/o-frio.html' title='O frio'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110661921803011025</id><published>2005-01-28T00:00:00.000Z</published><updated>2005-01-28T00:00:05.250Z</updated><title type='text'>Mãe</title><content type='html'>Num singular momento da vida dele, o coração parou. Não parou de bater realmente, mas para ele o mundo parou - o coração tinha que acompanhar o mundo na paragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha chegado mais cedo do trabalho, porque o patrão o tinha dispensado. Ia agora para casa da mãe, onde vivia - oh, a galhofa que isso era entre os colegas! Um homem de quase trinta anos a viver com a mãe! Eles ficavam minutos sem fim a rir-se dele!! Naquele dia, porém, não se tinham rido: tinham gargalhado a alto e bom som, as vibrações estrepitosas atravessando as divisórias e atingindo-o na cabeça, deixando-o como se tivesse a escorrer sangue dos ouvidos para o chão por lhe terem rebentado os tímpanos com um picador de gelo afiado... e ainda assim o som das gargalhadas infernais entrava-lhe por todos os poros, poluindo-o, manchando a sua auto-estima de forma irreparável. Quando o chefe lhe dissera que se podia ir embora, a sua alegria era apenas natural. Saiu sem falar a mais ninguém, sem sequer agradecer ao chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho era curto, mas de cada vez que o fazia tinha que escalar a maior montanha de que alguém alguma vez ouvira falar, bem como descer ao Fosso das Marianas, tudo ao mesmo tempo - subir e descer, rasgar a alma em duas e deixar a parte infernal subir para a salvação e a parte angelical descer para a corrupção. O ponto de reencontro, em que a metade direita do seu corpo se voltava a fundir com a parte esquerda, num sangrento e abjecto ritual, era à porta da sua casa. Ele quase que podia jurar que o chão ficava imperceptivelmente mais escuro a cada vez que ele regressava a casa; jurá-lo-ia se isso não fosse uma contradição. Como poderia ele aperceber-se do imperceptível, ele que nem sequer se apercebera de como uma única palavra tinha destruído o seu casamento numa noite de bebedeira e folia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia, meteu a chave na fechadura, entrou em causa e soltou um "Olá" jovial. Ouviu um barulho arranhado feito por uma garganta que não reconheceu e o som de metal a ser forçado por um sacão abrupto. Quando olhou na direcção das escadas viu a mãe pendurada por uma corda atada a um dos varões do corrimão, viva (e a estrebuchar contra vontade própria, dir-se-ia). As lágrimas corriam da sua face: ela não tinha querido que o filho visse o suicídio, que contrariedade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então o coração parara, com o resto do mundo. Ele sentia-se tão estúpido: nem sequer tinha conseguido deixar a mãe suicidar-se em paz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110661921803011025?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110661921803011025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110661921803011025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110661921803011025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110661921803011025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/me.html' title='Mãe'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110661476407294120</id><published>2005-01-27T00:05:00.000Z</published><updated>2005-01-27T00:04:37.950Z</updated><title type='text'>Depois...</title><content type='html'>Era já noite... provavelmente 3 da manhã, ou assim. Não sabia porque o quarto era interior e não tinha nenhum relógio à mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo dela estava encostado ao meu. Estava calor debaixo dos lençóis todos, e os pontos onde os nosso corpos se encontravam começavam agora a ficar suados de novo. Ao mesmo tempo, estava por ali uma maldita corrente de ar que causava impressão. «Vou acabar por me constipar se continuo assim, bolas!» Mas não me mexi dali. Não a queria acordar. Pensei bem naquilo, mas mesmo com muita concentração: «Fogo, mas afinal o que é isto?! O &lt;i&gt;cliché&lt;/i&gt; diz que é o gajo que adormece, não a gaja! O mais engraçado são aquelas descrições super-românticas que aparecem nos livros e nos filmes, como se depois de tudo, ainda houvesse paciência para aquelas coisas todas...!» Resmunguei para mim mesmo algo incompreensível e olhei para a cara dela, que estava virada para mim. Não tinha aquele ar de quem está a dormir em paz e tranquilidade. Tinha uma cara perturbada. Já não me importei se ela acordava ou não... Desentrelacei as minhas pernas das dela, levantei-me e vesti as calças de luz apagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma. Mais uma pessoa que me tinha lançado nas ardentes fornalhas da indecisão, do medo, da insegurança total e completa, mesmo depois de se ter entregue a mim com o que me pareceu uma paixão e um desejo insaciáveis. Odiei-a. Odiei ter fornicado com ela. E, no entanto, não consegui deixar de adorar e de contemplar já com saudade o momento específico em que o orgasmo me fez libertar para dentro dela jacto após jacto de um líquido branco, de semente da vida. Era só o momento mágico em que conseguia sair de mim, sair do meu corpo, sair de toda a consciência, que eu queria. O resto... era quase nojenta a forma como todos aqueles líquidos se misturavam e nos tocavam a pele... A saliva ressequida nos cantos da boca a formar pequenos grânulos brancos, o cheiro intenso e penetrante que ainda estava nos dedos que tinha posto dentro dela! Como tudo aquilo me dava a volta ao estômago, agora que tinha terminado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia haver uma máquina que providenciasse orgasmos instantâneos, explosivos e limpos! Com relógio, para eu saber sempre que horas são e não me atrasar. Espero que a minha mulher tenha feito serão no trabalho...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110661476407294120?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110661476407294120/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110661476407294120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110661476407294120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110661476407294120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/depois.html' title='Depois...'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110660068799800623</id><published>2005-01-26T01:01:00.000Z</published><updated>2005-01-26T04:16:48.020Z</updated><title type='text'>A meta</title><content type='html'>A meta estava ali, tão próxima que quase era palpável, tão emocionantemente próxima que tudo o mais parecia ter-se evaporado completamente, sido remetido ao oblívio. O aplauso do público era uma explosão distante e contínua que já não exercia qualquer influência sobre mim. O que interessava era ganhar, era chegar primeiro que todos os outros! Estava à frente, estava em primeiro lugar, mais ninguém conseguia ser melhor do que eu; tudo aquilo pelo que eu sempre trabalhara estava a meros metros de mim e depois disso nada mais interessaria para ninguém, porque eventualmente iria cair no esquecimento, nunca mais seria lembrado - ou então sê-lo-ía de forma muito marginal, como um troféu que já é mais pó do que troféu, como uma glória passada quase pública, sem que ninguém pense por um momento neste ponto no &lt;i&gt;continuum&lt;/i&gt; espaço-tempo em que todas estas ideias me passaram pela cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um segundo de irritação, um segundo de niilismo idiota e inútil, é o tempo de pôr o pé esquerdo à frente do direito. É um curto espaço de nada, em que nada se faz, mas em que consegui decidir a minha vida e em que resolvi falhar. Caí. A minha cara embateu violentamente contra o empoeirado asfalto, o sangue brotou da minha pele rasgada, pó entrou pela minha boca, dando aquele gosto amargo e desagradável da derrota à minha derrota. Por entre as dores, sorri. Por entre a queda em espiral para dentro de um profundo coma causado por um traumatismo craniano, também sorri. Agora iam-se lembrar de mim com mais dor e eficácia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110660068799800623?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110660068799800623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110660068799800623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110660068799800623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110660068799800623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/meta.html' title='A meta'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110659220229531534</id><published>2005-01-25T00:04:00.000Z</published><updated>2005-01-25T00:02:41.290Z</updated><title type='text'>Acusado</title><content type='html'>Era sangue que escorria da ferida aberta acidentalmente na ponta do meu dedo indicador direito. Para olhá-la, tinha que apontar para mim próprio, tinha que me sentir acusado e acusador numa só pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois era aquela sensação de sucção, aquele turbilhão. Estava no meio do mar e vinha uma onda bater-me no meio do peito, derrubando-me com força, fazendo-me perder o sentido de cima e baixo, de direita e de esquerda, de centro e de equilíbrio, com a água a entrar pelas minhas vias respiratórias dentro, deixando o ar de fora; era o sabor do mar, do sal na minha boca e no meu nariz e nos meus olhos em chamas e era o frio que me penetrava fisicamente para me fazer perder a consciência! Mas afinal a onda recuava já, eu estava a salvo, podia finalmente inalar e sentir o oxigénio a vivificar-me...! Estava de gatas, a procurar controlar a respiração, pensando: «É preciso ter azar! Ainda não foi desta..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então era um órfão numa terra distante, agarrado ao corpo moribundo da minha mãe, a chorar - não!, a suplicar - por comida, por comida que ela não podia dar. Eu só conseguia sentir o medo dela, a dor que os meus ossos provocavam ao roçar contra a minha pele: sim, que tudo o resto já tinha sido consumido pelo meu corpo, esse canibal autofágico que me queria matar. Só que nem o meu choro acordava a minha mãe do seu afinal descanso eterno, nem me matavam a fome e a sede as lágrimas que eu voltava a engolir. Era realmente uma infelicidade que eu não tivesse já força suficiente para retalhar, cozinhar e comer aquele corpo, que afinal só estava exangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela pequena gota de sangue apontava para mim, como se eu tivesse culpa de todo o sangue que corria nesse preciso momento da ferida fatal de alguém, ou do ventre de todas as mulheres menstruadas. Enojei-me comigo mesmo por ter carne e ser matéria pronta a decompor. E a acusação mantinha-se.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110659220229531534?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110659220229531534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110659220229531534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110659220229531534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110659220229531534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/acusado.html' title='Acusado'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10357445.post-110654320334604386</id><published>2005-01-24T13:07:00.000Z</published><updated>2005-01-24T21:36:46.823Z</updated><title type='text'>Vinte e quatro horas</title><content type='html'>Era interessante se lá fora não estivesse a chover. Mas está. A chuva cai nas folhas já ensopadas e eu não consigo encontrar uma linha na página pautada que tenho na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso apenas: "ainda bem que não sou um caracol, que não tenho a sua lentidão, ou morreria de stress prematuramente!" Depois encontro alguém a correr a alta velocidade, ou num carro desportivo topo de gama e desejo ser um caracol, para poder ter mais alguma velocidade.&lt;br /&gt;É claro que também odiava ser aquela minhoca que rasteja por debaixo do solo, cega, engolindo os pequenos minerais que lhe chegam ao seu tracto digestivo - coitada, não pode nem contemplar a luz do Sol. Depois quando saio à rua e o Sol me faz doer os olhos, desejo poder enterrar-me nas profundezas dos abismos da Terra para não ter de suportar aquela dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára de chover entretanto, mas o vento ainda sopra e eu olho a pétala que cai docemente no pavimento alcatroado, para de seguida um carro lhe passar por cima, deixando nela uma impressão de pneu. Sinto-me horrivelmente esmagado por este acto de insana loucura e sadismo e apetece-me vazar os olhos ao condutor por ter prostituído a beleza... Não - nem foi prostituição, que essa envolve pagamento e neste caso apenas houve... violação! Foi o condutor que rasgou o interior do próprio conceito de beleza, que o esmagou debaixo de si! (Vi, no dia seguinte, que afinal era uma mulher quem conduzia o carro àquela hora, todos os dias... A agridoce ironia quase me fazia chorar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço finalmente o tiquetaque do relógio. É velho, de parede, dos antigos. Cada badalada a meio da noite é um tiro de caçadeira nos meus miolos, e o meu quarto fica então regado com sangue, neurónios, células de glia, neurotransmissores, pedaços de osso e pele e uma vida que foi outrora... Só quando o despertador toca é que tudo volta ao sítio: a carne, o osso e a pele reconstroem-se por magia e eu fico sem saber se o relógio me matou com um tiro de caçadeira. É claro que, uma hora depois, ao chegar à escola, bastam dez minutos para desejar que o pesadelo que se repete todas as noites tivesse sido real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 22:30, diz o meu relógio de pulso digital. «Porra!», exclamo. É da fadiga, claro. Só pode ser. Mas a verdade é que não me faço rogado. Toco-me. Venho-me. Limpo-me. Não adormeço. Reviro-me na cama e só sei pensar: «Porra. Porra... porra, porra porraporraporraporra!» Pergunto-me pela porra do significado da porra da palavra "porra"... Porra, não o sei! E o dicionário está a mais de dez centímetros de mim, portanto que se lixe o dicionário e mais a porra da palavra que uso sem saber exactamente - porra!, quero eu dizer "minimamente" - o que significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram vinte e quatro horas - daqui a nada serão os meus miolos novamente espalhados na parede - e nada se fez realmente. Penso no vento, que todos creêm que "passa" e que não faz nada: «os estúpidos e ignorantes que inventaram essa metáfora deviam estar a dormir! Levem lá com um furacão nos cornos e vejam se por acaso o vento não faz nada, ó espertinhos!» Depois choro. Não me reconheço nestas barbaridades todas. Não era assim que eu era antes de me virem derrubar do poleiro instável onde mantive a minha mente intacta durante tanto tempo. Cresci tanto que me esqueci de como é que se usavam os olhos para olhar para baixo, o que me levou a engordar, a encher, a insuflar como um balão... mas de chumbo, de pirite, de estrume infecto e rançoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo sem conseguir encontrar uma linha numa página pautada. Só vejo traços irregulares gravados no papel e penso se não será isso a que chamam linha. O problema é que para mim uma linha conduz a alguma coisa, nem que seja ao infinito, enquanto que estas, ao chegarem ao fim da página, se precipitam no nada. E do nada já eu estou farto. Pego na caneta e desenho o símbolo de infinito, irregularmente. «Aí está uma linha decente, ó idiotas!», exclamo em voz alta. Só depois é que vejo que perdi o princípio e que por causa disso vou perder o fim.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10357445-110654320334604386?l=esparsos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esparsos.blogspot.com/feeds/110654320334604386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10357445&amp;postID=110654320334604386' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110654320334604386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10357445/posts/default/110654320334604386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esparsos.blogspot.com/2005/01/vinte-e-quatro-horas.html' title='Vinte e quatro horas'/><author><name>Daniel Cardoso</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_6t7PeEEtd3w/SjPqF4aQkJI/AAAAAAAABrM/xmcTxZlIBu0/s1600-R/n1659327032_9996.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
